Não sei se estou cobrando o preço certo

O valor foi definido no começo, olhando o que os outros cobravam, e nunca mais foi revisto. Você desconfia que está baixo, não tem como comprovar, e a dúvida aparece toda vez que precisa dizer o número.

Falar sobre a minha precificação
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erro que produz preço baixo demais
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números que definem o piso
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sinais de que está abaixo
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preços corretos copiados do concorrente

O erro que produz quase todo preço baixo demais: calcular a partir do tempo de execução. Duas horas de trabalho não custam duas horas — custam a proposta, o deslocamento, o retrabalho, o período sem cliente, os impostos e os anos que você levou para conseguir resolver aquilo em duas horas. Cobrar apenas pela hora executada ignora completamente todos esses custos, que existem e precisam ser pagos por alguém.

Os três números que definem o piso

Quanto o negócio precisa faturar por mês. Custos fixos, seu pró-labore, impostos e uma reserva. É o número que quase nenhuma operação pequena calcula com precisão, e é ele que define tudo o que vem depois na conta.
Quantas horas você realmente vende. Não as horas trabalhadas — as cobráveis. Descontando proposta, administração, deslocamento e o tempo sem trabalho. Na maior parte das operações, esse número é próximo da metade do que se imaginava antes de medir.
O primeiro dividido pelo segundo. É o seu custo por hora vendida, e nenhum preço abaixo disso é sustentável. Esse valor não é o preço final que você vai cobrar — é apenas o chão, o ponto a partir do qual o preço começa a ser construído.

Por que quase todo mundo erra o segundo número

Uma jornada de oito horas não produz oito horas vendáveis. Entre atender, orçar, cobrar, comprar material, resolver imprevisto e o intervalo entre um trabalho e outro, boa parte das operações vende três ou quatro horas por dia. Quem calcula o preço dividindo o custo por oito chega a metade do que precisa cobrar.

Os quatro sinais de que o preço está abaixo

Quase ninguém acha caro

Se todo orçamento é aceito sem hesitação, o preço está confortável demais para quem compra. Uma taxa de recusa entre vinte e trinta por cento costuma indicar um preço bem posicionado no mercado.

A agenda está cheia e o caixa apertado

É o sintoma mais claro. Trabalhar muito e ganhar pouco nunca é um problema de volume — é um problema de preço, e aumentar o volume só piora a situação.

Você evita dizer o valor

Hesitação na hora do preço frequentemente é sinal de que ele não corresponde ao trabalho. Quando o número corresponde ao que o trabalho vale, dizê-lo em voz alta é fácil e natural.

Não sobra para investir

Se o faturamento paga as contas e nunca sobra para ferramenta, formação ou reserva, o preço está financiando apenas a sobrevivência do negócio, e não o crescimento dele.

Sobre dar desconto

Parte da precificação que quase ninguém planeja e que corrói a margem de forma invisível.

Desconto sem contrapartida é redução de preço

Abater dez por cento porque o cliente pediu comunica que o preço original era inflado. Se vai descontar, peça algo em troca — prazo maior, pagamento à vista, escopo menor.

O desconto padrão vira o preço real

Se todo cliente ganha o mesmo abatimento, aquele é o seu preço. Vale assumir isso na tabela em vez de manter uma ficção que ninguém paga.

Reduzir escopo é melhor que reduzir preço

Preserva o valor por hora e resolve para quem tem orçamento menor. "Consigo fazer por esse valor entregando isto" mantém a integridade da tabela.

Quando o desconto faz sentido

Volume real, pagamento antecipado, projeto que preenche um vale na agenda. Sempre com razão explícita, para não virar expectativa permanente.

Como comunicar o preço

O mesmo número é recebido de formas diferentes conforme a apresentação.

