Meu custo subiu e eu não tive coragem de aumentar o preço

O fornecedor reajustou, o material encareceu, e você absorveu tudo para não perder cliente. Meses depois o volume está igual e a margem sumiu — porque o aumento que não foi repassado não desapareceu, apenas mudou de lugar.

Falar sobre a minha margem
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erros que tornam o repasse pior
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formas de repassar sem perder cliente
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conta que mostra o tamanho real do problema
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aumentos que somem se forem ignorados

A conta que mostra o tamanho real: se a sua margem era de vinte por cento e o custo subiu dez, você não perdeu dez por cento — perdeu metade do lucro. Em margem apertada, um aumento pequeno no custo consome uma fatia enorme do que sobra, e é por isso que absorver "só dessa vez" costuma ser a decisão mais cara do ano.

As três formas de repassar

Aumento direto, comunicado com antecedência. Funciona bem quando existe relação construída e o motivo do aumento é verificável. Avisar com prazo transforma o reajuste em previsibilidade em vez de surpresa desagradável.
Mudança no que está incluso. Mantém-se o mesmo preço e ajusta-se o escopo do que é entregue. Serve quando o cliente é muito sensível ao número e não percebe o detalhe do que mudou.
Repasse gradual em etapas. Dividir o aumento em duas ou três aplicações ao longo de alguns meses reduz bastante o impacto percebido e ainda dá tempo de observar como cada etapa foi recebida.

Os dois erros que pioram o repasse

Esperar demais e aumentar muito de uma vez

Segurar o preço por um ano inteiro e depois reajustar tudo de uma vez choca qualquer cliente. O mesmo total, se tivesse sido aplicado aos poucos, passaria sem nenhuma discussão.

Reduzir a qualidade em silêncio

Trocar por um insumo pior sem avisar ninguém é o tipo de repasse que o cliente acaba descobrindo sozinho, e esse custa a relação inteira.

Não reajustar e cortar

Quem não teve coragem de aumentar o preço acaba cortando em algum outro lugar. O corte silencioso é sempre a consequência do reajuste que foi adiado.

O que corrige

O que corrige é o reajuste pequeno e periódico, sempre comunicado com antecedência. Ele vira rotina previsível em vez de evento traumático.

Como isso muda por tipo de negócio

A facilidade de repassar depende bastante de como o cliente compra.

Comércio com preço de mercado conhecido. Repasse é quase automático quando todo mundo aumenta junto. O risco está em ser o primeiro ou o último a mexer.
Serviço avulso, cliente eventual. Ele não lembra o preço anterior. Aqui o reajuste passa sem ruído e muita gente segura o preço sem necessidade.
Contrato mensal continuado. O cliente vê o valor todo mês e compara. Exige previsão contratual e aviso, e é onde o adiamento mais custa.
Venda para empresa com compra recorrente. Existe processo de aprovação e orçamento anual. Avisar com antecedência maior é o que evita a recusa automática.
Produto próprio sem referência de comparação. A margem de manobra é a maior de todas, e paradoxalmente é onde muita gente menos ajusta.

Por que o cliente eventual quase nunca reclama: ele contratou uma vez há oito meses e não guardou o valor. Quem lembra do preço antigo é você. Em serviço com baixa recorrência, o reajuste que parece arriscado costuma passar sem nenhuma reação — e a hesitação em aplicá-lo vem de um medo que existe só do lado de quem vende.

O momento certo de aplicar

A data escolhida afeta a aceitação tanto quanto o percentual.

Depois de entregar algo bem feito. Cliente satisfeito com o último trabalho recebe o reajuste de outro jeito. Aplicar logo após um problema é a pior escolha possível.
Junto com alguma melhoria, quando houver. Não precisa ser grande. Um ganho concreto anunciado junto muda a leitura do aumento.
Evite o período mais apertado do cliente. Se você conhece a sazonalidade dele, reajustar no pior mês convida à recusa.
Início de ano ou de ciclo é natural. Data que já é marco de renovação torna o reajuste esperado em vez de arbitrário.
Não espere o desespero. Reajuste feito quando o caixa já apertou sai apressado, mal comunicado e frequentemente maior que o necessário.

