Como avaliar quem vai cuidar do seu marketing digital

Você não precisa entender de SEO para avaliar quem entende. Precisa saber o que perguntar — e reconhecer que tipo de resposta indica domínio real e que tipo indica discurso ensaiado.

Falar sobre a contratação
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resposta desqualifica na hora
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certificados garantem entrega

A assimetria que torna essa decisão difícil: você está contratando alguém para fazer o que você não sabe fazer. Não dá para avaliar a competência técnica diretamente — e é por isso que a escolha costuma cair em quem apresentou melhor, e não em quem entrega melhor. A saída não é aprender o assunto; é avaliar o raciocínio, que qualquer pessoa consegue julgar.

Primeiro: você está contratando pensamento ou execução?

São perfis diferentes e a confusão entre eles gera a maior parte das contratações frustradas.

Quem executa

Produz o que foi decidido: campanhas, conteúdo, ajustes técnicos. Você avalia pela consistência da entrega e pela velocidade. Precisa receber uma direção — se você não der, ele vai executar a direção que conhece.

Quem pensa

Define o que fazer e em que ordem. Você avalia pela qualidade das perguntas que faz e pela capacidade de dizer não a uma ideia sua. Não produz volume — se você precisa de produção contínua, ele não resolve.

O sinal mais claro de que você está diante de quem pensa: a pessoa faz muitas perguntas antes de propor qualquer coisa, e algumas delas são sobre o seu negócio, não sobre marketing. Quem já chega com a solução formatada está vendendo o que tem, não resolvendo o que você tem.

As seis perguntas

Nenhuma exige conhecimento técnico para ser feita ou avaliada. O que se julga é o tipo de resposta.

01
"Como você vai saber se funcionou?"
A mais reveladora

Resposta boa: menciona contatos qualificados, custo por cliente ou algum número ligado ao seu negócio. E admite que precisa dos seus dados para definir a meta.

Resposta ruim: alcance, impressões, seguidores, posicionamento de palavras-chave. São métricas que melhoram com esforço e não dizem nada sobre faturamento.

02
"O que você faria primeiro, e por quê?"
Testa raciocínio

Resposta boa: depende — e a pessoa explica de que depende, listando o que precisaria verificar antes de decidir.

Resposta ruim: uma lista de tarefas idêntica à que ela daria para qualquer cliente. É o serviço padrão sendo apresentado como plano.

03
"O que pode dar errado?"
Separa experiência de discurso

Resposta boa: cita riscos concretos — prazo que pode não bater, dependência de você fornecer informação, mercado competitivo demais para o orçamento previsto.

Resposta ruim: "não vai dar errado" ou uma garantia. Quem já executou de verdade sabe o que costuma travar, e não tem problema em dizer.

04
"O que você precisa de mim?"
Prevê o resultado

Resposta boa: acesso aos dados, tempo para revisar, informação sobre o negócio, retorno sobre a qualidade dos contatos.

Resposta ruim: "nada, cuidamos de tudo". Soa cômodo e produz trabalho desconectado da realidade da empresa.

05
"Em quanto tempo eu vejo resultado?"
Onde as promessas aparecem

Resposta boa: distingue canais. Anúncio produz contato em dias ou semanas; trabalho orgânico leva de três a seis meses para os primeiros sinais.

Resposta ruim: prazo curto para orgânico, ou qualquer promessa de posição garantida no Google. Ninguém controla isso, e quem afirma controlar está contando com o seu desconhecimento.

06
"Já teve um caso que não funcionou?"
A resposta mais informativa

Resposta boa: tem um exemplo, explica o que aconteceu e o que aprendeu com aquilo.

Resposta ruim: nunca aconteceu, ou a culpa foi sempre do cliente. Quem tem volume de trabalho tem casos que não deram certo — negar isso indica pouca experiência ou pouca honestidade.

A resposta que desqualifica na hora

Uma só, e ela vale mais que todas as outras somadas: garantia de posição no Google em prazo determinado.