Apresente o valor antes do número. O que ele recebe, o problema que se resolve, o que está incluso. Preço dito antes do contexto é comparado no vazio.
Um valor, não uma faixa. "Entre tanto e tanto" faz o cliente ancorar no menor e estranhar qualquer coisa acima. Se precisa de faixa, é porque falta informação para orçar.
Diga o número e pare. A pausa depois do preço é desconfortável para quem fala e necessária para quem ouve. Preencher com justificativa enfraquece o valor.
Não compare com o concorrente. Nem para dizer que é mais barato. A comparação coloca o preço como critério central da decisão, que é onde você não quer estar.
Deixe claro o que acontece se o escopo mudar. Combinar isso antes evita a conversa mais desagradável do meio do projeto.

O que fazer com "está caro": pergunte caro em relação a quê. Frequentemente a resposta revela comparação com um serviço diferente, ou orçamento menor que o esperado — duas situações com saídas distintas, e nenhuma delas resolvida por desconto imediato.

Quando revisar o preço

Preço não é decisão única; é revisão periódica que quase ninguém agenda.

Uma vez por ano, sem exceção. Mesmo que a conclusão seja manter. Revisão programada evita a defasagem de anos que torna o ajuste traumático.
Quando os custos subirem de forma relevante. Material, ferramenta, equipe, imposto. Absorver aumento de custo é reduzir o próprio preço sem decidir isso.
Quando a demanda estiver acima da capacidade. Fila de espera é a evidência mais forte de que o valor está abaixo do que o mercado aceita pagar.
Quando você ficar melhor no que faz. Mais experiência, mais resultado, menos erro. O preço deveria acompanhar a competência, e quase nunca acompanha sozinho.

Do piso ao preço final

O custo por hora é o chão. O preço se forma somando o que o chão não captura.

O valor do resultado para o cliente. Um trabalho que evita um prejuízo grande vale mais que um que economiza uma tarde, mesmo levando o mesmo tempo. É de longe a variável que mais separa os preços praticados dentro de uma mesma profissão, com o mesmo nível técnico.
A escassez do que você faz. Se poucos resolvem aquilo na sua região, o preço acompanha. Se qualquer profissional da área faz o mesmo, a margem de manobra é bem menor — e a saída passa a ser mudar o que você oferece, em vez de insistir no valor.
O risco que você assume. Trabalho em que o erro custa caro, exige garantia ou responsabilidade formal precisa ser precificado acima do que só consome tempo.
O que o mercado pratica. Como referência de posicionamento, não como cálculo. Estar muito abaixo comunica menos qualidade; muito acima exige justificativa que precisa existir.
A margem para negociar. Se você sempre dá dez por cento de desconto, esse desconto já deveria estar no preço. Caso contrário, você está trabalhando pelo valor descontado sempre.

A verificação final: com o preço novo e a quantidade realista de clientes que você consegue atender, o faturamento cobre o número do primeiro cálculo? Se não cobrir, ou o preço ainda está baixo ou o modelo não fecha — e nenhum esforço comercial resolve conta que não fecha.

Preço fechado ou por hora

A escolha muda mais que o número, e cada formato serve a uma situação.

Por hora protege em escopo incerto

Quando não dá para prever o tamanho do trabalho, cobrar por tempo evita prejuízo. E limita o ganho de quem fica mais rápido com a experiência.

Fechado premia competência

Quem resolve em metade do tempo ganha o mesmo. É o formato que remunera anos de prática em vez de punir eficiência.

O risco do fechado

Escopo mal definido vira prejuízo. Exige descrever com precisão o que está incluso e cobrar à parte o que passar disso.

O híbrido que funciona

Valor fechado para o escopo previsto, hora definida para o que exceder. Protege os dois lados e é fácil de explicar.

Como aumentar sem perder a carteira

A parte que trava a decisão, e ela tem um caminho de risco quase zero.

