O cliente demora para aprovar e depois cobra o prazo original

Você mandou no dia combinado. Ele levou onze dias para responder. Agora quer a entrega na data que valia antes daquela espera, e a conversa acontece como se o tempo parado fosse seu.

Falar sobre os meus prazos
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motivos da demora, com respostas diferentes
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palavra que muda o prazo inteiro
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avisos que evitam a discussão inteira
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clientes que contam a própria espera

A palavra que muda o prazo inteiro

Úteis. Mas não dias úteis: dias úteis seus. O prazo precisa correr a partir de cada aprovação, e não da data de início do projeto. "Entrego dez dias após a sua aprovação de cada etapa" e "entrego em dez dias" parecem a mesma frase e produzem contas completamente diferentes quando alguém demora a responder.

Sem essa distinção escrita, todo tempo que o trabalho passa parado do lado dele entra na sua conta, e você fica devendo um prazo que nunca teve.

Ninguém conta a própria espera: o cliente lembra que pediu no dia 2 e recebeu no dia 30. Os onze dias em que a bola estava com ele desapareceram da narrativa, não por má-fé, mas porque tempo de espera do outro é visível e tempo de espera próprio não é. Você viveu aqueles onze dias esperando; ele viveu resolvendo outras coisas. A menos que exista registro, a versão dele é a única que sobra.

Os três motivos, com respostas diferentes

Ele não é quem decide. Ele precisa mostrar o material a outra pessoa, e essa pessoa tem uma agenda que ninguém controla. É o motivo mais comum de todos, e a resposta certa é descobrir quem realmente aprova antes de começar o trabalho.
Não entendeu o que precisa fazer. Você mandou o material pedindo aprovação e ele não sabe exatamente o que está aprovando, o que precisa conferir nem o que acontece depois que ele responder.
A prioridade dele mudou. O projeto continua existindo na cabeça dele e simplesmente deixou de ser urgente. Nesse caso a resposta não é insistir com mais mensagens: é combinar abertamente uma nova data de retomada.

Os dois avisos que evitam a discussão

Os dois acontecem antes de o atraso virar problema.

O aviso no envio. Uma frase como "assim que você aprovar, são sete dias para a entrega" recoloca o relógio no lugar certo exatamente no momento em que a bola passa para o lado dele, sem que isso soe como cobrança nenhuma.
O aviso na virada. Quando a espera passa do razoável, mande uma mensagem informando que a data final de entrega se desloca junto com a aprovação. Isso não é ameaça: é uma informação que ele simplesmente não tem.
Os dois juntos encerram o assunto. Quem recebeu os dois avisos ao longo do processo não discute a data no final, porque acompanhou o deslocamento acontecendo em tempo real.

Como escrever o aviso da virada

É a mensagem que mais gente evita mandar, e a que mais protege.

Informe, não cobre. Escrever "como a aprovação saiu hoje, a nova data de entrega passa a ser dia 22" comunica o fato objetivo sem atribuir culpa a ninguém, e é exatamente isso que torna a mensagem aceitável para quem recebe.
Mande no dia em que a aprovação chega. E não alguns dias depois, quando o prazo original já estourou. O momento certo é justamente aquele em que a nova conta acabou de passar a existir.
Não mencione quantos dias ele demorou. O número parece reprovação e desvia a conversa para a defesa dele, quando o assunto era só a data nova.
Ofereça a alternativa, se existir. Dizer "se você precisar da data original, dá para reorganizar desta forma" transforma o aviso em solução oferecida e costuma ser muito bem recebido.
Escreva sempre, mesmo quando não muda nada. Se você decidiu absorver a espera e vai entregar na data original mesmo assim, diga isso com todas as letras. O crédito concedido só existe de fato se a outra pessoa souber que foi dado.

Como reduzir a demora antes que aconteça

Boa parte do atraso de aprovação é causada por como o pedido chega.

Peça uma coisa só por vez. Uma mensagem com três perguntas e dois anexos vira tarefa na cabeça de quem recebe, e tarefa é sempre adiada. Já uma pergunta com resposta de sim ou não é respondida no celular, na hora.
Diga o que acontece se ele não responder. Escrever "se não tiver retorno até sexta, sigo com a versão A" resolve boa parte das esperas longas, porque a partir dali o silêncio passa a ter uma consequência conhecida por ele.
Marque a data de aprovação no cronograma. Quando o cliente enxerga a própria etapa desenhada no calendário do projeto, ele entende que aprovar é parte do trabalho dele e não uma cortesia que presta a você.
Mande sempre no mesmo dia da semana. Previsibilidade cria hábito, e hábito reduz o tempo de resposta mais que qualquer cobrança.
Facilite o sim. Se aprovar exige baixar arquivo, abrir programa e responder e-mail, você criou três motivos para deixar para depois.

