O cliente aprovou e agora pede alteração atrás de alteração

Estava fechado. Você executou o combinado, mandou, e voltou com ajuste. Fez o ajuste, voltou com outro. Cada um parece pequeno, nenhum parece cobrável, e o trabalho já custa o dobro do que foi orçado.

Falar sobre o meu escopo
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tipos de pedido, com tratamentos diferentes
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frases que encerram o ciclo sem atrito
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clientes que sabem que estão pedindo demais
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palavra que faltou na proposta

A palavra que faltou na proposta

Quantas. Quantas rodadas de ajuste estão incluídas. Sem esse número, o combinado é implicitamente infinito, e o cliente não está abusando: está usando o que ficou em aberto. Ele supõe que ajustar faz parte, e faz mesmo — a questão é até onde.

Quem escreve "duas rodadas de ajuste incluídas" transforma a terceira em conversa normal sobre preço, em vez de conflito.

Ninguém sabe que está pedindo demais: cada solicitação chega isolada e parece pequena para quem pede, porque ele não soma. Do seu lado, a soma é o dia inteiro. Essa assimetria é a raiz do problema e explica por que a irritação cresce só de um lado: o cliente segue achando a relação ótima enquanto você já está contando prejuízo. Informar o consumo é o que iguala as duas visões, e informar não é reclamar.

Os três tipos de pedido

Correção. Você entregou alguma coisa diferente do que tinha sido combinado. Isso é problema seu, refaz sem discussão nenhuma e sem contabilizar como rodada de ajuste.
Refinamento. A entrega está exatamente conforme o combinado e ele simplesmente quer que fique melhor. É precisamente isso que as rodadas incluídas cobrem, e o pedido é legítimo.
Mudança de escopo. Ele mudou de ideia a respeito do que queria desde o início. Isso é trabalho novo usando o nome de ajuste, e é o único dos três que precisa virar orçamento.

Como separar na hora do pedido

A classificação precisa acontecer antes de você começar a executar.

Volte ao que foi aprovado. Compare o pedido com o documento, não com a sua memória. Metade das discussões de escopo se resolve sozinha no momento em que alguém relê o que realmente estava escrito.
Pergunte o que mudou. Uma pergunta simples como "alguma coisa mudou de lá para cá?" costuma trazer a resposta sozinha, e o cliente muitas vezes reconhece a própria mudança sem que você precise apontar nada.
Responda antes de executar. Depois do trabalho feito, cobrar por ele vira cobrança retroativa e soa a armadilha armada. Dito antes de executar, é apenas combinado.
Não classifique no e-mail de resposta. Expressões como "isso está fora do escopo" travam a conversa na hora. Diga apenas o que muda em prazo e em valor, sem colocar rótulo em nada.
Se ficar em dúvida, faça e registre. Um ajuste duvidoso e pequeno raramente vale o desgaste da discussão. Faça, anote como cortesia concedida e use isso na próxima negociação de preço.

As duas frases que encerram sem atrito

Nenhuma delas contém a palavra não.

"Consigo fazer, e isso acrescenta tanto ao prazo e tanto ao valor." Essa frase transforma uma recusa em escolha, e devolve a escolha para quem fez o pedido. Boa parte das solicitações simplesmente desaparece nesse momento, sem que ninguém tenha precisado dizer não.
"Essa era a segunda rodada; a próxima entra como ajuste adicional." Ela informa com clareza onde vocês dois estão no processo sem cobrar nada ainda, e o próximo pedido costuma chegar bem diferente.
Diga por escrito, sempre. Um combinado apenas verbal sobre escopo é exatamente o que gera as duas versões diferentes da mesma conversa três semanas depois.
Ofereça a alternativa barata junto. Dizer "do jeito que você pediu fica assim; deste outro jeito resolve quase igual e não muda o prazo" costuma fazer a conversa fechar na segunda opção.
Nunca faça de graça reclamando. É o pior dos dois mundos: você perde o dinheiro e ainda vira quem reclama.

O que colocar na próxima proposta

O problema se resolve antes de existir, e custa cinco linhas.

O número de rodadas incluídas. Duas costuma ser o padrão razoável na maioria dos serviços, e o número importa menos que ele existir.
O que conta como rodada. Um conjunto de ajustes enviado de uma vez é uma rodada; cinco mensagens ao longo da semana também deveriam ser, e isso precisa estar dito.
O valor da rodada extra. Publicar o preço do adicional desde o começo tira o clima de punição quando ele acontecer.
O prazo para pedir ajuste. Sem janela, o pedido volta dois meses depois, quando você já desmontou tudo e seguiu adiante.
O que encerra o trabalho. Aprovação formal, silêncio por tantos dias ou pagamento final. Sem marco de encerramento, nada nunca termina.

Quando o pedido vem de outra pessoa

É a causa mais comum de rodada infinita e quase ninguém trata.

