Pago todo mês e não sei se está funcionando

O relatório chega, tem gráficos, os números sobem — e você continua sem saber se aquilo virou cliente. A dúvida não é de confiança: é de não ter estabelecido, no começo, o que seria considerado resultado.

Falar sobre esse investimento
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número que precisa estar no relatório
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perguntas para a reunião mensal
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sinais de que não vai dar certo
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relatórios de atividade que dizem algo

A diferença que resolve metade dos casos: relatório de atividade lista o que foi feito; relatório de resultado mostra o que mudou. "Publicamos oito conteúdos e otimizamos doze páginas" é o primeiro. "Os contatos vindos de busca passaram de quatro para nove por mês" é o segundo. Quem recebe só o primeiro não tem como avaliar nada — e não é por falta de competência para ler.

As quatro perguntas da reunião mensal

Elas transformam trinta minutos de apresentação de gráficos em conversa útil, e nenhuma exige conhecimento técnico.

"Quantos contatos vieram deste canal no mês?" É o número que liga o trabalho ao negócio. Se ele não existe, não há como avaliar nada — e estabelecer a medição vira a prioridade da reunião.
"O que os números mostram que a gente não esperava?" Convida à análise em vez do relato. Fornecedor que só apresenta exatamente o que era esperado não está olhando os dados de verdade — está preenchendo um modelo de relatório que já existia antes de o mês começar.
"O que muda no mês que vem por causa disso?" Liga a leitura à decisão. Se a resposta for igual todo mês, o trabalho virou rotina desconectada do que está sendo observado.
"O que ainda não deu resultado e por quê?" É a pergunta mais reveladora das quatro. Fornecedor que nunca menciona nada que não funcionou está selecionando o que mostra, porque em trabalho real parte do que se tenta não dá certo.

Por que essas perguntas funcionam melhor que exigir mais dados: pedir relatório mais detalhado costuma produzir relatório maior e igualmente inútil. As quatro perguntas mudam o que se conversa, e a conversa é onde a informação realmente aparece.

Os três sinais de que não vai dar certo

O relatório nunca menciona negócio

Só métricas de canal, mês após mês, sem nenhuma tentativa de ligar a contato ou venda. Indica que ninguém está olhando para o que importa ao cliente.

Nada nunca deu errado

Em qualquer trabalho real, parte do que se tenta não funciona. Relatório sempre positivo é seleção, não desempenho.

As perguntas geram desconforto

Fornecedor competente responde as quatro perguntas sem hesitar, mesmo quando a resposta é ruim. Resistência ou irritação diante delas é informação.

O que fazer com esses sinais

Nenhum isolado significa incompetência. Os três juntos, por dois ou três meses, indicam que a relação não vai produzir o que você espera.

Como ler um relatório sem ser técnico

Não é preciso entender cada métrica. Três leituras bastam para saber se o documento diz alguma coisa.

Procure a comparação. Número sozinho não informa. "1.200 visitas" só significa algo ao lado de "eram 800 no mesmo mês do ano passado". Relatório sem comparação está mostrando volume, não desempenho.
Procure a explicação de por que mudou. Subiu ou caiu por quê? Se o documento apresenta variação sem causa, ninguém investigou — apenas exportou.
Procure a decisão. O que será feito diferente por causa daquilo. Relatório que termina sem consequência é registro, não instrumento de gestão.
Ignore o resto. Gráfico bonito, métrica que você não reconhece, comparativo de setor. Se as três leituras acima não estão lá, o volume de páginas não compensa.

O pedido que resolve sem conflito: "pode me mandar um resumo de três linhas junto com o relatório — o que mudou, por quê, e o que vem agora?" É simples de atender, funciona como filtro de qualidade, e fornecedor que resiste a resumir em três linhas normalmente não tem as três linhas.

O que se cobra de cada tipo de fornecedor

Cobrar a coisa errada gera conflito desnecessário e desperdiça a relação.

