Criei uma segunda marca e ela está roubando cliente da primeira

A ideia original era atender um outro público sem mexer em nada do que já funcionava. Passados alguns meses, quem acabou migrando foi o seu próprio cliente, atrás do preço menor, e hoje a soma das duas dá menos do que a primeira dava sozinha.

Falar sobre as minhas marcas
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coisas que precisam ser diferentes de verdade
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pergunta que separa marca nova de desconto
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marcas separadas só pelo nome que funcionam
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tipos de canibalização, e um deles é bom

A pergunta que separa marca nova de desconto

O cliente da marca nova compraria da primeira se ela não existisse? Se a resposta for sim, você não criou um público novo: criou uma versão mais barata de si mesmo com outro nome. A marca nova não está atendendo alguém que estava fora do seu alcance: ela está oferecendo uma saída mais barata para quem já estava dentro.

Marca nova legítima alcança quem não comprava. Marca nova disfarçada de desconto realoca quem já comprava.

Os dois tipos de canibalização, e um deles é bom: quando o cliente migra e você perde margem, é problema. Quando ele migraria de qualquer forma, para um concorrente mais barato, e migrou para dentro de casa, é defesa. A diferença está em olhar o mercado, não só a sua planilha: se havia opção barata disponível e o cliente estava indo, reter na segunda marca preserva receita que ia embora. Se não havia, você criou o próprio concorrente.

As quatro coisas que precisam ser diferentes

O que está incluído. Escopo menor, prazo mais longo, menos personalização no atendimento. Sem uma diferença real de entrega, a diferença de preço fica arbitrária e o cliente percebe isso.
Onde é vendido. Canal de venda, ponto físico ou plataforma diferentes evitam que a escolha entre as duas aconteça lado a lado, na mesma tela.
Para quem fala. Público, linguagem e ocasião de compra realmente distintos. Se a comunicação é idêntica e só o logotipo muda, continua sendo a mesma marca.
Quem atende. Equipe ou processo separados evitam que o seu próprio vendedor empurre a opção mais barata só para fechar a venda mais rápido.

Quando a segunda marca é do concorrente e não sua

O movimento também acontece no sentido inverso, e o efeito é parecido.

Um concorrente cria uma linha barata e você perde por preço. Antes de reagir criando a sua própria linha barata, observe se ele está mesmo captando gente nova ou apenas cedendo margem.
Reagir por reflexo costuma piorar. Criar uma marca barata apenas porque alguém criou é iniciar uma disputa em que os dois lados perdem margem e nenhum dos dois ganha cliente novo.
Verifique se o cliente que saiu era o seu. Se quem migrou foi justamente o cliente de menor margem, o concorrente levou o seu problema embora junto com ele.
Reforce o que a linha barata não faz. Comunicar bem a diferença entre as duas é muito mais barato e mais rápido que montar uma operação inteira nova.
Só entre nessa faixa se ela couber na sua estrutura. Uma operação montada para servir bem raramente consegue servir barato sem se desorganizar por inteiro no processo.

Como medir a migração de verdade

Sem separar cliente novo de cliente realocado, a marca nova sempre parece um sucesso.

Marque quem já era da casa. Cruze a base de clientes das duas por telefone ou documento. O número de repetidos costuma ser bem maior que a impressão que você tinha.
Acompanhe a marca principal, não só a nova. Uma marca nova crescendo enquanto a antiga encolhe exatamente na mesma proporção não é crescimento nenhum: é transferência.
Compare com o período anterior à criação. Doze meses antes da criação e doze meses depois, somando as duas marcas. É a única comparação que realmente responde à pergunta.
Pergunte a quem migrou. Uma conversa curta com cinco clientes que trocaram de marca revela o motivo verdadeiro, que raramente é aquele que você imaginou.
Repita a medição a cada trimestre. A canibalização nunca aparece já no primeiro mês: ela aparece quando a notícia começa a circular entre os clientes.

O caso em que a canibalização é o objetivo: às vezes você quer mesmo que o cliente migre. Quando a marca principal está com margem apertada e você criou uma operação mais enxuta, mover volume para lá pode aumentar o resultado total mesmo com preço menor. O que não pode é isso acontecer por acidente e ser descoberto meses depois. A diferença entre estratégia e erro, aqui, é apenas se você decidiu antes ou está explicando depois.

O que dizer quando perguntam

Não negue

Negar a ligação e depois ser desmentido custa muito mais caro que a informação em si.

Explique a diferença

Dizer que "são operações diferentes, com escopo diferente" responde à pergunta sem abrir a sua estrutura.

Não ofereça o preço da outra

Fazer isso uma única vez transforma a sua tabela cara em ficção para todo o sempre.