Quem aprovou não era quem decide. O chefe viu depois e tem opinião diferente. O trabalho está certo e vai ser refeito de qualquer forma.
Descubra quem assina antes de começar. Uma pergunta na primeira reunião — "quem mais precisa ver isso antes de aprovarmos?" — evita a maior parte desses casos.
Peça que os pedidos venham consolidados. Três pessoas enviando ajustes separados produzem pedidos contraditórios, e você fica no meio.
Coloque a aprovação em nome de alguém. "Aprovado por" com nome no documento resolve a discussão futura sobre quem disse o quê.
Se aparecer decisor novo, é escopo novo. Não por rigidez: porque a avaliação começou do zero e o trabalho anterior foi descartado sem culpa sua.

Como isso muda por tipo de trabalho

O limite razoável de rodadas varia bastante conforme o que se entrega.

Criação visual. É onde mais acontece, porque gosto é subjetivo e não tem critério objetivo de pronto. Rodadas contadas são obrigatórias aqui.
Obra e reforma. A mudança depois de executado custa material além de tempo, e é o caso em que orçar o adicional na hora é mais aceito.
Software e sistema. Cada ajuste pode reabrir teste e afetar outra parte. Vale explicar que o custo não é proporcional ao tamanho aparente do pedido.
Serviço técnico com norma. Quando existe regra ou laudo, boa parte do que parece pedido de ajuste simplesmente não pode ser atendido, e isso é conversa, não negociação.
Texto e conteúdo. O risco é a revisão de terceiros: cada nova pessoa que lê traz uma leva de sugestões, e isso precisa estar previsto.

O que fazer com o trabalho que já está no ciclo

Some o que já foi feito

Liste as rodadas e o tempo. O número costuma surpreender os dois lados.

Proponha o corte com data

"Mais esta rodada e fechamos" dá um fim visível sem parecer recusa.

Não cobre o que já passou

Retroativo azeda. O que passou vira argumento para a regra nova.

Use o caso na próxima proposta

Foi ele que te deu o número de rodadas que faz sentido no seu serviço.

Por que é tão difícil dizer que acabou

Vale nomear o mecanismo, porque ele é o mesmo em serviços muito diferentes.

O primeiro ajuste é sempre razoável, e o segundo também. O problema é que não existe um momento em que fique óbvio que o razoável acabou: a curva é contínua e cada pedido é apenas um pouco maior que o anterior. Sem um número combinado antes, você fica esperando um sinal que nunca chega, e quando finalmente decide falar já acumulou irritação suficiente para a conversa sair mais dura do que deveria. O cliente, que não percebeu nada, recebe uma reação desproporcional ao último pedido — que de fato era pequeno — e a relação azeda por causa da soma, não do item.

Há também o medo de parecer difícil no meio de um trabalho em andamento. Enquanto o serviço não terminou, existe a sensação de que impor limite pode custar o pagamento final, a indicação ou a recompra. Isso é real e é justamente por isso que a regra precisa estar escrita antes de começar: quando ela existe no documento, aplicá-la não é confronto, é cumprimento do combinado. Quem só define o limite depois que o problema apareceu está negociando na pior posição possível, com o trabalho já entregue e o dinheiro ainda não recebido.

Sobre escopo, aditivo e prazo

Vale conhecer os contornos, sem tratar isto como orientação jurídica.

Prestação de serviço no Brasil se rege pelo que foi contratado, e a delimitação do objeto é o que define até onde vai a obrigação. Proposta aceita por escrito, mesmo por mensagem, costuma ter valor como contrato quando há acordo sobre objeto, prazo e preço — não é preciso documento formal para existir vínculo. Isso corta nos dois sentidos: protege você quanto ao que foi combinado e vincula você ao que ficou vago. Alteração de escopo pactuada depois configura, na prática, aditivo contratual, e registrar por escrito a mudança com o novo prazo e valor é o que evita a discussão sobre se aquilo estava ou não incluído.

Quando o contratante é consumidor, vale lembrar que vício na execução — serviço entregue diferente do contratado — tem tratamento próprio e prazo para reclamação, e refazer nesse caso não é cortesia, é obrigação. Já a insatisfação com resultado que corresponde ao combinado é outra categoria. Cláusula que limite rodadas de ajuste é válida desde que informada de forma clara antes da contratação, e não apresentada depois. Em contrato com empresa há mais liberdade de pactuação. Como o enquadramento depende do que está escrito e de quem é o contratante, vale pedir a um advogado que revise o seu modelo de proposta uma vez — ele serve para todos os trabalhos seguintes.

O que fazer quando o ajuste é culpa sua

Parte dos pedidos existe porque a entrega saiu mesmo diferente do combinado.

