Não sei calcular se o marketing se paga

Você investe todo mês e a resposta sobre o retorno é sempre vaga. A conta existe, é mais simples do que parece — e a maior parte das operações não a faz porque nunca teve os dois números que ela exige.

Falar sobre os meus números
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números que a conta exige
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retornos avaliados só pelo primeiro pedido
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custos que ninguém soma
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erro que distorce todo o cálculo

O erro que distorce todo o cálculo: comparar o investimento com o faturamento em vez da margem. Se você gastou mil reais e vendeu três mil, o retorno não é o triplo — é o que sobrou desses três mil depois de todos os custos. Em operação de margem apertada, campanhas que pareciam lucrativas se revelam empatadas ou negativas quando a conta é refeita corretamente.

Os dois números que a conta exige

Quanto custa conquistar um cliente. Tudo o que foi investido no período dividido pelo número de clientes novos conquistados. É uma divisão simples, e quase nenhuma operação pequena a calcula.
Quanto um cliente deixa de margem. Não o que ele paga — o que sobra depois dos custos de entregar. E não apenas o que sobra na primeira compra: o que ele deixa ao longo de todo o relacionamento com você.
A comparação entre os dois. Se a margem que aquele cliente deixa supera o custo de conquistá-lo, o marketing se paga. Se não supera, nenhum aumento de volume corrige o problema.

Os três custos que ninguém soma

O seu tempo

Horas de produção, atendimento a contatos e acompanhamento. Se você mesmo faz todo esse trabalho, o custo não é zero de forma alguma — é o valor das horas que deixaram de ser vendidas a clientes.

As ferramentas

Hospedagem, sistema, assinaturas. São valores individualmente pequenos que, somados ao longo do mês, representam uma parcela relevante do investimento total.

O custo de atender

Contato que chega consome tempo mesmo quando não fecha. Em operação que exige muita conversa para cada venda fechada, esse custo acaba pesando mais que a própria verba de anúncio.

Por que isso importa

Ignorar completamente esses três itens faz uma campanha parecer lucrativa quando ela está apenas empatando. Uma conta honesta costuma mudar decisões importantes.

A conta aplicada a três casos

Números redondos para ilustrar como a mesma lógica muda de conclusão.

Serviço local de ticket médio. Investimento de mil no trimestre, dez clientes novos, custo de cem por cliente. Se cada um deixa quatrocentos de margem e metade volta uma vez, a conta fecha com folga larga.
Comércio de margem apertada. Mesmos mil investidos, vinte clientes, custo de cinquenta. Parece melhor — mas se a margem por venda é quarenta e ninguém volta, o canal dá prejuízo apesar do custo menor.
Serviço recorrente. Investimento de três mil, três clientes novos, custo de mil cada. Parece caro — mas se cada um fica dois anos deixando margem mensal, o retorno é grande e demora a aparecer.
O que os três mostram. Custo por cliente sozinho não diz nada. Ele só faz sentido comparado à margem total daquele cliente, e é por isso que negócios diferentes suportam custos muito diferentes.

A conclusão que a conta costuma produzir: quem tem serviço recorrente ou boa recompra pode pagar bem mais caro por cliente do que imagina — e frequentemente está deixando de crescer por achar caro um canal que fecha com folga. Quem tem venda única de margem apertada descobre o contrário, e economiza anos de investimento que não se pagaria.

Como atribuir cliente à origem

Sem isso, a conta é feita no escuro. E a solução mais eficaz é a mais simples.

Pergunte a todo mundo que chega. "Como você chegou até aqui?" resolve a maior parte do problema em operação pequena, e captura o que nenhuma ferramenta registra.
Anote a resposta em algum lugar fixo. Planilha, caderno, campo no sistema. Perguntar sem registrar não produz conta nenhuma no fim do trimestre.
Aceite respostas imprecisas. "Vi na internet" é vago e ainda assim útil. Com o tempo o padrão aparece mesmo com respostas imperfeitas.
Use números de contato separados, se possível. Um para o anúncio, outro para o site. Separa a origem sem depender da memória de quem chega.
Não confie apenas no painel. Ferramenta registra o último clique e ignora a conversa que começou em outro lugar. Perguntar corrige o que ela não vê.

