Meu fornecedor atrasou e quem leva a bronca sou eu

O material não chegou na data, a peça não veio do fabricante, o parceiro simplesmente não entregou. Para o seu cliente nada disso existe: ele contratou você, e qualquer explicação sobre a cadeia de fornecimento soa como desculpa pronta.

Falar sobre a minha cadeia
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coisas a fazer antes de avisar o cliente
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fornecedores que atrasam e ninguém troca
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clientes que aceitam a cadeia como problema deles
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frase que transforma explicação em desculpa

A frase que transforma explicação em desculpa

"O fornecedor atrasou." Dita sozinha, sem mais nada em volta, ela comunica que o problema é de outra pessoa e que você perdeu o controle da própria entrega. O cliente não contratou a sua cadeia de fornecimento: ele contratou você, e escolher bem o fornecedor faz parte daquilo que ele comprou.

A mesmíssima informação, dita depois de uma data nova e de uma solução apresentada, deixa de ser desculpa e passa a ser apenas contexto.

A ordem que muda tudo: primeiro a nova data, depois o que você já fez para resolver, e só então o motivo, se ele ainda for relevante. Quem começa pelo motivo está pedindo compreensão antes de oferecer solução, e é isso que soa como fuga. Quem começa pela data nova está assumindo a entrega, mesmo quando o erro não foi seu.

As três coisas antes de avisar

Confirme a nova data com o fornecedor. Avisar o cliente sem ter a data confirmada gera um segundo aviso de atraso poucos dias depois, e é esse segundo que quebra a confiança de vez.
Procure uma alternativa antes de ligar. Um outro fornecedor, um produto equivalente ou uma entrega parcial do que já chegou. Chegar com uma opção na mão muda completamente o tom da conversa.
Avise antes de o cliente perguntar. Quem descobre o atraso sozinho, no dia da entrega, já perdeu a confiança; quem foi avisado antes continua do seu lado.

Quando o fornecedor é uma pessoa, não uma empresa

Parceiro, subcontratado e freelancer atrasam por motivos diferentes de uma fábrica.

Costuma ser excesso de trabalho, não descaso. Quem trabalha sozinho costuma aceitar demais e descobrir tarde que não cabe, e a conversa que resolve isso é sobre capacidade, não sobre compromisso.
Pergunte a agenda antes de fechar. Saber o que ele já tem na fila daquela semana evita o atraso muito melhor que qualquer cobrança feita depois.
Cheque no meio do caminho, não no fim. Uma mensagem enviada na metade do prazo ainda dá tempo de reagir; a mesma mensagem na véspera apenas antecipa a má notícia em um dia.
Cuidado com o preço baixo demais. Quem cobrou pouco demais acaba entregando por último no dia em que aparece um trabalho melhor pago, e isso é totalmente previsível.
Não faça dele o rosto do problema. Colocar o parceiro para explicar o atraso diretamente ao seu cliente transfere a relação para ele, e às vezes essa relação não volta mais.

O que não fazer na hora do aviso

A reação instintiva costuma piorar uma situação que já era ruim.

Não repasse a irritação. Contar ao cliente que você está bravo com o fornecedor pede que ele administre o seu sentimento, justamente quando ele já está administrando o próprio prejuízo.
Não prometa a data que você quer. Um prazo otimista dado sob pressão vira o segundo atraso da história, e esse segundo custa muito mais caro que o primeiro.
Não suma até ter boa notícia. O silêncio durante o tempo em que você procura a solução é lido como descaso puro, e é o erro mais comum justamente de quem está correndo para resolver.
Não deixe o cliente falar direto com o fornecedor. Parece transparência à primeira vista e coloca você na pior posição possível: a de quem não tem controle nem informação sobre a própria entrega.
Não minimize o impacto. Dizer que "é só mais uma semana" para quem tinha uma data marcada no calendário é exatamente a frase que transforma um atraso em reclamação pública.

O cliente lembra da condução, não do atraso: quase todo mundo já esperou por alguma coisa e não guarda mágoa disso. O que fica mesmo na memória é ter descoberto sozinho, ter recebido três datas diferentes ao longo do processo ou ter precisado cobrar para saber de alguma coisa. Uma entrega atrasada e bem conduzida costuma render mais confiança que uma entrega dentro do prazo feita sem contato nenhum, porque ela mostra ao cliente como você se comporta quando alguma coisa dá errado, que é justamente o que ele quer saber antes de contratar de novo.

Como recuperar depois

Cumpra a segunda data

Nada mais do que você fizer importa se a segunda data também furar. Prometa com folga de verdade.

Avise quando chegar

Fechar o ciclo com um aviso simples de que chegou encerra a tensão que ficou no ar.

Ofereça algo se houve prejuízo

Ofereça só nesse caso específico, e depois de entregar, nunca antes como moeda de troca por silêncio.

Diga o que mudou no processo

O cliente que ouve qual foi a correção feita no processo volta a comprar; quem ouve apenas desculpa, não volta.