Deixe a equipe alinhada

Se cada vendedor da equipe responde de um jeito diferente, a confusão do cliente vira desconfiança rápido.

O primeiro passo

Cruze as duas bases de clientes. Procurando repetidos.
Some a receita e compare com antes. Doze meses.
Liste o que é diferente de verdade. Só o que é.
Fale com cinco que migraram. Pergunte o motivo.
Decida entre as três saídas. Com prazo.

A conta que decide se vale manter

Duas marcas custam mais que uma, e o custo raramente é contabilizado.

Some a receita das duas e compare com o histórico. Se o total de hoje ficou parecido com o que a primeira marca fazia sozinha, você apenas dividiu o mesmo bolo em dois e ainda dobrou o trabalho de administrar.
Calcule a margem, não o faturamento. Marca barata costuma faturar bastante e sobrar pouquíssimo no fim, e o número que decide é o que fica, não o que entra.
Inclua o custo de manter as duas. Site próprio, comunicação, estoque separado, atendimento paralelo e a sua atenção dividida entre as duas. Nada disso aparece numa conta simples de faturamento.
Veja quanto tempo você gasta em cada uma. Se a marca menor consome metade do seu dia de trabalho e traz um quinto do resultado, a resposta já apareceu sem precisar de mais análise.
Olhe a origem dos clientes novos. Se quase todos os clientes novos vieram da sua própria base, a marca não captou ninguém novo: apenas redistribuiu o que existia.

O sinal mais claro de que a separação falhou: quando o próprio cliente pergunta se é a mesma empresa. Isso quer dizer que ele reconheceu o padrão, o atendimento ou o produto, e a partir daí a marca barata deixa de ser outra opção e passa a ser a mesma coisa mais em conta. Nesse momento não existe mais posicionamento, existe apenas uma tabela de preços com dois nomes, e o cliente escolhe o menor.

As três saídas quando já aconteceu

Separar de verdade

Mudar escopo, canal e público até que as duas realmente atendam gente diferente.

Encerrar a menor

Migrar quem tem margem para a marca principal e aceitar perder quem só estava ali pelo preço.

Trocar os papéis

Se a marca nova cresce e a antiga não sai do lugar, talvez a antiga é que seja a linha secundária agora.

O que não funciona

Deixar tudo como está esperando que o mercado resolva sozinho a confusão que você criou.

Como isso muda por tipo de negócio

O risco de canibalizar depende de quão perto as duas ficam do mesmo cliente.

Serviço local com clientela conhecida. É o caso de maior risco de todos: a cidade é pequena, todo mundo acaba descobrindo, e a marca barata simplesmente vira a sua nova tabela de preços.
Produto vendido online. A separação por canal é bem mais fácil de fazer, mas o cliente pesquisa e a comparação entre as duas acontece em dois cliques.
Venda para empresa. O comprador profissional descobre a ligação entre as duas rapidamente e usa exatamente isso na negociação da marca cara.
Marca de fabricante. Aqui a segunda marca é prática consolidada no mercado, com canais e embalagens distintos, e funciona bem quando o produto realmente é diferente.
Profissional que atende pessoalmente. A pessoa é a própria marca, então duas marcas diferentes com o mesmo profissional atendendo raramente se sustentam por muito tempo.

Quando a segunda marca faz sentido

Existem casos em que ela resolve um problema que nenhuma outra saída resolve.

Quando o público é incompatível. Atender preço popular e alto padrão debaixo do mesmo nome desvaloriza o público de cima e assusta o de baixo ao mesmo tempo. Separar as duas protege os dois lados.
Quando o canal exige. Vender em marketplace com preço agressivo sem derrubar a tabela da sua loja própria é o motivo mais clássico e um dos mais legítimos.
Quando o produto é outro. Linha industrial e linha doméstica saídas do mesmo fabricante têm compradores, embalagens e canais de venda genuinamente diferentes.
Quando você testa um mercado novo. Uma marca separada permite errar sem que o erro respingue na marca principal, e essa é uma proteção real e mensurável.
Quando existe restrição de exclusividade. Um contrato que impede você de atender determinado segmento sob a marca atual às vezes só se resolve dessa forma, e aí vale conferir com atenção se o próprio contrato permite.

O que fazer antes de criar a próxima

A maior parte do estrago se evita na decisão, não na correção.

Descreva o cliente que ela vai atender. Se a descrição que você escreveu serve igualmente para o seu cliente atual, a marca nova não tem público próprio nenhum e vai acabar buscando o dele.
Defina o que ela não faz. Uma marca barata que entrega quase tudo aquilo que a marca cara entrega não é outra marca coisa nenhuma: é um desconto permanente com nome novo.
Teste antes de investir em identidade. Dá perfeitamente para testar a oferta num canal separado antes de criar logotipo, site e material de divulgação.
Combine quem atende o quê. Se a mesma pessoa vende as duas marcas, ela vai naturalmente empurrar aquela que fecha mais fácil.
Defina o critério de encerramento antes de começar. Escrever com antecedência em que situação você fecharia a marca nova evita mantê-la viva por puro orgulho durante anos.