Os erros de leitura mais caros

Avaliar mês a mês

Um mês ruim depois de dois bons não indica nada. Decisão tomada sobre trinta dias costuma desligar o que estava funcionando.

Creditar tudo ao último clique

O canal que fechou recebe o crédito do que outros construíram. Desativar o que "não converte" derruba junto o que trazia.

Ignorar quem não fechou

Contato que não virou cliente consumiu tempo e verba. Ele pertence à conta mesmo sem ter gerado receita.

Comparar com número de terceiros

Retorno de outro setor, outro porte e outra margem não serve de referência. O único parâmetro útil é a sua própria evolução.

Com que frequência refazer

Nem toda hora, e nem uma vez só.

O custo por cliente, a cada trimestre. É o indicador que mais se move e o que orienta realocação de verba.
O valor do cliente, uma vez por ano. Muda devagar, mas muda. Preço reajustado e recompra diferente alteram a conclusão.
Sempre que mudar algo relevante. Preço novo, canal novo, mudança grande de custo. A conta anterior deixou de valer.
Antes de aumentar investimento. Dobrar verba sobre conta desatualizada é a forma mais rápida de multiplicar um prejuízo.
Guarde o histórico. A comparação entre trimestres vale mais que qualquer número isolado, porque mostra direção.

Quando a conta boa esconde um problema

Retorno positivo nem sempre significa que está tudo certo.

Volume baixo demais

Canal com ótimo retorno que traz dois clientes por trimestre não sustenta o negócio. Eficiente e irrelevante ao mesmo tempo.

Concentração em um canal só

Retorno excelente vindo de uma única fonte é risco disfarçado de resultado. Mudança de regra ou de algoritmo derruba tudo junto.

Cliente que não se sustenta

Se a conta fecha na primeira venda e o cliente reclama ou cancela depois, o número está certo e o negócio está errado.

Capacidade no limite

Não adianta retorno bom se não há como atender mais gente. Aí a prioridade é capacidade ou preço, não investimento.

O número que resume tudo

Se for para acompanhar um só, existe um candidato claro.

A relação entre o que um cliente deixa de margem e o que custou conquistá-lo. Quando ela está subindo, a operação está ficando mais eficiente — seja porque o custo caiu, seja porque o cliente passou a valer mais. Quando cai, algo mudou e vale investigar antes que a margem desapareça.

Esse único número substitui boa parte dos relatórios longos que ninguém lê. E ele tem a vantagem de ser calculável em qualquer operação, inclusive nas que não têm nenhuma ferramenta de medição instalada — bastam o extrato do que foi gasto e a contagem de clientes novos.

Como calcular o custo por cliente

Meia hora com os números do último trimestre resolve.

Some tudo o que foi investido no período. Verba de anúncio, mensalidade paga a fornecedor, assinaturas de ferramentas, e também o valor das suas próprias horas dedicadas ao assunto.
Conte os clientes novos do mesmo período. Conte apenas os que são realmente novos — quem já era cliente e voltou a comprar entra em uma conta separada.
Divida um pelo outro. O resultado é quanto custou cada cliente novo. Esse é justamente o número que quase nenhuma operação pequena conhece com precisão.
Use trimestre, não mês. Um único mês tem variação demais para conseguir dizer alguma coisa útil. Um período de três meses suaviza tanto a sazonalidade quanto a demora natural entre investir e efetivamente vender.
Repita separando por canal, se possível. O custo médio esconde que um canal traz barato e outro caro. Separar por canal é justamente o que permite realocar a verba com segurança.