Ninguém controla o algoritmo de busca. Quem promete primeira página em trinta, sessenta ou noventa dias está afirmando controlar algo que não controla. Existem duas explicações possíveis, e nenhuma é boa: ou a pessoa não entende como funciona, ou entende e está contando que você não entenda.

Uma variação mais sutil merece a mesma desconfiança: garantia de número de leads. Ela é tecnicamente possível de cumprir — basta afrouxar o critério do que conta como lead — e é assim que costuma ser cumprida.

O que avaliar no portfólio

Portfólio impressiona e informa pouco, a menos que você saiba o que procurar.

Procure porte semelhante ao seu. Quem atende grandes contas tem processos e custos que não cabem numa empresa pequena, e vice-versa. Setor importa menos que tamanho.
Procure tipo de venda semelhante. Ticket alto com ciclo longo exige abordagem diferente de venda rápida e barata. É a variável que mais muda o trabalho.
Peça para falar com um cliente atual. Não um selecionado para depoimento — um que esteja no meio do trabalho agora. A recusa é informativa.
Desconfie de números sem contexto. "Aumentamos 300% o tráfego" pode significar de dez para quarenta visitas. O que importa é o que era, o que foi feito e em quanto tempo.
Verifique o próprio site do fornecedor. Se quem vende presença digital não é encontrável, não tem conteúdo próprio e não responde rápido, isso é dado.

Sobre certificações: selos de plataforma confirmam que a pessoa fez uma prova, o que é diferente de saber operar bem. Não são inúteis — indicam que houve estudo formal — mas não substituem nenhuma das seis perguntas. Contratar por certificado é o equivalente a escolher médico pelo diploma pendurado sem perguntar nada sobre o seu caso.

Como funciona o começo

Os primeiros trinta dias de qualquer contratação seguem um padrão previsível, e saber disso evita ansiedade desnecessária e também evita aceitar demora injustificada.

Semana 1 — acesso e contexto

Levantamento de dados, acessos, conversa sobre o negócio. Se a pessoa não pediu nada disso, ela vai trabalhar sem contexto.

Semanas 2 e 3 — diagnóstico e plano

O que foi encontrado e o que será feito, em ordem. Se você não recebeu nada por escrito nesse período, cobre.

Semana 4 — primeiras execuções

Algo já deveria ter sido feito, mesmo que pequeno. Trinta dias só de planejamento, em operação pequena, é lento demais.

Do segundo mês em diante

Produção contínua com revisão mensal dos números. Se as reuniões viram apresentação de atividades sem números de negócio, o rumo se perdeu.

Os sinais de que não está funcionando

Quatro sinais que aparecem antes do resultado ruim e permitem corrigir a tempo.

Os relatórios não mudam de formato. Mesmo modelo todo mês, com números que sobem e não se conectam a nada do negócio. Indica rotina sem análise.
Ninguém nunca discorda de você. Fornecedor que aceita todas as suas ideias sem ressalva não está pensando — está atendendo. Você contratou justamente para ter uma opinião diferente da sua.
Você não sabe o que foi feito no mês. Se a resposta é vaga, ou o trabalho foi pouco, ou não é comunicável — e os dois são problema.
As perguntas pararam. No começo perguntavam sobre o negócio; agora não perguntam mais nada. Sinal de que o trabalho virou rotina desconectada.

Como ler a proposta

Depois da conversa vem o documento, e ele revela coisas que a reunião esconde.

Procure entregas contáveis. "Gestão de mídias sociais" não é entrega. "Doze publicações por mês, campanhas revisadas semanalmente, relatório mensal com custo por contato" é. Se não dá para conferir se foi feito, não dá para cobrar.
Veja se ela cita algo do seu negócio. Proposta que poderia ser enviada a qualquer empresa do mesmo porte é um pacote com o seu nome no cabeçalho.
Confira se há premissas declaradas. "Considerando que vocês fornecerão os casos até o dia X" é sinal de quem já executou e sabe onde o projeto trava.
Verifique o que não está incluído. Boa proposta diz o que fica de fora. A ausência dessa seção costuma virar discussão no meio do trabalho.