Sobre registro e uso de duas marcas

Vale conhecer os contornos, sem tratar isto como orientação jurídica.

No Brasil, o direito exclusivo sobre uma marca nasce do registro no órgão competente, e cada marca exige pedido próprio, com classe correspondente à atividade, taxas e prazo de análise que costuma levar anos. Operar duas marcas significa dois processos e dois conjuntos de custos, incluindo a vigilância contra pedidos de terceiros parecidos. Marca usada sem registro tem proteção limitada, apoiada em nome empresarial e em concorrência desleal, e essa proteção é bem mais frágil justamente quando você tem algo a defender.

Há também a camada societária e fiscal. Duas marcas podem conviver dentro da mesma empresa, como nomes fantasia distintos, ou exigir pessoas jurídicas separadas, dependendo do que se pretende com a separação. Criar uma segunda empresa apenas para fracionar faturamento e permanecer em regime tributário mais favorável é conduta que a fiscalização examina, e a caracterização de estrutura artificial gera autuação com efeito retroativo. Já a separação por motivo operacional legítimo, com atividades, estruturas e clientes realmente distintos, é comum e regular. Como a linha entre as duas coisas depende de fatos concretos, converse com o seu contador e, se houver estrutura societária envolvida, com um advogado, antes de constituir qualquer coisa.

Quando vale chamar alguém

Medir a migração e decidir o que fazer é trabalho seu, e depende de números que só você tem.

Vale trazer ajuda para reposicionar a comunicação das duas. Se a ideia era outra fonte de receita, leia criar uma segunda fonte de receita. E se a dúvida é o preço da linha nova, leia saber se o preço está certo.

Como separar duas marcas que disputam o mesmo cliente

  1. Perguntar se o cliente da marca nova compraria da primeira Se sim, você realocou em vez de conquistar.
  2. Somar a receita das duas e comparar com o histórico Total parecido significa mesmo bolo dividido com o dobro de trabalho.
  3. Calcular a margem, não o faturamento Marca barata fatura bem e sobra pouco.
  4. Incluir o custo de manter as duas na conta Site, estoque, atendimento e a sua atenção dividida.
  5. Verificar a origem dos clientes novos Se vieram da sua base, a marca redistribuiu em vez de captar.
  6. Diferenciar escopo, canal, público e quem atende Sem diferença na entrega, a diferença de preço é arbitrária.
  7. Tirar as duas da mesma vitrine Se aparecem lado a lado, o cliente compara e leva a barata.
  8. Separar quem vende cada uma O mesmo vendedor sempre empurra a que fecha mais fácil.
  9. Decidir entre separar de verdade, encerrar ou trocar os papéis Deixar como está esperando o mercado resolver não é opção.
  10. Confirmar registro e estrutura com contador e advogado Separação artificial para fracionar faturamento gera autuação.
Cleber Barbosa, consultor de marketing digital em Ribeirão Preto
Autor
Cleber Barbosa
Consultor de Marketing Digital, SEO e Tráfego Pago — Ribeirão Preto, SP

Vinte anos de marketing digital e 43 cases documentados. Trabalho com SEO técnico, tráfego pago, growth hacking e IA aplicada a negócios. Marca nova legítima alcança quem não comprava; disfarçada de desconto, realoca quem já comprava.

Sobre o autor
Perguntas frequentes

Dúvidas sobre segunda marca

Como sei se está canibalizando?

Pergunte se o cliente da marca nova compraria da primeira caso ela não existisse. Se sim, você realocou em vez de conquistar.

Canibalizar é sempre ruim?

Não. Se o cliente ia migrar para um concorrente barato e migrou para dentro de casa, você reteve receita que ia embora.

O que precisa ser diferente?

Escopo, canal, público e quem atende. Sem diferença na entrega, a diferença de preço fica arbitrária e o cliente percebe.

Posso usar o mesmo site?

Se as duas aparecem lado a lado, o cliente compara e escolhe a barata. Separar o canal é metade da solução.

Devo esconder que são minhas?

Esconder costuma vazar em algum momento e custa credibilidade. O caminho é simplesmente não destacar a ligação, sem nunca negá-la quando perguntarem.

Preciso registrar as duas?

Marca sem registro tem proteção limitada. Duas marcas significam dois registros, com custos e prazos próprios.

A soma das duas dá mais que a primeira dava sozinha?

Se você não sabe responder isso agora, essa é a primeira conta a fazer, antes de qualquer outro ajuste.

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