Quem gerencia anúncio

Custo por contato, quantos contatos, qualidade deles. É o mais mensurável de todos e deve ser cobrado com números desde o primeiro mês.

Quem faz presença em busca

Nos primeiros meses: correções feitas, páginas publicadas, evolução de posição. A partir do sexto: contatos vindos de busca. Cobrar contato no segundo mês é cobrar o impossível.

Quem produz conteúdo

Volume combinado, aderência ao público e ao tom, e — depois de alguns meses — se aquelas páginas trazem gente. Qualidade sem alcance é entrega incompleta.

Quem cuida de rede social

É o mais difícil de ligar a resultado. Vale combinar antes o que se espera: alcance, comunidade, ou contato. Sem essa definição, a avaliação vira discussão de gosto.

O caso do fornecedor que entrega e não comunica

Situação frequente e que costuma terminar em troca desnecessária: o trabalho está sendo bem feito e você não fica sabendo.

Reconheça pelos sinais indiretos. O site melhorou, o conteúdo é bom, aparece coisa nova acontecendo. Se há execução visível e comunicação ruim, o problema é de relato.
Peça o formato, não mais esforço. "Prefiro receber três linhas por mês a um documento de vinte páginas" é um pedido fácil de atender e muda a relação.
Marque a reunião, se ela não existe. Muito fornecedor técnico não propõe encontro porque acha que está incomodando. Trinta minutos por mês resolvem anos de ruído.
Não confunda silêncio com inatividade. Trocar alguém que entrega bem e comunica mal por alguém que apresenta bem e entrega menos é um erro caro, comum, e que só fica visível seis meses depois.

Quando o resultado veio e você não percebeu

Acontece mais do que parece, e a causa é sempre a mesma: ninguém registrou a origem dos clientes.

O faturamento subiu, a agenda encheu, e como não há registro de como cada pessoa chegou, o mérito fica sem dono. Nesses casos o fornecedor não consegue provar o que fez, você não consegue avaliar, e a decisão de manter ou encerrar é tomada por impressão.

A correção que custa nada

Perguntar a todo cliente novo como chegou até você, e anotar a resposta em algum lugar. Trinta dias de registro já mudam completamente a qualidade da conversa mensal com qualquer fornecedor.

Por que é responsabilidade sua

O fornecedor enxerga o que acontece no canal dele. Só você enxerga quem virou cliente — e é o cruzamento dos dois que produz avaliação real.

O que fazer com respostas vagas

"Achei na internet" precisa de uma segunda pergunta: procurando o quê, ou alguém indicou? A resposta detalhada é que separa canal de indicação.

O efeito colateral positivo

Esse registro também revela qual canal traz o cliente melhor, não só o mais barato — informação que nenhum relatório de fornecedor contém.

Quando é cedo demais para cobrar resultado

Parte da frustração vem de expectativa mal calibrada, e a responsabilidade por isso é dividida.

Anúncio: dias. Se o canal é pago e não há contato em duas ou três semanas, algo está errado. É o único trabalho com retorno rápido o suficiente para ser cobrado cedo.
Correções técnicas de site: semanas a poucos meses. Velocidade, indexação, estrutura. O efeito aparece em métrica de canal antes de aparecer em contato.
Conteúdo e presença em busca: seis a doze meses. Cobrar contato no terceiro mês é cobrar o que não podia ter acontecido ainda — e a resposta honesta do fornecedor é essa.
O que dá para avaliar antes do prazo. Se o que foi combinado está sendo feito, se as decisões têm justificativa, e se os indicadores intermediários se movem. Não é resultado, e é o que existe.

A pergunta que deveria ter sido feita na contratação: em quanto tempo eu saberia que não está funcionando? Quem não perguntou isso no início acaba avaliando por sensação e no prazo errado. Nunca é tarde para fazer a pergunta — a resposta define o que cobrar e quando.

