Faço o projeto de graça e o cliente leva para outro executar

Você vai até o local, mede tudo, desenha, apresenta em três dimensões e discute cada detalhe com o cliente. Semanas depois você descobre que aquele projeto todo virou o briefing de um orçamento mais barato feito em outro lugar.

Falar sobre o meu processo
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momentos em que você perde o trabalho
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concorrentes que refariam o projeto do zero
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coisa que você entrega e chama de orçamento
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formas de cobrar sem afastar o cliente

Você não entrega orçamento, entrega projeto

Medir o ambiente inteiro, propor a solução, desenhar em três dimensões e especificar cada material é trabalho técnico com muitas horas dentro. Chamar isso de orçamento é o que autoriza o cliente a tratar como cortesia e levar para outro lugar sem sentir que está pegando algo seu.

O concorrente que recebe esse material não precisa refazer absolutamente nada. Ele apenas orça a execução de um projeto que já está pronto, e é por isso que consegue cobrar menos que você.

Os dois momentos em que o trabalho vaza: quando você entrega o arquivo já detalhado antes de existir qualquer compromisso, e quando apresenta a proposta comercial com a lista completa de materiais e medidas. O segundo caso é de longe o mais comum e o menos percebido de todos: uma proposta com especificação item a item nada mais é que um projeto executivo disfarçado de orçamento, e qualquer marcenaria da cidade consegue produzir a partir dela.

As três formas de cobrar sem afastar

Projeto pago e abatido na execução. O cliente paga pelo desenho e todo esse valor é descontado do total se ele fechar com você. Quem realmente pretende fechar não se incomoda com isso; quem só queria o arquivo desiste na hora.
Duas etapas, com valor só na segunda. Visita e conceito continuam de graça; o detalhamento e a especificação passam a ser pagos. Separar essas duas etapas resolve a maior parte dos casos sozinho.
Apresentação sem entrega do arquivo. Mostrar na tela, discutir cada ponto ali mesmo e entregar o material apenas depois de assinado. É a forma mais simples de todas e a que exige menos conversa difícil.

Quando o cliente volta depois de sumir

Acontece com frequência, e a reação improvisada custa dinheiro.

Ele voltou porque o barato deu errado. Execução malfeita de um projeto bom é o cenário mais comum de retorno, e nesse ponto o cliente já gastou o dinheiro dele e está sem paciência nenhuma.
Não faça piada nem cobre reconhecimento. Dizer "eu bem que avisei" fecha na hora a porta que ele acabou de reabrir sozinho.
Trate como serviço novo, com preço novo. Consertar obra executada por terceiro dá bem mais trabalho que fazer tudo do zero, e o preço precisa refletir isso com clareza.
Refaça o levantamento. Aquilo que foi executado errado mudou completamente as condições do ambiente, e orçar em cima do projeto antigo é assumir um problema que não é seu.
Use o episódio para ajustar o processo, não o discurso. Se esse cliente levou o projeto uma vez, outros também levaram e simplesmente não voltaram para contar.

A conta que a maioria nunca fez

Antes de mudar qualquer coisa, vale saber quanto isso custa por mês.

Conte quantos projetos você fez no último trimestre. Conte todos eles, inclusive os que não viraram absolutamente nada. O número costuma surpreender quem nunca tinha parado para contar.
Multiplique pelas horas médias de cada um. Some o tempo de medição, de desenho, de revisão e da apresentação. Inclua também o deslocamento até o local.
Separe os que fecharam dos que não fecharam. As horas gastas nos que fecharam estão pagas dentro do valor do serviço. Todas as outras não foram pagas por ninguém.
Aplique o seu valor-hora de execução. Não use o valor de venda: use o custo real da sua hora de trabalho. Mesmo assim o número costuma passar de um salário mensal.
Compare com o que você deixou de fazer. Aquelas horas todas poderiam ter sido execução paga, captação de cliente novo ou simplesmente descanso. Alguma coisa deixou de acontecer para que elas existissem.

O erro de tratar como falta de caráter do cliente: na maior parte das vezes a pessoa não está agindo de má-fé. Ela pediu orçamento, recebeu um arquivo, e para ela aquilo é a descrição do serviço, não uma criação de alguém. Quem entrega sem dizer o contrário está comunicando exatamente isso. Culpar o cliente é reconfortante e não muda nada; mudar o que você entrega e quando entrega muda tudo, e não exige que ninguém se torne mais honesto.

Os sinais de quem só quer o arquivo

Já tem projeto de outro

Quem já chega mostrando o desenho de um concorrente na primeira conversa está montando um comparativo, não escolhendo fornecedor.

Pressa no desenho, calma no resto

Muita urgência para receber o arquivo e nenhuma pressa nenhuma para falar de prazo de obra.

Não quer falar de valor

Cliente de verdade pergunta a faixa de investimento logo no começo. Quem desvia sempre dessa conversa costuma estar apenas coletando material.