A defasagem que confunde a conta: o que você investe em janeiro pode gerar cliente em março, especialmente em canal de construção como busca e conteúdo. Dividir o gasto do mês pelos clientes do mesmo mês subestima o retorno no começo e superestima quando o investimento para. Usar períodos maiores reduz bastante essa distorção.

Como calcular quanto o cliente vale

É o número que mais muda a conclusão, e o mais ignorado.

Comece pela margem da primeira venda. Preço cobrado menos todo o custo direto de entregar aquilo: material, tempo aplicado, deslocamento e comissão. Nunca o preço cheio.
Some as compras seguintes. Quantas vezes um cliente costuma voltar, e com que margem. Em qualquer serviço recorrente, é exatamente nessas compras seguintes que está quase todo o valor do cliente.
Considere as indicações. Se cada dez clientes trazem dois por indicação, o valor real de cada um é maior que o próprio consumo.
Use a média, não o melhor caso. Calcular tudo com base naquele cliente excepcional produz um número bonito no papel e completamente inútil para decidir qualquer coisa.
Refaça uma vez por ano. Preço muda, custo muda, comportamento de recompra muda. Um número calculado há muito tempo acaba sustentando decisão errada por meses.

Como interpretar o resultado

Se a margem cobre o custo com folga

O canal funciona e comporta mais investimento. É o momento de aumentar aos poucos, observando se o custo por cliente se mantém.

Se cobre por pouco

Funciona e é frágil. Qualquer aumento de custo ou queda de conversão inverte o sinal. Vale melhorar conversão antes de aumentar verba.

Se não cobre

Volume não corrige margem negativa. As saídas são reduzir o custo de aquisição, aumentar o preço ou trocar de canal.

Se o número parecer absurdo

Provavelmente algum dado está errado. Refazer com cuidado antes de tomar decisão grande evita erro caro nos dois sentidos.

O que fazer quando a conta não fecha

Existem quatro correções, e vale tentar antes de abandonar o canal.

Melhorar a conversão. Se um em cada dez contatos fecha e passar a fechar dois, o custo por cliente cai pela metade sem investir um real a mais.
Aumentar o valor do cliente. Preço maior, serviço adicional, recorrência. Muda o outro lado da conta e frequentemente é mais fácil que baixar o custo.
Reduzir o desperdício. Público errado, termo amplo, contato que nunca poderia contratar. Cortar isso reduz custo sem reduzir resultado.
Trocar de canal. Se o custo é estrutural do canal, insistir não resolve. Vale testar onde o custo de aquisição é menor.
Aceitar que aquele canal não serve. Desfecho legítimo. Descobrir isso com número é bem melhor que descobrir depois de dois anos investindo.

Como isso muda por tipo de negócio

Serviço recorrente. O valor do cliente é muito maior que a primeira venda, e isso permite custo de aquisição alto. Calcular só a primeira mensalidade leva a abandonar canal que funcionava.
Venda única de valor alto. Um cliente pode pagar meses de investimento. A conta precisa de período longo para não oscilar demais.
Ticket baixo e alto volume. Margem por cliente pequena exige custo de aquisição muito baixo. É onde mais canal se revela inviável na conta.
Serviço local com indicação forte. Parte relevante do retorno vem de clientes trazidos por clientes. Ignorar isso subestima bastante o resultado real.
Negócio sazonal. Investimento e venda acontecem em momentos diferentes do ano. A conta só faz sentido no ciclo completo.

Sobre canais que não se medem bem

Nem tudo entra na conta com a mesma precisão, e vale reconhecer isso.

Conteúdo, reputação e presença de marca produzem efeito difuso: ajudam a converter o que veio de outro canal, aparecem meses depois e frequentemente não recebem o crédito. Medir esses pelo mesmo critério do anúncio costuma levar à conclusão errada de que não funcionam.

O que ajuda é olhar o conjunto: se o custo médio de aquisição do negócio inteiro está caindo ao longo dos trimestres, algo está funcionando mesmo que a atribuição individual não mostre. E se está subindo com o mesmo investimento, existe um problema a investigar mesmo que cada canal pareça bem isoladamente.