O primeiro passo

Ligue para o fornecedor primeiro. Data confirmada.
Procure uma alternativa. Antes de avisar.
Avise começando pela data nova. Não pelo motivo.
Anote a promessa e o cumprimento. Comece hoje.
Ative um segundo fornecedor. Com pedido pequeno.

Os dois fornecedores que atrasam e ninguém troca

Quase todo negócio tem um, e a permanência dele tem explicação.

O que é o mais barato. A economia obtida em cada pedido é bem visível, e o custo do atraso não é. Somar as horas de retrabalho e as vendas perdidas costuma inverter completamente essa conta.
O que é o único que faz aquilo. Nesse caso não existe escolha imediata, e a saída é buscar a alternativa antes de precisar dela, e não no meio da crise.
Meça em vez de reclamar. Anote a data prometida e a data efetivamente cumprida durante três meses seguidos. Uma planilha simples encerra uma discussão que costuma durar anos.
Mostre o número a ele. Um fornecedor que enxerga o próprio índice de atraso costuma reagir de verdade, e essa é uma conversa bem diferente de reclamar por telefone.
Tenha o segundo pronto antes de brigar. Negociar sem ter nenhuma alternativa é pedir favor disfarçado de negociação, e os dois lados percebem isso na hora.

O prazo que você promete não é o prazo do fornecedor: quem repassa o prazo recebido sem folga transfere para o cliente um risco que não é dele. Se o fornecedor entrega em dez dias e você promete dez, qualquer imprevisto vira atraso seu. Trabalhar com uma margem, e comunicar essa margem como prazo, é o que separa quem cumpre de quem se explica. A folga não é desonestidade: é o reconhecimento de que a cadeia tem variação e de que quem assume a entrega assume a variação junto.

O que escrever no pedido ao fornecedor

Data, não prazo

Escrever "até o dia 12" é verificável por qualquer um; "em dez dias úteis" começa a contar num momento que ninguém sabe dizer.

O que acontece se atrasar

Sem nenhuma consequência escrita, o seu pedido é sempre o primeiro a ser adiado no dia em que ele apertar.

Aviso obrigatório de atraso

Exigir por escrito que ele comunique o atraso antes vale bem mais que uma multa que você nunca vai cobrar.

Confirmação por escrito

Combinado feito por telefone simplesmente não existe no dia em que você precisar dele.

Como isso muda por tipo de negócio

O tamanho do estrago depende de quanto o cliente depende da data.

Obra e reforma. Uma única peça atrasada trava a equipe inteira na obra, e o custo real é de dias parados, não do valor do item.
Comércio com estoque. Aqui o atraso vira venda perdida em silêncio: o cliente compra em outro lugar e você nunca fica sabendo que perdeu.
Produto para data marcada. É o pior caso de todos, porque simplesmente não existe entrega atrasada que ainda sirva. Aqui a margem de prazo precisa ser bem grande.
Serviço com subcontratado. O parceiro que não aparece no dia combinado é o fornecedor mais difícil de administrar, porque ele lida direto com o seu cliente.
Manutenção e reparo. O cliente está sem poder usar alguma coisa enquanto espera, e cada dia parado pesa muito mais que o preço da peça em si.

Como reduzir a exposição

A maior parte disso é decisão de compra, não de comunicação.

Tenha um segundo fornecedor ativo. Não apenas cadastrado: ativo mesmo, com pedidos pequenos e regulares. Um fornecedor que nunca te atendeu não vai atender bem na urgência.
Mantenha estoque do que trava tudo. Não de tudo, evidentemente: apenas daquele item barato cuja falta para a operação inteira.
Peça com antecedência maior nos períodos de pico. Todo fornecedor atrasa mais quando o mercado inteiro pede ao mesmo tempo, e isso é perfeitamente previsível pelo calendário.
Prometa depois de confirmar. Fechar um prazo com o cliente antes de ter a confirmação do fornecedor é assumir voluntariamente um risco que dava para não assumir.
Concentre pedidos onde isso te dá prioridade. O cliente pequeno e disperso é sempre o primeiro a ser adiado; o cliente relevante e constante, não.

O que fazer quando vira padrão

Um atraso é acidente. Três no mesmo semestre é o seu processo.

Pare de tratar como imprevisto. Aquilo que se repete deixou de ser imprevisto: virou a condição normal da sua operação, e o prazo que você promete precisa refletir essa realidade.
Reveja o prazo padrão que você anuncia. Prometer o prazo bom e entregar o prazo real gera reclamação constante mesmo numa operação que funciona bem.
Decida se troca ou se acomoda o custo. As duas são decisões perfeitamente legítimas. O que não funciona é seguir irritado durante anos com um fornecedor que você já sabe que não vai trocar.
Se for trocar, faça com sobreposição. Testar o fornecedor novo enquanto o antigo ainda atende evita você substituir um problema conhecido por outro que pode ser pior.
Avise a equipe do novo prazo padrão. Quem atende o cliente precisa conhecer o prazo real, ou vai continuar prometendo o prazo antigo por meses.

