Um produto que eu vendo dá defeito sempre e a troca é comigo

O fabricante demora, o cliente reclama com você, e a garantia sai do seu bolso antes de sair do dele. Continuar vendendo é cômodo, e cada nova venda daquele item é um problema com data marcada.

Falar sobre esse produto
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número que decide se vale continuar
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defeitos que o cliente atribui ao fabricante
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conversas antes de tirar o item de linha
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custos que não aparecem na nota de troca

Para o cliente, o defeito é seu

Ele não comprou do fabricante: comprou de você. Explicar que a peça veio assim de fábrica é verdadeiro e não muda nada na cabeça de quem está com o produto parado. A escolha do que colocar na prateleira foi sua, e é assim que ele lê a situação.

Isso significa que o custo do defeito é seu antes de ser de qualquer outra pessoa, mesmo quando o dinheiro volta depois.

Os três custos que não aparecem na nota de troca: o seu tempo atendendo a reclamação e acionando o fabricante, o cliente que não volta e não avisa que não vai voltar, e o comentário público que fica indexado por anos. O primeiro dá para medir em horas. Os outros dois só aparecem no faturamento meses depois, quando ninguém mais liga a queda àquele item específico.

O número que decide se vale continuar

Taxa de defeito daquele item. Quantos você vendeu no ano e quantos voltaram. Sem esse número, a decisão fica na sensação, e a sensação exagera o caso recente e esquece o volume.
Compare com a margem do produto. Se a taxa de retorno consome mais que a margem, você está pagando para vender aquilo, e nenhum volume conserta.
Some o seu tempo à conta. Cada troca custa atendimento, logística e follow-up, e esse custo não está no preço de reposição que o fabricante manda.

Como reunir a evidência antes de reclamar

Fabricante responde a número, não a impressão.

Registre cada ocorrência com data e lote. Uma planilha de cinco colunas basta. O número do lote é o que transforma reclamação em caso, porque permite ao fabricante rastrear a origem.
Fotografe o defeito sempre. Padrão visual repetido em dez unidades é o argumento mais forte que existe, e ele só existe se você tiver guardado as imagens.
Anote o tempo até a falha. Defeito que aparece em quinze dias tem causa diferente de defeito que aparece em oito meses, e essa distinção muda a conversa.
Guarde o que o cliente disse. A descrição de uso ajuda a separar defeito de fábrica de mau uso, e protege você nos dois sentidos.
Some o prejuízo em dinheiro. Levar um valor consolidado à conversa muda completamente a disposição do outro lado em resolver.

As duas conversas com o fabricante

Elas são diferentes e a ordem importa.

A conversa técnica, primeiro. Apresente o padrão, o lote e as fotos. Muitos defeitos recorrentes vêm de um lote específico, e o fabricante costuma saber disso antes de você.
A conversa comercial, depois. Reposição imediata sem burocracia, ressarcimento do frete e desconto proporcional ao prejuízo. Pedir tudo junto na primeira conversa costuma travar as duas.
Peça prazo de resposta por escrito. Sem data, "vamos verificar" se estende por meses enquanto você continua trocando por conta própria.
Pergunte se houve alteração no produto. Troca de matéria-prima, mudança de fornecedor de componente ou nova linha de produção explicam a maioria dos casos que surgem do nada.
Registre tudo por escrito. Conversa por telefone que resolve hoje não serve de nada quando o problema voltar daqui a seis meses com outro interlocutor.

O que fazer enquanto o fabricante não resolve

O cliente não pode esperar a sua negociação.

Troque na hora, sem discutir. Cada dia de análise custa mais em relação do que o produto vale, e a demora é o que transforma defeito em reclamação pública.
Tenha estoque de reposição daquele item. Se você sabe que vai dar defeito, tratar isso como custo previsto é melhor que tratar como emergência toda vez.
Avise quem já comprou, se o defeito for grave. Antecipar é caro no curto prazo e é o que preserva a relação com quem ainda não percebeu o problema.
Não venda o mesmo lote enquanto investiga. Continuar escoando estoque suspeito multiplica o problema e depois fica difícil explicar.
Padronize a resposta da equipe. Sem roteiro, cada atendente resolve de um jeito e o cliente descobre nas redes que existe tratamento diferente.

Quando tirar o produto de linha

Chega um ponto em que insistir custa mais que a receita que ele traz.

Quando a taxa não cai depois de acionar o fabricante. Uma conversa que não muda o índice em dois ou três meses indica que o problema é do produto, não do lote.
Quando o defeito atinge a sua reputação, não só a margem. Avaliação ruim mencionando o item é sinal de que o custo já saiu do financeiro.
Quando existe substituto viável. Tirar de linha sem alternativa deixa um buraco na oferta, e às vezes o substituto pior é melhor que o defeituoso.
Quando o item é acessório e não âncora. Produto secundário sai fácil; produto que traz gente para a loja exige transição planejada.
Decida com a planilha, não com o último caso. A reclamação de ontem pesa mais na memória do que merece, e a planilha corrige essa distorção.