Sobre comparar preços

Três propostas com valores muito diferentes normalmente não estão vendendo a mesma coisa. Antes de comparar números, iguale o escopo — quantas horas, quantas entregas, quem executa, com que frequência.

E desconfie do extremo barato tanto quanto do extremo caro. Serviço muito abaixo do mercado costuma significar volume de clientes por pessoa alto demais para haver atenção, ou execução automatizada apresentada como personalizada.

Uma pergunta útil ao receber uma proposta muito mais barata que as outras: quantos clientes essa pessoa ou equipe atende ao mesmo tempo? A resposta explica o preço melhor que qualquer justificativa comercial, e permite estimar quanta atenção o seu caso vai receber por mês.

As cláusulas que evitam problema depois

Quatro pontos que valem estar no contrato, independentemente do porte da contratação.

Propriedade dos ativos

Domínio, hospedagem, contas de anúncio, perfis e conteúdo produzido devem estar no seu nome. Se ficam com o fornecedor, sair depois vira negociação — e você descobre isso justamente quando quer sair.

Condições de saída

Prazo de aviso e o que acontece com o trabalho em andamento. Contrato longo sem cláusula de saída indica que a retenção não vem do resultado.

Quem executa

Se você contratou por causa de uma pessoa específica, isso precisa estar escrito. Caso contrário, é comum que quem vendeu não seja quem entrega.

Como o desempenho será revisado

Que números, com que frequência, e o que acontece se ficarem abaixo do combinado. Não precisa ser punitivo — precisa existir, para que a conversa difícil tenha critério.

O que você precisa entregar

Boa parte das contratações fracassa por falta de contrapartida, e a culpa costuma cair no fornecedor. Vale saber antes o que se espera de você.

Acesso aos dados. Search Console, Analytics, contas de anúncio, registro de contatos. Quem trabalha sem isso trabalha por suposição.
Tempo de decisão. Aprovação que demora três semanas trava a operação. Combine um prazo de resposta seu, e cumpra.
Matéria-prima. Casos, números, fotos, informação sobre o negócio. Ninguém de fora consegue inventar isso, e a ausência produz conteúdo genérico.
Retorno sobre os contatos. Dizer quais fecharam e quais estavam fora do perfil é a informação que permite ajustar. Sem ela, o fornecedor produz mais do mesmo, inclusive do que não serve.

Vale perguntar a si mesmo antes de contratar: eu vou conseguir entregar essas quatro coisas nos próximos seis meses? Se a resposta for não, o resultado será limitado por isso — e trocar de fornecedor não vai mudar nada, porque a restrição está do seu lado.

Antes de trocar de fornecedor

Vale uma pausa aqui, porque a troca costuma ser feita cedo e pela razão errada.

Trocar reinicia um ciclo de três a seis meses. Se o problema é execução ruim, vale. Se o problema é que a direção estava errada, o próximo fornecedor vai executar bem na direção que ele vende — e você repete o ciclo com outro nome.

A pergunta que separa: você sabe onde o resultado se perde? Se sabe e a execução falhou, troque. Se não sabe, descubra antes — porque essa é a informação que vai fazer a próxima contratação dar certo, e ela não depende de quem você contrata.

Vale reconhecer o desconforto disso. Descobrir onde o resultado se perde é justamente o que você esperava que o fornecedor fizesse, e é trabalho que sobra para você quando ele não fez. Mas o custo de não fazer é maior: cada troca sem diagnóstico reinicia meses e reproduz o mesmo desfecho com outro nome no contrato.

O que perguntar antes de fechar

As seis perguntas você faz sozinho, e elas eliminam a maior parte do risco. Se a decisão entre formatos ainda estiver em aberto — se você precisa de quem decide ou de quem executa —, o roteiro está em qual das duas resolve o seu caso.

Vale trazer ajuda quando você já contratou, não teve resultado, e não consegue dizer se a falha foi de execução ou de direção. Essa distinção decide se você troca de fornecedor ou muda de rumo com o mesmo. O roteiro que separa os cinco lugares de perda está em por onde começar a investigar, e a verificação completa numa auditoria. Para uma referência de faixa de investimento antes da conversa, veja quanto custa marketing digital. Se a decisão já é trocar de fornecedor, o checklist está em vou trocar de agência.