Fechar a conta com contador e dados

Levantar os dois números e refazer a conta com a margem correta é trabalho de uma tarde, e depende de informação que só você tem sobre custo e entrega.

Vale trazer ajuda para montar a medição que atribui cliente à origem, que é a parte técnica do problema. Se a dúvida for quais indicadores acompanhar, o roteiro está em não sei quais métricas importam. Se você já paga por serviço e não consegue avaliar, o método está em pago todo mês e não sei se funciona. Na dúvida sobre entre investir em divulgação ou em outra coisa, a ordem está em onde investir a sobra do caixa. Sobre o prazo até o retorno aparecer, o roteiro está em quanto tempo até dar resultado.

Para o caso específico de patrocínio local, leia vale patrocinar um time ou evento.

Como calcular o retorno do investimento em marketing

  1. Somar tudo o que foi investido no trimestre Verba, ferramentas, mensalidades e o valor das suas horas.
  2. Contar apenas os clientes novos do mesmo período Quem já era cliente e voltou entra em outra conta.
  3. Dividir um pelo outro para achar o custo por cliente O número que quase nenhuma operação pequena conhece.
  4. Calcular a margem da primeira venda, não o preço cheio Preço menos material, tempo, deslocamento e comissão.
  5. Somar as compras seguintes e as indicações geradas Em serviço recorrente é onde está quase todo o valor.
  6. Comparar a margem total do cliente com o custo de conquistá-lo Se a margem supera com folga, o marketing se paga.
  7. Usar trimestre em vez de mês Um mês tem variação demais para dizer alguma coisa.
  8. Separar o cálculo por canal sempre que possível A média esconde que um traz barato e outro caro.
  9. Se não fechar, melhorar conversão antes de abandonar o canal Dobrar a taxa corta o custo por cliente pela metade.
  10. Refazer a conta uma vez por ano Preço, custo e comportamento de recompra mudam.
Cleber Barbosa, consultor de marketing digital em Ribeirão Preto
Autor
Cleber Barbosa
Consultor de Marketing Digital, SEO e Tráfego Pago — Ribeirão Preto, SP

Vinte anos de marketing digital e 43 cases documentados. Trabalho com SEO técnico, tráfego pago, growth hacking e IA aplicada a negócios. Prefiro que o cliente faça a conta com a margem real, mesmo quando ela mostra que o canal não fecha — porque o número errado sustenta decisão ruim por anos.

Sobre o autor
Perguntas frequentes

Dúvidas sobre retorno de marketing

Como calculo se o marketing se paga?

Com dois números: quanto custa conquistar um cliente e quanto ele deixa de margem ao longo do relacionamento. Se o segundo supera o primeiro, se paga.

Uso faturamento ou margem?

Margem, sempre. Comparar investimento com faturamento é o erro que mais distorce a conta — campanhas que pareciam lucrativas se revelam empatadas quando refeitas corretamente.

O que devo somar no investimento?

Verba, ferramentas, o seu tempo e o custo de atender contatos que não fecham. Ignorar esses três últimos faz campanha empatada parecer lucrativa.

Considero só a primeira compra?

Não, e esse é um erro comum. Cliente que volta ou indica vale muito mais que o primeiro pedido, e canais que pareciam caros ficam viáveis com essa correção.

E se eu não souber de onde vieram os clientes?

Comece perguntando a cada um que chegar. É a medição mais simples que existe, não custa nada e resolve a maior parte do problema em operação pequena.

Qual retorno é considerado bom?

Depende do setor, da margem e do ciclo. O critério útil não é comparar com o mercado — é saber se, no seu caso, a margem do cliente cobre o custo de conquistá-lo com folga.

Não consegue atribuir cliente à origem?

Medição bem montada é o que transforma impressão em decisão baseada em número.

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