Se você tem equipe atendendo

O reajuste chega ao cliente pela boca de quem atende, não pela sua.

Explique o motivo à equipe antes

Quem não entende o porquê pede desculpa pelo aumento, e o cliente percebe a insegurança.

Dê a resposta pronta para a objeção

Todo mundo vai ouvir a mesma reclamação. Ter a resposta combinada evita improviso e desconto não autorizado.

Defina quem pode negociar e até onde

Sem limite claro, cada atendente concede o que acha razoável e o reajuste vira ficção.

Ouça o retorno de quem está na frente

Eles sabem antes de você se a reação foi maior que o esperado.

Quando o aumento vem de um fornecedor só

Depender de uma fonte muda completamente a posição de negociação.

Descubra se o aumento é do setor ou dele. Cotar dois concorrentes responde isso em uma tarde e muda o tom da conversa seguinte.
Peça o motivo por escrito. Fornecedor que não consegue justificar costuma ter margem para negociar. O que tem razão real explica sem problema.
Negocie prazo em vez de preço. Quando o valor não cede, mais dias para pagar melhora o caixa e vale quase o mesmo.
Comece a construir a segunda opção agora. Não para trocar hoje, e sim para não estar sem alternativa no próximo aumento.
Cuidado com a troca por preço apenas. Fornecedor mais barato que atrasa ou entrega pior custa mais que a diferença economizada.

O medo de perder cliente

A perda estimada é sempre maior que a real

Quem imagina perder metade costuma perder poucos. Vale testar antes de decidir com base no medo.

Faça a conta da compensação

Se o reajuste é de dez por cento, perder até uma parcela dos clientes ainda deixa você melhor. O número exato sai da margem.

Teste com um grupo primeiro

Aplicar em parte da base e observar por um mês custa pouco e substitui suposição por dado.

Cliente sem margem não é cliente

Manter quem só fica no preço antigo ocupa capacidade que poderia atender quem paga o justo.

Quando o repasse não é possível

Existem situações em que aumentar o preço não é opção, e há saídas.

Contrato travado até o vencimento. Não dá para mexer agora, e dá para preparar a renovação com antecedência e cláusula corrigida.
Mercado com preço padronizado. Se ninguém consegue subir, a saída é custo e mix, não preço. Vale focar onde há margem melhor.
Concorrência agressiva de curto prazo. Segurar por um período definido é decisão legítima, desde que com data para revisar e não indefinidamente.
Cliente único que sustenta o negócio. Aqui o risco é real. Ainda assim, a conversa sobre custo precisa acontecer antes de a margem sumir.
Quando nada disso resolve. Se o preço não sobe e o custo não cai, o produto pode ter deixado de fazer sentido. É uma resposta desconfortável e às vezes é a certa.

Por onde começar

Liste o que subiu no último ano. Com os valores antigos e os de hoje, lado a lado.
Refaça a margem do que você mais vende. Só desse item. O resultado costuma bastar para decidir.
Escolha o percentual e a data. Preferindo etapas menores a um reajuste único.
Escreva a comunicação antes de enviar. Motivo, percentual, novo valor e data de início.
Marque a próxima revisão no calendário. Para que a próxima não seja um evento traumático.

Como refazer a conta antes de decidir

Meia hora de planilha define o tamanho e a urgência do reajuste.

Liste tudo que subiu nos últimos doze meses. Insumo, frete, energia, aluguel, software, mão de obra. O acúmulo de todos eles costuma ser bem maior que o único aumento de que você se lembra.
Calcule o custo atual de um item ou serviço típico. Com os valores de hoje, não com a planilha do ano passado.
Compare com o preço que você pratica. A diferença é a margem real, e ela costuma ser menor que a margem imaginada.
Veja quanto falta para voltar ao patamar anterior. Esse é o reajuste necessário, e ele é diferente do aumento que o fornecedor aplicou.
Repita por linha de produto ou serviço. Frequentemente uma parte do que você vende está no prejuízo e outra sustenta o resto.