Como isso muda por tipo de negócio

O tamanho do estrago depende de quanto o defeito interfere na vida do cliente.

Peça técnica e reposição. Aqui o defeito para uma máquina, e o prejuízo do cliente é muito maior que o preço da peça. É o cenário que mais exige troca imediata.
Material de construção. O defeito costuma aparecer depois de aplicado, e o custo de refazer o serviço supera em muito o valor do material.
Eletrônico e eletrodoméstico. O cliente conhece o prazo de garantia e cobra com precisão, e a assistência autorizada vira parte do problema quando demora.
Vestuário e calçado. Defeito de costura ou de cola aparece em semanas, o valor é baixo e trocar sem discussão costuma sair mais barato que analisar.
Alimento e cosmético. Aqui o risco não é comercial, é sanitário, e a resposta precisa ser imediata e documentada.

O que dizer a quem está com o produto defeituoso

Resolva antes de explicar

A troca primeiro, o motivo depois. Explicação antes de solução soa a desculpa.

Não culpe o fabricante na frente dele

Quem escolheu o fornecedor foi você, e transferir culpa enfraquece os dois.

Diga o prazo real

Prazo apertado que não se cumpre transforma um problema em dois.

Volte depois para confirmar

Uma mensagem perguntando se ficou bom recupera boa parte da confiança perdida.

Por que tanta gente continua vendendo mesmo assim

Vale nomear os motivos, porque eles são razoáveis e enganam.

O primeiro é que o produto vende. Um item com boa saída e defeito ocasional aparece nos relatórios como sucesso, porque a receita é visível e o custo do defeito está espalhado em atendimento, frete e tempo. O segundo é a relação com o fabricante: quem representa uma marca há anos tem outros produtos na mesma linha e teme que reclamar demais atrapalhe o conjunto, o desconto ou a exclusividade. O terceiro é o mais humano de todos: trocar de fornecedor dá trabalho, exige homologar substituto, refazer material e reeducar a equipe, e sempre parece que dá para deixar para o próximo trimestre.

Nenhum desses motivos é irracional, e é justamente por isso que o problema se arrasta. A saída não é decidir no impulso da reclamação mais recente, e sim ter o número na mão. Uma planilha simples com data, lote e prejuízo transforma uma discussão de sensação em uma conta objetiva, e a conta costuma decidir sozinha. Na maioria dos casos que se arrastam por mais de um ano, o dono já sabia a resposta e faltava o argumento para justificar a mudança para si mesmo.

Sobre garantia, responsabilidade e prazo

Vale conhecer os contornos, sem tratar isto como orientação jurídica.

Na legislação brasileira de defesa do consumidor, fornecedor e fabricante respondem de forma solidária pelo vício do produto, o que significa que o consumidor pode escolher contra quem reclamar, e ele quase sempre escolhe quem vendeu. Existe prazo legal para reclamar de vício aparente e de vício oculto, contado de forma diferente, e existe também o prazo que o fornecedor tem para sanar o problema — em regra trinta dias — após o qual o consumidor pode exigir substituição, devolução do valor ou abatimento do preço, à escolha dele. Isso vale independentemente do que a garantia contratual do fabricante disser, porque a garantia legal é um mínimo que não se afasta por contrato.

Do seu lado, quem paga a conta primeiro pode buscar ressarcimento do fabricante depois, e é aí que a documentação importa: notas, registro de ocorrências, lote e comunicação por escrito são o que sustenta esse pedido. Quando o defeito é de fabricação e há risco à saúde ou à segurança, existe dever de comunicar as autoridades e os consumidores, com regras próprias de recolhimento. Vale ainda lembrar que o prazo para você reclamar com o seu fornecedor é uma relação comercial entre empresas, com regras diferentes das aplicadas ao consumidor final, e costuma estar no contrato de distribuição. Como o enquadramento depende do tipo de vício e do que está escrito, converse com um advogado quando o prejuízo acumulado justificar cobrança formal.

Como escolher o substituto sem repetir o erro

Trocar de fornecedor resolve pouco se a escolha seguir o mesmo critério de antes.