Comece pelos clientes novos. Preço novo para quem chega, atual para quem já está. Zero atrito, e em alguns meses a média já subiu sem nenhuma conversa.
Reajuste a carteira na renovação. Aniversário de contrato, novo projeto, virada de ano. O momento natural evita que o aumento pareça arbitrário.
Avise com trinta a sessenta dias. E antes do número, apresente o que foi entregue no período. A ordem importa: valor primeiro, preço depois.
Aplique a todos, sem exceção negociada. Abrir exceção para quem reclama ensina que reclamar funciona — e o próximo reajuste enfrenta o dobro de resistência.
Aceite perder alguns. Se o preço estava muito abaixo, parte da carteira estava lá por isso. Perder um quarto e faturar o mesmo com menos trabalho é um bom resultado.

O que fazer quando a conta não fecha

Cenário real: você calculou o preço necessário e ele está acima do que o seu mercado paga.

Verifique os custos primeiro. Estrutura pesada demais para o faturamento aparece aqui. Às vezes o problema não é o preço baixo — é o custo alto.
Aumente as horas vendáveis. Reduzir tempo de orçamento, deslocamento e administração melhora a conta sem mexer no preço. É onde costuma haver mais folga.
Mude o que você vende. Se o serviço atual não sustenta o preço necessário, a saída é oferecer algo de maior valor percebido para o mesmo público — ou o mesmo serviço para um público que paga mais.
Considere que o mercado pode estar errado. Preço praticado abaixo do custo é comum em setores com muita informalidade. Acompanhar isso é escolher trabalhar no prejuízo junto.
Reconheça quando o modelo não fecha. Alguns arranjos não são viáveis na escala em que estão. É melhor descobrir com a planilha do que depois de três anos de desgaste.

O erro de precificar pela própria realidade

Um viés comum e caro: definir o preço pelo que você acharia caro.

Quem tem orçamento apertado tende a projetar essa restrição no cliente e a cobrar o que ele mesmo pagaria — que frequentemente é bem menos do que o cliente pagaria sem hesitar. O valor de um serviço não é medido pelo bolso de quem executa.

O teste que ajuda: pergunte-se quanto o problema custa para quem tem esse problema. Um atraso que gera multa, uma dor que impede trabalhar, um sistema parado que para a operação — o valor de resolver isso não tem relação com quanto você gastaria no lugar dele.

Como isso varia por tipo de negócio

Serviço com material. Separe custo de material de custo de trabalho. Misturar os dois esconde a margem real e dificulta reajustar quando o insumo sobe.
Serviço puro. O custo é quase todo tempo, e por isso a conta de horas vendáveis é ainda mais determinante. Erro de dois pontos ali muda o preço em dezenas por cento.
Recorrente. Precifique o ano, não o mês. Serviço mensal costuma ter picos e vales de trabalho, e cobrar pelo mês tranquilo produz prejuízo no mês pesado.
Produto próprio. Além do custo direto, entra o desenvolvimento, que foi pago uma vez e precisa ser diluído. Ignorar isso é vender o esforço inicial de graça.
Projeto longo. Considere a inflação do período e as etapas de pagamento. Projeto de um ano com preço fechado no início pode terminar valendo bem menos do que custou.

Por onde começar nesta semana

Some os custos fixos e o que você precisa retirar. Uma planilha simples, com números reais e não estimados. É a base de tudo.
Anote as horas realmente vendidas na última semana. Só as cobráveis. O resultado costuma ser desconfortável e é a informação mais útil da conta.
Divida um pelo outro e compare com o que você cobra. Em cinco minutos você sabe se o preço está acima ou abaixo do piso.
Defina o preço novo e aplique ao próximo orçamento. Sem anúncio, sem carteira envolvida. O primeiro teste é com quem ainda não conhece o preço antigo.

Fechar a conta do preço com apoio

Calcular os três números, verificar os sinais e definir o novo preço é trabalho seu, leva uma tarde e depende de informação que só você tem sobre a própria operação.

Vale trazer ajuda para o que torna o preço sustentável: demanda suficiente para você poder escolher. Se o problema é ser comparado por valor, o roteiro está em como parar de ser comparado por preço. E se a objeção aparece na conversa, o caminho está em quando o cliente diz que está caro. Se o trabalho é mensal e pouco visível, a questão está em honorário mensal e trabalho invisível.