O que a conta por linha costuma revelar: não é o negócio inteiro que perdeu margem, e sim alguns itens específicos. Muitas vezes o produto mais vendido é justamente o de margem pior, porque o preço dele foi definido há anos e nunca revisado. Descobrir isso muda a decisão: em vez de um reajuste geral que assusta todo mundo, corrige-se onde o problema está, e o cliente que compra o resto nem percebe.

Como comunicar o reajuste

Avise antes, nunca na fatura

Descobrir o aumento na hora de pagar gera reação desproporcional. Comunicado com semanas de antecedência, vira informação.

Diga o motivo sem se desculpar

Explicar o que subiu é informação legítima. Pedir desculpa sugere que o reajuste é um favor que você está cobrando.

Seja específico no número

Percentual e novo valor, com data de início. Vagueza gera mais ansiedade que o próprio aumento.

Reforce o que continua

Lembrar o que o cliente recebe recoloca o preço em contexto e reduz a sensação de perda.

O que fazer com quem reclama

Uma parte vai reclamar, e a resposta define o desfecho.

Ouça antes de negociar. Às vezes a objeção é o momento, não o valor. Adiar o início resolve sem mexer no preço.
Não volte atrás na primeira resistência. Recuar ensina que o próximo reajuste também é negociável, e cria um cliente que sempre vai testar.
Ofereça alternativa em vez de desconto. Escopo menor pelo preço antigo mantém a coerência e dá saída ao cliente sem custar sua margem.
Aceite perder alguns. Cliente que só fica no preço antigo estava consumindo margem. A saída dele melhora o resultado.
Registre quem saiu e por quê. Se a perda for muito acima do esperado, o problema pode ser a comunicação e não o valor.

Como evitar o próximo aperto

O problema volta se o preço continuar sendo definido uma vez e esquecido.

Marque uma revisão anual no calendário. Data fixa transforma reajuste em rotina previsível, para você e para o cliente.
Preveja reajuste em contrato continuado. Periodicidade e critério definidos evitam a negociação constrangedora a cada ciclo.
Acompanhe os custos que mais pesam. Não precisa ser tudo: os três ou quatro maiores explicam quase toda a variação.
Ajuste a validade dos orçamentos. Proposta com validade longa em período de custo instável vira prejuízo contratado.
Reveja o preço de tabela junto com o custo. Se um muda e o outro não, a defasagem se acumula silenciosamente.

O que fazer antes de recorrer ao aumento

Nem toda pressão de custo se resolve pelo preço.

Negocie com o fornecedor. Volume, prazo de pagamento, retirada no local. Muita gente aceita o primeiro valor sem tentar.
Cote alternativas. Não necessariamente para trocar, e sim para saber o mercado. Quem conhece a faixa negocia melhor.
Reveja o desperdício. Sobra, retrabalho, compra emergencial. Frequentemente há mais margem aqui que no reajuste.
Corte o que não é percebido. Embalagem excessiva, item que ninguém usa. Reduzir o invisível é preferível a reduzir o essencial.
Some tudo antes de decidir o percentual. Se a negociação e o corte cobriram parte, o reajuste necessário fica menor e mais fácil de aplicar.

Sobre reajuste em contrato

Quando existe contrato, as regras mudam e vale conhecê-las.

Contrato de prestação continuada costuma prever periodicidade mínima de reajuste e um índice de referência. Onde isso está definido, o aumento aplicado dentro do combinado não depende de nova negociação — basta comunicar. Onde não está, qualquer alteração é modificação contratual e precisa de concordância da outra parte.