Como avaliar um profissional ou agência de marketing digital

  1. Definir se você precisa de quem pensa ou de quem executa São perfis diferentes e a confusão gera a maior parte das frustrações.
  2. Perguntar como a pessoa vai saber se funcionou Resposta com métricas de negócio distingue de resposta com alcance.
  3. Perguntar o que ela faria primeiro e por quê Boa resposta começa com "depende" e explica de que depende.
  4. Perguntar o que pode dar errado Quem já executou cita riscos concretos; quem não executou promete garantia.
  5. Perguntar o que ela precisa de você "Nada, cuidamos de tudo" produz trabalho desconectado da empresa.
  6. Perguntar sobre um caso que não funcionou Quem tem volume tem casos ruins; negar indica pouca experiência ou honestidade.
  7. Descartar qualquer garantia de posição no Google É a única resposta que desqualifica sozinha.
  8. Igualar o escopo antes de comparar preços Propostas com valores muito diferentes não vendem a mesma coisa.
  9. Perguntar quantos clientes a pessoa atende ao mesmo tempo A resposta explica o preço melhor que qualquer justificativa comercial.
  10. Exigir propriedade dos ativos e condições de saída no contrato Domínio, contas, perfis e conteúdo no seu nome.
  11. Verificar se você consegue entregar sua contrapartida Dados, tempo de decisão, matéria-prima e retorno sobre os contatos.
Cleber Barbosa, consultor de marketing digital em Ribeirão Preto
Autor
Cleber Barbosa
Consultor de Marketing Digital, SEO e Tráfego Pago — Ribeirão Preto, SP

Vinte anos de marketing digital e 43 cases documentados. Trabalho com SEO técnico, tráfego pago, growth hacking e IA aplicada a negócios. Escrevi as seis perguntas sabendo que elas serão usadas para me avaliar também — e é assim que deve ser, porque critério que só serve para julgar os outros não é critério.

Sobre o autor
Perguntas frequentes

Dúvidas sobre contratar quem cuida do marketing

Como avalio competência técnica se eu não entendo do assunto?

Você não avalia a técnica, avalia o raciocínio. As seis perguntas testam se a pessoa pensa a partir do seu caso ou apresenta um serviço padrão. Isso qualquer pessoa consegue julgar, e prevê o resultado melhor que qualquer credencial.

Certificação de plataforma vale alguma coisa?

Indica que houve estudo formal, o que é diferente de saber operar bem. Não é inútil, mas não substitui as perguntas. Contratar por certificado é escolher pelo diploma pendurado sem perguntar nada sobre o seu caso.

Alguém garantiu primeira página no Google. É possível?

Não. Ninguém controla o algoritmo de busca. Quem promete isso ou não entende como funciona, ou entende e conta com o seu desconhecimento. É a única resposta que desqualifica sozinha, sem precisar avaliar mais nada.

Quanto tempo dou antes de concluir que não funcionou?

Para anúncio, sessenta dias com pelo menos trinta conversões registradas. Para orgânico, de quatro a seis meses. Mas avalie o processo antes disso: se no primeiro mês não houve diagnóstico nem plano por escrito, o problema já apareceu.

Devo trocar de fornecedor se não vier resultado?

Depende de saber se a falha foi de execução ou de direção. Trocar reinicia um ciclo de meses, e se a direção estava errada, o próximo vai executar bem no lugar errado. Descubra onde o resultado se perde antes de trocar.

Profissional individual ou empresa?

Individual costuma dar acesso direto a quem faz, com menos estrutura e limite de volume. Empresa oferece estrutura e continuidade, com risco de você falar com quem vende e ser atendido por outro. Pergunte quem vai tocar o seu caso antes de decidir pelo formato.

Já contratou, não teve resultado, e não sabe de quem foi a falha?

Saber se o problema foi execução ou direção decide se você troca de fornecedor ou muda de rumo com o mesmo.

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