Definido o valor, resta escolher o formato: os quatro modelos estão em cobrar por hora ou por projeto. Quando o gatilho for um aumento de custo, o roteiro está em meu custo subiu e não repassei. Se a proposta que chegou foi de permuta, o cálculo muda: me ofereceram troca em vez de pagamento.

Quando o trabalho é inédito, a estimativa muda: orçar algo que nunca fiz. Sobre mostrar ou não esse número no site, leia colocar o preço no site ou não. Quando a saída foi criar uma marca mais barata, leia segunda marca canibalizando a primeira.

Como definir o preço do seu serviço

  1. Somar custos fixos, pró-labore, impostos e reserva É quanto o negócio precisa faturar por mês.
  2. Contar apenas as horas realmente vendáveis Descontando proposta, administração, deslocamento e agenda vazia.
  3. Dividir um pelo outro para achar o custo por hora Nenhum preço abaixo disso é sustentável.
  4. Somar o valor do resultado para o cliente Trabalho que evita prejuízo grande vale mais que o que economiza uma tarde.
  5. Considerar escassez, risco assumido e prática de mercado Mercado como referência de posicionamento, não como cálculo.
  6. Embutir a margem de negociação no preço Se você sempre dá desconto, ele já deveria estar ali.
  7. Verificar se o faturamento previsto cobre o primeiro número Nenhum esforço comercial resolve conta que não fecha.
  8. Aplicar o preço novo apenas a quem chega Zero atrito, e a média sobe em poucos meses.
  9. Reajustar a carteira na renovação, avisando com antecedência Valor entregue primeiro, número depois.
  10. Aceitar perder parte da carteira que estava ali pelo preço Faturar o mesmo com menos trabalho é bom resultado.
Cleber Barbosa, consultor de marketing digital em Ribeirão Preto
Autor
Cleber Barbosa
Consultor de Marketing Digital, SEO e Tráfego Pago — Ribeirão Preto, SP

Vinte anos de marketing digital e 43 cases documentados. Trabalho com SEO técnico, tráfego pago, growth hacking e IA aplicada a negócios. Passei anos cobrando por hora executada e demorei a entender que aquilo ignorava o tempo de proposta, de aprendizado e de agenda vazia — que existem e precisam ser pagos.

Sobre o autor
Perguntas frequentes

Dúvidas sobre precificação

Como sei se estou cobrando abaixo do mercado?

Quatro sinais: quase ninguém acha caro, a agenda está cheia com o caixa apertado, você hesita ao dizer o valor, e não sobra para investir. Dois ou mais indicam preço abaixo do necessário.

Devo cobrar por hora?

Cuidado com o cálculo. Duas horas de trabalho não custam duas horas — custam a proposta, o deslocamento, o período sem cliente e os anos que você levou para resolver aquilo rápido. Hora executada ignora tudo isso.

Quantas horas vendáveis eu tenho?

Menos do que a jornada. Entre orçar, cobrar, deslocar e resolver imprevisto, boa parte das operações vende três ou quatro horas por dia. Quem divide o custo por oito chega a metade do preço necessário.

Posso me basear no preço dos concorrentes?

Como referência de mercado, sim. Como base de cálculo, não — você não conhece a estrutura de custo deles, e copiar um preço que já estava errado só propaga o erro.

Se ninguém reclama, está bom?

É justamente o sinal de alerta. Se todo orçamento é aceito sem hesitação, o preço está confortável demais. Uma taxa de recusa entre vinte e trinta por cento costuma indicar preço bem posicionado.

Como aumento sem perder a carteira?

Aplicando o preço novo a quem chega e mantendo o atual para quem já está. Em alguns meses a média sobe sem nenhuma conversa difícil, e o risco fica limitado a zero.

Fez a conta e o preço precisa subir bastante?

Aí a prioridade passa a ser entrada de clientes — porque quem tem fila reajusta sem medo.

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