Por isso vale incluir cláusula de reajuste em todo contrato longo, com periodicidade e critério objetivo. Não é rigidez: é o que evita a conversa desconfortável a cada ano e protege os dois lados de uma defasagem que, acumulada, acaba inviabilizando a relação. Em contratos com consumidor há regras específicas sobre a forma e a comunicação da alteração, e vale confirmar o que se aplica ao seu caso antes de aplicar o reajuste.

Refazer a conta e comunicar o reajuste

Refazer a conta de margem e definir a política de reajuste é trabalho de planilha, e ele sozinho já mostra o tamanho do problema.

Vale trazer ajuda quando o preço precisar ser sustentado por posicionamento, e não por explicação. Na dúvida sobre o valor certo, o método está em revisar o valor que você cobra. Quando a queda vem do calendário, o caso está em atravessar os meses fracos. E para saber se o investimento em divulgação se paga, a conta está em não sei calcular se o marketing se paga.

Como repassar aumento de custo sem perder cliente

  1. Listar tudo que subiu nos últimos doze meses O acúmulo costuma ser bem maior que o aumento lembrado.
  2. Calcular o custo atual de um item ou serviço típico Com os valores de hoje, não com a planilha do ano passado.
  3. Comparar com o preço praticado para achar a margem real Ela costuma ser menor que a margem imaginada.
  4. Refazer a conta por linha de produto ou serviço Frequentemente uma parte está no prejuízo e outra sustenta o resto.
  5. Negociar com o fornecedor antes de decidir o percentual Volume, prazo e retirada no local costumam render desconto.
  6. Revisar desperdício, retrabalho e compra emergencial Às vezes há mais margem aqui que no reajuste.
  7. Aplicar o aumento em etapas em vez de uma vez só O mesmo total dividido passa quase sem discussão.
  8. Comunicar com semanas de antecedência, nunca na fatura Descobrir na hora de pagar gera reação desproporcional.
  9. Informar percentual, novo valor e data de início Vagueza gera mais ansiedade que o próprio aumento.
  10. Marcar uma revisão anual de preço no calendário Data fixa transforma reajuste em rotina previsível.
Cleber Barbosa, consultor de marketing digital em Ribeirão Preto
Autor
Cleber Barbosa
Consultor de Marketing Digital, SEO e Tráfego Pago — Ribeirão Preto, SP

Vinte anos de marketing digital e 43 cases documentados. Trabalho com SEO técnico, tráfego pago, growth hacking e IA aplicada a negócios. O aumento que você não repassa não some: ele vira menos lucro, menos investimento e, alguns meses depois, menos qualidade — que é o repasse que ninguém escolheu fazer.

Sobre o autor
Perguntas frequentes

Dúvidas sobre repassar aumento

Qual o tamanho real do problema?

Se a margem era de vinte por cento e o custo subiu dez, você perdeu metade do lucro, não dez por cento. Em margem apertada o impacto é sempre maior que parece.

Vou perder clientes se aumentar?

Alguns sim, e menos do que se imagina. Reajuste pequeno e comunicado com antecedência costuma passar sem reação relevante.

É melhor aumentar de uma vez ou aos poucos?

Aos poucos. O mesmo total dividido em etapas ao longo de meses passa quase sem discussão; concentrado num reajuste único, choca.

Posso reduzir o que entrego em vez de aumentar?

Pode, desde que comunicado. Reduzir em silêncio é o repasse que o cliente descobre sozinho, e ele custa a relação inteira.

Preciso avisar com quanta antecedência?

Em contrato continuado, verifique o que foi acordado sobre prazo e índice. Onde não há previsão, avisar com semanas evita conflito.

E se o cliente pedir para manter o preço antigo?

Manter para um cliente e reajustar os outros cria um problema quando isso circula. Se ceder, que seja com prazo definido e motivo claro.

Faturando igual e sobrando menos?

Quando o volume não caiu e o dinheiro sumiu, o problema quase sempre é margem.

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