Pergunte a taxa de retorno antes de fechar. Fabricante sério tem esse número e informa. Quem desconversa sobre índice de garantia está dizendo alguma coisa.
Teste com volume pequeno primeiro. Um lote reduzido por dois ou três meses revela mais que qualquer catálogo, e o custo de errar fica contido.
Combine a política de troca por escrito, antes. Prazo de reposição, quem paga o frete e o que acontece com defeito de lote. Depois do problema, tudo é negociação.
Converse com outro revendedor da marca. Quem já vende há dois anos sabe o que acontece quando dá problema, e essa informação não está em nenhuma proposta.
Não escolha só por preço de compra. A diferença de alguns por cento no custo desaparece na primeira leva de trocas, e foi assim que o problema atual começou.

O defeito recorrente tem um efeito que quase ninguém mede: ele muda o comportamento da sua própria equipe. Quem atende passa a vender aquele item com ressalva, a evitar recomendá-lo e a antecipar problema na hora da venda, e isso derruba a conversão sem que apareça em relatório nenhum. Em alguns casos o produto continua no estoque, continua ocupando prateleira e simplesmente parou de ser oferecido, porque ninguém quer lidar com a devolução depois. Vale perguntar ao time antes de decidir: eles costumam saber há mais tempo que você.

O que muda na venda daquele item

Explique o uso correto na venda

Parte dos defeitos recorrentes some quando a instrução vai junto.

Registre a data da compra

Sem isso a garantia vira discussão de memória contra memória.

Ofereça a alternativa mais cara

Quem entende o motivo costuma escolher pagar mais para não ter dor de cabeça.

Não prometa o que não controla

Garantir durabilidade de um item que falha é criar a reclamação futura.

Quando vale chamar alguém

A planilha de ocorrências e a conversa com o fabricante são trabalho seu, e ninguém tem esses dados além de você.

Vale trazer ajuda para lidar com a reputação depois que o defeito já virou avaliação pública. Quando o erro foi da sua operação e não do produto, o roteiro está em errei com um cliente. No caso de o problema ser atraso e não defeito, leia fornecedor atrasa e eu levo a bronca. Quando a diferença aparece na contagem, veja meu estoque não bate.

Como decidir o que fazer com um produto de defeito recorrente

  1. Calcular a taxa de retorno daquele item no ano Quantos vendeu e quantos voltaram, sem depender de sensação.
  2. Comparar a taxa com a margem do produto Se o retorno consome a margem, você paga para vender.
  3. Registrar cada ocorrência com data e número do lote O lote é o que transforma reclamação em caso rastreável.
  4. Fotografar o defeito em toda troca Padrão visual repetido é o argumento mais forte com o fabricante.
  5. Somar o prejuízo acumulado em dinheiro Valor consolidado muda a disposição do outro lado em resolver.
  6. Fazer a conversa técnica antes da comercial Pedir tudo junto na primeira conversa costuma travar as duas.
  7. Exigir prazo de resposta por escrito Sem data, 'vamos verificar' se estende por meses.
  8. Trocar para o cliente na hora, sem análise prévia Cada dia de espera custa mais em relação que o produto vale.
  9. Parar de vender o lote suspeito durante a investigação Escoar estoque suspeito multiplica o problema.
  10. Decidir tirar de linha pela planilha, não pelo último caso A reclamação recente pesa mais na memória do que merece.
Cleber Barbosa, consultor de marketing digital em Ribeirão Preto
Autor
Cleber Barbosa
Consultor de Marketing Digital, SEO e Tráfego Pago — Ribeirão Preto, SP

Vinte anos de marketing digital e 43 cases documentados. Trabalho com SEO técnico, tráfego pago, growth hacking e IA aplicada a negócios. O cliente não comprou do fabricante: comprou de você, e é assim que ele lê a situação. Escrevo estes roteiros com o que aplico em diagnóstico real.

Sobre o autor
Perguntas frequentes

Dúvidas sobre produto que dá defeito

Posso dizer que o defeito é do fabricante?

É verdade e não resolve. O cliente comprou de você, e transferir a culpa enfraquece a sua posição sem tirar o problema dele.

Qual número preciso ter?

A taxa de retorno daquele item no ano, comparada com a margem dele. Se o retorno consome a margem, você paga para vender.

Como reclamo com o fabricante?

Com data, lote, fotos e prejuízo somado. A conversa técnica vem primeiro; a comercial, depois. Pedir tudo junto costuma travar as duas.

Devo trocar antes de o fabricante responder?

Sim. Cada dia de análise custa mais em relação do que o produto vale, e a demora é o que gera reclamação pública.

Quando tiro o produto de linha?

Quando a taxa não cai depois de acionar o fabricante, ou quando o defeito já aparece em avaliação pública citando o item.

Quem responde legalmente pelo defeito?

Fornecedor e fabricante respondem de forma solidária, e o consumidor escolhe contra quem reclamar. Quase sempre escolhe quem vendeu.

Quantos daquele item voltaram no último ano?

Se o número não existe, a decisão está sendo tomada pela reclamação mais recente.

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