Sobre responsabilidade na cadeia

Vale conhecer os contornos, sem tratar isto como orientação jurídica.

Na relação de consumo, o fornecedor perante o consumidor é quem vendeu ou prestou o serviço, e a legislação brasileira prevê responsabilidade solidária entre os integrantes da cadeia. Na prática isso significa que o seu cliente pode cobrar de você integralmente, sem precisar discutir de quem foi a falha, e que a alegação de culpa de terceiro tem alcance limitado como defesa. O seu direito de regresso contra quem causou o atraso existe, mas ele é uma segunda relação, separada, que corre entre você e o fornecedor e não interfere na primeira.

Do lado do contrato de fornecimento, o que define a sua posição é o que está escrito no pedido: prazo com data, multa por atraso, obrigação de comunicar e condições de cancelamento. Pedido feito por mensagem, sem prazo formal, deixa você sem base para cobrar qualquer coisa. Vale também observar que descumprimento de prazo em venda ao consumidor tem consequências previstas, que incluem exigir o cumprimento, aceitar outro produto equivalente ou desfazer o negócio com devolução, à escolha de quem comprou. Como o desfecho depende do tipo de operação, do que foi combinado e do porte dos envolvidos, converse com um advogado antes de formalizar cobrança ou alterar os seus termos de venda.

Quando vale chamar alguém

Reorganizar a comunicação com o cliente é trabalho seu, e depende de conhecer o próprio processo.

Vale trazer ajuda quando o problema é depender de fornecedor único. Se o atraso foi seu e não de terceiro, leia atrasei a entrega e o cliente está esperando. E se a dependência é de uma plataforma, leia dependo de uma plataforma. Quando a parada é de máquina própria, leia dependo de um equipamento que pode quebrar.

Quando quem falha é o executor terceirizado, leia quem instala não é meu funcionário. Se o problema é defeito e não atraso, leia produto que vendo dá defeito sempre.

Como conduzir um atraso causado por terceiro

  1. Confirmar a nova data com o fornecedor antes de avisar Um segundo aviso de atraso quebra mais que o primeiro.
  2. Procurar uma alternativa antes de ligar para o cliente Chegar com opção muda completamente a conversa.
  3. Avisar antes de o cliente perguntar Quem descobre sozinho já perdeu a confiança.
  4. Começar pela nova data, não pelo motivo Quem começa pelo motivo pede compreensão antes de oferecer solução.
  5. Anotar data prometida e data cumprida por três meses Uma planilha simples encerra a discussão que dura anos.
  6. Mostrar o índice de atraso ao próprio fornecedor É conversa bem diferente de reclamar por telefone.
  7. Pedir sempre com data, nunca com prazo em dias 'Até dia 12' é verificável; 'dez dias úteis' não.
  8. Trabalhar com margem entre o prazo dele e o seu Repassar o prazo recebido transfere ao cliente um risco que não é dele.
  9. Manter um segundo fornecedor ativo, com pedidos regulares Fornecedor que nunca te atendeu não atende na urgência.
  10. Revisar o prazo padrão anunciado quando o atraso vira rotina O que se repete não é imprevisto: é a condição normal.
Cleber Barbosa, consultor de marketing digital em Ribeirão Preto
Autor
Cleber Barbosa
Consultor de Marketing Digital, SEO e Tráfego Pago — Ribeirão Preto, SP

Vinte anos de marketing digital e 43 cases documentados. Trabalho com SEO técnico, tráfego pago, growth hacking e IA aplicada a negócios. O cliente não contratou a sua cadeia: escolher fornecedor faz parte do que ele comprou.

Sobre o autor
Perguntas frequentes

Dúvidas sobre atraso de fornecedor

Posso dizer que a culpa é do fornecedor?

Dita sozinha, a frase soa como fuga. Dita depois da nova data e da solução, vira contexto e é bem recebida.

Aviso antes ou espero?

Antes, sempre. Quem descobre o atraso sozinho, no dia da entrega, já perdeu a confiança; quem foi avisado antes continua do seu lado.

E se eu não souber a nova data?

Confirme com o fornecedor antes de falar. Um segundo aviso de atraso quebra mais que o primeiro.

Cabe abater alguma coisa?

Só se o atraso causou prejuízo real. Desconto oferecido cedo demais compra silêncio e ensina que atraso rende desconto.

Posso cobrar do fornecedor?

Depende do que está no contrato ou no pedido. Sem prazo e multa escritos, a conversa fica sem apoio.

Quem responde perante o cliente?

Você, na relação de consumo. O fornecedor responde perante você, e são duas relações separadas.

Quantas vezes esse mesmo fornecedor já te atrasou?

Se você soube responder isso de cabeça, sem precisar consultar nada, o problema já deixou de ser um episódio isolado faz tempo.

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