Quando a espera já aconteceu

Sem aviso prévio, a discussão é sobre versões, e ela tem saída.

Mostre a linha do tempo, sem comentário. "Enviei dia 2, aprovação chegou dia 13, entrego dia 20." Datas em sequência dispensam qualquer argumento e não acusam ninguém.
Assuma a falha de não ter avisado. Se você não mandou o aviso da virada, essa parte é sua, e reconhecer isso desarma a conversa inteira.
Proponha o meio-termo com data. Entregar antes do novo prazo e depois do original resolve na prática e encerra a discussão mais rápido que ganhar o argumento.
Não entregue correndo para provar ponto. Cumprir a data original com qualidade pior troca uma discussão de prazo por uma de qualidade, que é bem pior.
Ajuste o processo antes do próximo envio. A conversa só valeu se a próxima etapa já sair com o aviso combinado.

O custo que não aparece na conversa

A espera do cliente não é tempo livre para você.

A vaga fica reservada. Você guardou a semana para aquele trabalho e não pôde encaixar outro. O prejuízo é de agenda e ninguém enxerga.
Retomar custa tempo. Voltar a um projeto parado por duas semanas exige reler tudo, e essa hora não está em orçamento nenhum.
O acúmulo se concentra. Três clientes que atrasaram aprovam no mesmo dia, e a semana seguinte vira impossível para os três.
O prazo comprimido gera erro. Trabalho feito no aperto porque a espera comeu a folga é onde nasce o retrabalho que você vai fazer de graça.
Some isso antes de decidir absorver. Absorver uma espera é decisão legítima; absorver sem saber quanto custa é outra coisa.

Como isso muda por tipo de trabalho

O impacto da espera depende de quanto o trabalho depende de sequência.

Projeto por etapas. É o pior caso: cada aprovação atrasada empurra todas as etapas seguintes, e o efeito se multiplica ao longo do cronograma.
Obra com equipe alocada. Aqui a espera custa dinheiro direto, porque a mão de obra estava reservada e o custo corre mesmo parado.
Trabalho com compra de material. A aprovação atrasada pode significar preço novo, e vale dizer isso no aviso da virada.
Serviço com data fixa de terceiro. Evento, publicação, prazo legal. Quando a data não é sua, a espera do cliente pode inviabilizar tudo, e isso precisa ser dito cedo.
Serviço contínuo. É o mais tolerante: a espera de uma entrega é absorvida pelo mês, e a conversa quase não aparece.

O que colocar na proposta

Prazo contado da aprovação

"Sete dias após cada aprovação" em vez de uma data fixa de entrega.

Janela para aprovar

Um prazo do lado dele também, com o que acontece se passar.

Regra de silêncio

O que você faz se não houver resposta: segue, pausa ou reagenda.

Efeito no cronograma

Uma linha dizendo que atraso na aprovação desloca a entrega junto.

Quando o cliente demora sempre

Padrão repetido não se resolve com aviso: se resolve com desenho.

Reduza o número de aprovações. Se ele demora em todas, tenha menos etapas de aprovação e mais autonomia sua no meio do caminho.
Coloque a folga no prazo desde o início. Se a média de resposta dele é de uma semana, o cronograma precisa considerar isso como fato, e não como exceção.
Cobre pela espera, se ela imobiliza recurso. Em obra e em serviço com equipe, previsão de custo por dia parado é cláusula comum e legítima.
Converse sobre o padrão, não sobre o caso. "Nos últimos três trabalhos a aprovação levou dez dias; vamos ajustar o cronograma a isso" é conversa produtiva.
Considere que talvez o problema seja seu. Se todos os clientes demoram, o pedido de aprovação é que está mal feito.

Por que a espera do outro parece maior

Vale entender o mecanismo, porque ele explica por que essa discussão é tão frequente.

Tempo de espera é vivido de forma assimétrica. Quando você aguarda uma resposta, cada dia é contado, porque o trabalho está parado e a lembrança volta várias vezes ao dia. Quando é o cliente que precisa responder, aquele item é um entre vinte na lista dele, e o tempo passa sem que ele registre a passagem. No fim, os dois têm memórias sinceras e incompatíveis do mesmo intervalo: você lembra de onze dias, ele lembra de "responder rápido". Nenhum dos dois está distorcendo nada de propósito.

Existe também o efeito de referência. O cliente ancora na data que foi dita no começo, porque foi a única que ele guardou, e todo o resto do processo é lido a partir dela. As aprovações intermediárias, as trocas de mensagem e os ajustes não formam uma nova referência na cabeça dele, a menos que alguém explicite que a data mudou. É por isso que o aviso da virada funciona tão bem apesar de parecer burocrático: ele não está cobrando nada, está apenas substituindo a âncora antiga por uma nova, no momento em que a mudança acontece e antes que a antiga vire expectativa firme.