O que você precisa entregar ao fornecedor

Boa parte das contratações que não rendem falha do lado do cliente, e isso raramente é dito.

Informação sobre o negócio

Quem é o cliente bom, o que ele pergunta, o que faz fechar e o que faz desistir. Nenhum fornecedor descobre isso sozinho, e sem essa base o trabalho sai genérico.

Retorno sobre o que foi produzido

Aprovar sem ler não é retorno. Material que sai errado porque ninguém revisou custa o mesmo que material que sai certo.

Acesso ao que ele precisa

Dados de contato recebidos, resultado das propostas, o que virou cliente. Sem isso, o fornecedor otimiza para métrica de canal porque é a única que enxerga.

Decisão em tempo razoável

Aprovação que demora semanas atrasa o cronograma inteiro. É a causa mais comum de atraso atribuído ao fornecedor.

A conta honesta

Se você não consegue dedicar pelo menos uma ou duas horas por mês a alimentar quem executa com informação sobre o negócio, o resultado provavelmente vai ficar bem abaixo do que seria possível — e a causa disso não será o fornecedor, por mais competente ou incompetente que ele seja. Vale saber disso antes de contratar, e vale revisar quando o resultado decepciona.

Como encerrar, se for o caso

Chegando à conclusão de que não vai funcionar, a forma de encerrar tem consequência prática.

Diga o motivo, com clareza. Fornecedor que não sabe por que perdeu o cliente não corrige nada, e você perde a chance de ele reagir com uma proposta melhor.
Transfira os acessos antes de encerrar. Com o contrato ativo, o pedido é obrigação. Depois do encerramento, vira favor — e a recuperação pode levar semanas.
Peça o que você pagou e não é acesso. Arquivos, materiais produzidos, relatórios históricos, senhas de ferramentas contratadas em seu nome.
Documente o estado atual antes da saída. Números do momento, o que estava em andamento, o que ficou pela metade. É o que permite ao próximo entender onde está pegando.
Não contrate o próximo com pressa. Trocar rápido, por reação, tende a reproduzir o mesmo erro de avaliação que produziu a contratação anterior.

Antes de trocar, considere isto

Trocar de fornecedor tem custo que costuma ser subestimado, e vale pesar contra a alternativa de corrigir a relação atual.

O custo de recomeçar

O novo fornecedor leva de dois a três meses para entender o negócio. Nesse período o trabalho anda devagar, e você paga por isso.

O que pode ser corrigido conversando

Relatório que não serve, foco errado, falta de conexão com o negócio. São coisas que uma conversa franca resolve com frequência maior do que se imagina.

O que não se corrige

Falta de competência técnica, ausência de método, resistência a prestar contas. Esses não melhoram com conversa, e insistir custa meses.

A conversa que vale tentar

Apresentar as quatro perguntas como o formato que você quer daqui em diante, e dar dois ou três meses. A reação a esse pedido diz quase tudo.

Se o problema for o preço e não o resultado

Situação diferente e comum: o trabalho está sendo feito, o resultado existe, e você acha que está pagando demais.

Aqui a avaliação é outra — não é se funciona, é se funciona o suficiente para o valor. A conta é a mesma de qualquer investimento: quantos clientes vieram daquele canal, quanto cada um deixa de margem, e se a soma cobre o custo com folga.

Se a soma cobre com folga, o preço está adequado mesmo parecendo alto em valor absoluto. Se não cobre, a conversa passa a ser sobre reduzir escopo ou encerrar — e vale chegar com a conta pronta antes de propor qualquer uma das duas coisas, porque discussão de preço sem número vira negociação de sensação.

Vale também considerar o inverso: se o canal está devolvendo várias vezes o que custa, a pergunta certa pode ser aumentar o investimento em vez de reduzir.