Pede o arquivo editável

Não existe nenhum motivo legítimo para um cliente final querer o arquivo aberto e editável na mão.

Por onde começar

Some as horas do último trimestre. Só as perdidas.
Tire quantidade da proposta. Valor por conjunto.
Apresente na tela, sem enviar. No próximo cliente.
Qualifique por telefone antes de ir. Três perguntas.
Escreva a cessão no contrato. Com o fechamento.

Como apresentar a mudança ao cliente

A cobrança pelo projeto não é o problema. A forma de comunicar é.

Diga o que está sendo comprado. Dizer que "o projeto leva de seis a dez horas de trabalho técnico" transforma um arquivo em serviço prestado. Ninguém discute pagar por horas que consegue enxergar existindo.
Abata na execução, e diga isso primeiro. A frase certa é "se você fechar comigo, esse valor sai do total", e não "eu cobro pelo projeto". A condição é exatamente a mesma e soa oposta conforme a ordem.
Mantenha algo gratuito antes. Visita, conversa e apresentação do conceito continuam sem custo nenhum. O que passa a ser pago é apenas o detalhamento, e essa linha precisa ficar muito clara.
Não peça desculpa. Explicar demais acaba comunicando que você mesmo acha estranho estar cobrando. Uma única frase objetiva já basta.
Aceite perder parte dos contatos. Quem some assim que ouve isso é exatamente quem ia sumir depois de qualquer jeito, só que com o seu projeto na mão.

O filtro que aparece de brinde: quando o projeto passa a ter valor, o tipo de gente que chega muda. Some quem estava coletando arquivos para comparar, e sobra quem tem verba definida e prazo real. Muitos profissionais relatam atender menos e fechar mais depois dessa mudança, e o motivo não é o dinheiro do projeto: é o tempo que deixou de ser gasto com quem nunca ia contratar. Se hoje você desenha para dez e fecha com dois, o problema não está nos dois.

O que entregar em cada etapa

Antes de qualquer pagamento

Conceito da solução, referências visuais e faixa de investimento. Sem medida exata e sem lista de materiais.

Depois do projeto pago

Desenho detalhado, especificação técnica e memorial descritivo. É justamente esse conjunto que tem valor de mercado.

Na proposta comercial

Apresente valor por ambiente ou por conjunto fechado, nunca item a item com quantidade e medida.

Depois de assinado

Arquivos abertos, plantas e tudo aquilo que a execução exigir, sem nenhuma restrição.

Como isso muda por tipo de trabalho

Quanto mais projeto antes da venda, maior o risco de trabalhar de graça.

Móvel planejado e marcenaria. É o caso clássico de todos: o desenho concentra a maior parte do valor percebido e é justamente o mais fácil de levar embora.
Arquitetura e design de interiores. Aqui o projeto já é o próprio produto vendido, e cobrar por ele é norma consolidada da profissão, não exceção.
Instalação técnica e engenharia. O dimensionamento é trabalho técnico especializado, e entregar o cálculo pronto significa entregar justamente a parte difícil do serviço.
Comunicação visual e gráfica. Um layout apresentado antes do aceite vira arquivo pronto em qualquer gráfica da cidade. Marca d'água resolve mais que qualquer discurso sobre ética.
Serviço sem projeto prévio. Quem apenas precisa medir e cotar não enfrenta esse problema, e cobrar pela visita nesse caso costuma ser exagero.

Como reduzir o trabalho antes da venda

Parte da solução é projetar menos, não cobrar mais.

Qualifique antes de medir. Faixa de investimento, prazo pretendido e quem decide, perguntados ainda por telefone, evitam metade das visitas que não iam dar em nada.
Use referências prontas na primeira conversa. Projetos anteriores parecidos comunicam muito bem a ideia sem consumir uma hora sequer de desenho novo.
Faça um esboço, não o projeto. Um rascunho feito à mão conversa tão bem quanto uma renderização caprichada, com a vantagem de ninguém conseguir executar a partir dele.
Deixe o detalhamento para depois do sim. A decisão do cliente quase nunca depende do nível de acabamento do desenho apresentado, e sim da confiança que ele tem em você.
Padronize o que der. Trabalhar com módulos e soluções recorrentes reduz bastante o tempo de projeto sem reduzir em nada a qualidade do resultado final.

O que fazer quando já aconteceu

Descobrir que o seu projeto foi executado por outro dá raiva e pede cabeça fria.

Confirme antes de acusar. Semelhança sozinha não é prova de nada, e ambiente pequeno costuma admitir pouquíssimas soluções diferentes. Acusar sem base custa exatamente a reputação que você levou anos construindo na cidade.
Não brigue em público. Uma publicação sobre o caso raramente convence quem quer que seja e sempre acaba dando audiência para o concorrente.
Fale com o cliente antes do concorrente. Muita gente sinceramente não percebeu que fez algo errado, e uma conversa direta resolve bem mais que qualquer notificação formal.
Trate como aprendizado de processo. Se aconteceu uma vez, é porque o seu fluxo comercial permite que aconteça. A correção precisa ser no fluxo, e não no episódio isolado.
Consulte um advogado se o caso for grande. Projeto pode sim ter proteção legal, mas a avaliação depende inteiramente do que foi entregue e do que estava combinado por escrito.