Sobre prazo, mora e responsabilidade

Vale conhecer os contornos, sem tratar isto como orientação jurídica.

Em contrato de prestação de serviço, o prazo para o prestador cumprir sua obrigação em regra só começa a correr quando as condições necessárias estão disponíveis, o que inclui informação, aprovação e material que dependem do contratante. Existe na legislação a figura da mora do credor: quando quem contratou deixa de praticar o ato que lhe cabe, o atraso resultante não é imputável a quem presta o serviço. Isso significa que a demora do cliente em aprovar, quando a aprovação é condição para a etapa seguinte, tende a não configurar atraso seu — mas depende de o contrato tornar isso claro e de existir registro de quando cada coisa aconteceu.

É por isso que a documentação importa mais que o argumento. Data de envio, data de resposta e comunicação sobre o deslocamento do prazo formam o conjunto que sustenta a posição de quem prestou o serviço. Cláusula que preveja expressamente a contagem a partir da aprovação, e o efeito da demora sobre o cronograma, é usual e costuma ser aceita sem resistência quando apresentada na proposta. Em contrato com previsão de multa por atraso, essa distinção deixa de ser detalhe e passa a ter valor direto. Como o enquadramento depende do que está escrito e do que se consegue demonstrar, converse com um advogado ao montar o seu modelo de contrato.

Quando vale chamar alguém

Mandar os dois avisos e escrever a regra na proposta é trabalho seu, e resolve quase tudo sozinho.

Vale trazer ajuda para desenhar a proposta e o fluxo de aprovação. Quando o atraso foi seu de verdade, o roteiro é atrasei a entrega e o cliente está esperando. No caso de a alteração vir depois de aprovado, leia cliente pede alteração depois de aprovar.

Como proteger o prazo quando a aprovação do cliente atrasa

  1. Escrever o prazo contado a partir de cada aprovação 'Sete dias após a sua aprovação' muda a conta inteira.
  2. Avisar o novo prazo no momento em que envia para aprovar Recoloca o relógio no lugar certo, sem nenhuma cobrança.
  3. Mandar o aviso da virada no dia em que a aprovação chega Não quando o prazo já estourou.
  4. Não mencionar quantos dias ele demorou O número parece reprovação e desvia a conversa.
  5. Pedir uma coisa só por vez Mensagem com três perguntas vira tarefa, e tarefa é adiada.
  6. Dizer o que acontece se ele não responder O silêncio passa a ter consequência conhecida.
  7. Colocar a data de aprovação dele no cronograma Ele entende que aquilo é parte do trabalho, não cortesia.
  8. Mostrar a linha do tempo com datas, se já aconteceu Datas em sequência dispensam qualquer argumento.
  9. Assumir a falha de não ter avisado antes Reconhecer isso desarma a conversa inteira.
  10. Colocar a folga no cronograma quando o cliente demora sempre Padrão repetido se resolve com desenho, não com aviso.
Cleber Barbosa, consultor de marketing digital em Ribeirão Preto
Autor
Cleber Barbosa
Consultor de Marketing Digital, SEO e Tráfego Pago — Ribeirão Preto, SP

Vinte anos de marketing digital e 43 cases documentados. Trabalho com SEO técnico, tráfego pago, growth hacking e IA aplicada a negócios. Tempo de espera do outro é visível; o próprio, não. Ninguém conta a espera que causou.

Sobre o autor
Perguntas frequentes

Dúvidas sobre prazo e aprovação

Como o prazo deveria estar escrito?

Contado a partir de cada aprovação, não da data de início. "Sete dias após a sua aprovação" muda a conta inteira.

Quando aviso que a data mudou?

No dia em que a aprovação chega, não quando o prazo estoura. É o momento em que a nova conta acabou de existir.

Devo dizer quantos dias ele demorou?

Não. O número parece reprovação e desvia a conversa para a defesa dele, quando o assunto era só a data nova.

Como reduzo a demora?

Peça uma coisa por vez, diga o que acontece se não houver resposta e facilite o sim. Aprovar não deveria exigir três passos.

E se já aconteceu e ele cobra?

Mostre a linha do tempo com datas, assuma que faltou o aviso e proponha um meio-termo. Datas em sequência dispensam argumento.

A demora dele conta como atraso meu?

Quando a aprovação é condição para a etapa, tende a não configurar. Mas depende do contrato e do registro de datas.

O seu prazo conta a partir de quando?

Se a proposta diz uma data fixa, toda espera do cliente já está na sua conta.

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