Pedir uma avaliação independente

Definir o que é resultado, medir a origem dos contatos e fazer as quatro perguntas é trabalho seu — e é o que torna qualquer contratação avaliável. Nenhum fornecedor pode fazer isso por você, porque depende de decidir o que o negócio precisa.

Vale trazer uma segunda opinião técnica quando você fez tudo isso e continua sem clareza — uma avaliação independente do que está sendo entregue. Se a dúvida for como escolher antes de contratar, os critérios estão em como avaliar quem vai cuidar do seu marketing. E se você não sabe quais números acompanhar, a lista está em quais métricas realmente importam. Se a decisão for trocar de fornecedor, o método está em vou trocar de agência.

Como verificar se o fornecedor está entregando

  1. Distinguir relatório de atividade de relatório de resultado O primeiro lista o que foi feito; o segundo mostra o que mudou.
  2. Perguntar quantos contatos vieram do canal no mês É o número que liga o trabalho ao negócio.
  3. Perguntar o que os números mostram que não era esperado Convida à análise em vez do relato.
  4. Perguntar o que muda no mês seguinte por causa disso Se a resposta for igual todo mês, virou rotina desconectada.
  5. Perguntar o que ainda não deu resultado e por quê Quem nunca menciona falha está selecionando o que mostra.
  6. Calibrar o prazo por tipo de trabalho Anúncio rende em dias; presença em busca, em seis a doze meses.
  7. Fornecer informação sobre o negócio ao fornecedor Sem isso o trabalho sai genérico, e a causa não é dele.
  8. Dar acesso ao resultado das propostas Sem isso ele otimiza para métrica de canal, a única que enxerga.
  9. Tentar corrigir a relação antes de trocar Recomeço custa dois a três meses de trabalho lento.
  10. Transferir os acessos antes de encerrar o contrato Depois do encerramento, o pedido vira favor.
Cleber Barbosa, consultor de marketing digital em Ribeirão Preto
Autor
Cleber Barbosa
Consultor de Marketing Digital, SEO e Tráfego Pago — Ribeirão Preto, SP

Vinte anos de marketing digital e 43 cases documentados. Trabalho com SEO técnico, tráfego pago, growth hacking e IA aplicada a negócios. Sou o tipo de fornecedor que estas quatro perguntas avaliam — e é por isso que acho que todo cliente deveria fazê-las, inclusive para mim.

Sobre o autor
Perguntas frequentes

Dúvidas sobre acompanhar um fornecedor

O relatório tem muitos números e não entendo nada. É normal?

É comum e não deveria ser. Relatório de atividade lista o que foi feito; relatório de resultado mostra o que mudou no negócio. Quem recebe só o primeiro não tem como avaliar, e isso não é falta de capacidade para ler.

O que pergunto na reunião mensal?

Quantos contatos vieram do canal, o que os números mostram que não era esperado, o que muda no mês seguinte por causa disso, e o que ainda não deu resultado. Nenhuma exige conhecimento técnico.

Como sei se devo encerrar?

Três sinais juntos, por dois ou três meses: o relatório nunca menciona negócio, nada nunca deu errado, e as perguntas geram desconforto. Isoladamente nenhum significa incompetência.

Não medimos origem de contato. Como avaliar?

Não dá, e estabelecer essa medição vira a prioridade da próxima reunião. Sem saber de onde vêm os clientes, nenhuma avaliação de canal é possível — nem para você, nem para o fornecedor.

Devo pedir relatório mais detalhado?

Costuma produzir relatório maior e igualmente inútil. Mudar as perguntas rende mais que aumentar o documento, porque a informação aparece na conversa e não no anexo.

Meu fornecedor se incomoda com as perguntas. É mau sinal?

É informação. Quem tem método responde sem hesitar, mesmo quando a resposta é ruim — inclusive porque a resposta ruim costuma vir com o que será feito a respeito.

Fez as quatro perguntas e continua sem clareza?

Aí vale uma avaliação independente do que está sendo entregue — feita por quem não executa o trabalho.

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