Sobre direito sobre o projeto

Existe terreno jurídico aqui e vale conhecer os contornos.

Projeto arquitetônico, desenho técnico e obra de design podem ser protegidos pela legislação de direito autoral, que reconhece como obra intelectual os projetos e as criações do gênero. Isso significa que, em princípio, o autor mantém direitos sobre a criação mesmo depois de entregar o material, e a execução por terceiro sem autorização pode configurar violação. Na prática, porém, o alcance varia bastante: soluções triviais, medidas de um ambiente e disposições óbvias dificilmente são protegidas, enquanto um projeto com escolhas criativas identificáveis tem posição bem mais forte. Profissionais com registro em conselho contam ainda com regras próprias sobre autoria e responsabilidade técnica.

O que muda tudo na prática é o que está escrito. Um contrato ou uma proposta que diga expressamente que o projeto é licenciado para execução pela sua empresa, e que a cessão de direitos ocorre apenas com o fechamento, transforma uma discussão sobre interpretação numa questão contratual objetiva. Sem esse documento, cada lado alega o que entende e a disputa depende de prova. Vale também registrar a autoria com data, o que pode ser feito de várias formas e ajuda a demonstrar anterioridade. Como o desfecho depende do tipo de projeto, do que foi entregue e do que foi combinado, converse com um advogado antes de tomar qualquer medida formal.

Quando vale chamar alguém

Redesenhar o processo comercial é decisão sua, e depende de quanto trabalho técnico você coloca antes de fechar.

Vale trazer ajuda na captação, para chegar menos gente só cotando. Quando o problema é o cliente comparar três orçamentos, leia orçam comigo e fecham com outro. Quando o escopo chega vago demais, leia orçar algo que nunca fiz. Se o retrabalho vem após o trabalho fechado, leia cliente pede alteração depois de aprovar.

Como parar de entregar projeto técnico antes de fechar a venda

  1. Somar quantas horas de projeto você entregou sem fechar É o número que decide se o processo precisa mudar.
  2. Parar de chamar projeto de orçamento O nome é o que autoriza o cliente a tratar como cortesia.
  3. Separar o que é conceito do que é detalhamento Conceito segue gratuito; especificação, não.
  4. Qualificar por telefone antes de ir medir Faixa, prazo e quem decide evitam metade das visitas.
  5. Apresentar na tela e entregar o arquivo só depois de assinado É a forma mais simples e a que exige menos conversa.
  6. Tirar quantidade e medida da proposta comercial Proposta item a item é projeto executivo com outro nome.
  7. Cobrar o projeto e abater na execução, dizendo isso primeiro A mesma condição soa oposta conforme a ordem da frase.
  8. Escrever no contrato que a cessão ocorre com o fechamento Transforma interpretação em questão contratual objetiva.
  9. Confirmar antes de acusar quem executou Semelhança não é prova e acusar sem base custa reputação.
  10. Consultar um advogado antes de qualquer medida formal O alcance da proteção depende do que foi entregue.
Cleber Barbosa, consultor de marketing digital em Ribeirão Preto
Autor
Cleber Barbosa
Consultor de Marketing Digital, SEO e Tráfego Pago — Ribeirão Preto, SP

Vinte anos de marketing digital e 43 cases documentados. Trabalho com SEO técnico, tráfego pago, growth hacking e IA aplicada a negócios. Chamar projeto de orçamento é o que autoriza o cliente a tratar como cortesia e levar embora. Escrevo estes roteiros com o que aplico em diagnóstico real.

Sobre o autor
Perguntas frequentes

Dúvidas sobre projeto e orçamento

Por que perco depois de projetar?

Porque o concorrente não refaz nada: ele orça a execução de um projeto pronto, e por isso consegue cobrar menos que você.

Cobrar pelo projeto afasta cliente?

Afasta quem só queria o arquivo. Quem pretende fechar aceita, principalmente se o valor for abatido na execução.

Onde o trabalho costuma vazar?

Na proposta com lista completa de materiais e medidas. Isso é projeto executivo com nome de orçamento.

Posso mostrar sem entregar?

Pode, e é a forma mais simples. Apresentar na tela, discutir e entregar o arquivo só depois de assinado.

O projeto é meu ou do cliente?

Depende do que foi combinado. Sem contrato dizendo o contrário, a discussão fica aberta e desagradável.

Tenho direito sobre o desenho?

Projeto pode ter proteção autoral, mas o alcance disso varia bastante. É matéria para um advogado avaliar no caso concreto.

Quantas horas você desenhou de graça este mês?

Some tudo, com honestidade. É esse número que decide se o seu processo comercial precisa mudar.

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