Refaça sem contabilizar como rodada. Cobrar rodada por correção do próprio erro é o que destrói a confiança na regra inteira, e o cliente percebe na hora que a contagem virou pretexto.
Não misture na mesma conversa. Se o pedido tem correção e mudança de escopo juntos, separe explicitamente: refaço isto, e aquilo é adicional.
Descubra por que saiu errado. Briefing incompleto, pressa na execução ou aprovação apressada. A causa costuma se repetir no próximo trabalho se ninguém olhar.
Registre para não repetir. Uma linha no fim de cada projeto sobre o que gerou retrabalho vira, em seis meses, a lista de perguntas do seu briefing.
Seja generoso quando a culpa é sua. Refazer rápido e sem discussão em erro próprio é o que compra crédito para aplicar a regra nos outros casos.

O limite de rodadas melhora o trabalho, não só a sua margem: quando existe um número, o cliente para de mandar ajuste solto conforme vai pensando e passa a juntar tudo antes de enviar. Isso muda a qualidade do retorno — em vez de dez mensagens contraditórias, chega uma lista pensada, que é bem mais fácil de executar bem. Muita gente resiste a impor limite achando que vai frustrar quem contratou, e o efeito costuma ser o oposto: o processo fica mais organizado para os dois e o resultado final sai melhor.

Os sinais de que o ciclo não vai fechar sozinho

O pedido volta ao que já foi

Quando ele pede de novo o que já foi mudado, ninguém sabe mais o que é bom.

Aparece gente nova opinando

Cada leitor novo traz uma leva, e a lista de aprovadores não tem fim.

Os ajustes ficam menores

Detalhe minúsculo costuma significar que falta um motivo real para não fechar.

O pagamento final não vem

Ajuste que se estende às vezes é adiamento de pagamento com outro nome.

Quando vale chamar alguém

Escrever o número de rodadas na proposta é trabalho seu, e resolve a maior parte sozinho.

Vale trazer ajuda para estruturar a proposta e a comunicação do escopo. Quando o problema aparece antes de fechar, o roteiro é pedem orçamento sem saber o que querem. No caso de o projeto virar orçamento de outro, leia faço o projeto de graça e o cliente leva para outro. Se nada foi registrado por escrito, leia combinei por telefone e cada um lembra diferente.

Se o erro foi seu na conta e não no escopo, leia orcei errado para menos e o cliente aprovou. Se a demora está antes da aprovação, veja cliente demora para aprovar e cobra o prazo.

Como limitar rodadas de ajuste sem criar atrito com o cliente

  1. Escrever na proposta quantas rodadas de ajuste estão incluídas Sem número, o combinado é implicitamente infinito.
  2. Definir o que conta como uma rodada Cinco mensagens ao longo da semana também deveriam contar.
  3. Publicar o valor da rodada extra desde o começo Tira o clima de punição quando ela acontecer.
  4. Definir a janela de prazo para pedir ajuste Sem ela, o pedido volta dois meses depois.
  5. Descobrir na primeira reunião quem mais precisa aprovar Decisor que aparece depois refaz o trabalho inteiro.
  6. Comparar cada pedido com o documento aprovado Metade das discussões se resolve relendo o que estava escrito.
  7. Responder classificando antes de executar Depois de feito, cobrar vira cobrança retroativa.
  8. Usar a frase que devolve a escolha ao cliente 'Consigo fazer, e isso acrescenta tanto ao prazo e ao valor.'
  9. Nunca fazer de graça reclamando Perde o dinheiro e ainda vira quem reclama.
  10. Registrar por escrito toda mudança de escopo acordada Combinado verbal gera duas versões da mesma conversa.
Cleber Barbosa, consultor de marketing digital em Ribeirão Preto
Autor
Cleber Barbosa
Consultor de Marketing Digital, SEO e Tráfego Pago — Ribeirão Preto, SP

Vinte anos de marketing digital e 43 cases documentados. Trabalho com SEO técnico, tráfego pago, growth hacking e IA aplicada a negócios. Cada pedido chega isolado para quem pede e somado para quem executa.

Sobre o autor
Perguntas frequentes

Dúvidas sobre alteração fora do combinado

O que faltou na minha proposta?

O número de rodadas de ajuste incluídas. Sem ele, o combinado é implicitamente infinito e o cliente não está abusando.

Como sei se é ajuste ou trabalho novo?

Compare o pedido com o documento aprovado, não com a memória. Se ele mudou de ideia sobre o que queria, é escopo novo.

Como cobro sem criar atrito?

"Consigo fazer, e isso acrescenta tanto ao prazo e tanto ao valor." Vira escolha dele, e boa parte dos pedidos some aí.

Posso cobrar pelo que já fiz?

Cobrança retroativa azeda a relação. O que passou vira argumento para combinar a regra daqui em diante.

E se o pedido vier de outra pessoa?

Descubra na primeira reunião quem mais precisa aprovar. Decisor novo que aparece depois costuma significar escopo novo.

Posso limitar revisões em contrato?

Costuma ser válido quando informado com clareza antes da contratação, e não apresentado depois que o pedido chegou.

Quantas rodadas a sua proposta atual inclui?

Se não tem número escrito, ela inclui todas — e o cliente está apenas usando isso.

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