Site novo que derruba o tráfego é a situação mais comum e mais evitável desse processo. O que protege não é escolher o fornecedor certo — é definir antes o que não pode ser perdido.
Falar sobre essa reformaO cenário que se repete: o site novo fica bonito, todo mundo aprova, sobe no ar — e três semanas depois o tráfego caiu pela metade. Ninguém entende, porque o site "está melhor". O que aconteceu é quase sempre a mesma coisa: os endereços mudaram e ninguém disse ao Google para onde eles foram. É o erro mais caro e o mais simples de evitar.
Vale gastar dois parágrafos aqui porque boa parte dos projetos de site novo não se justifica.
Refazer se justifica quando a versão móvel é inutilizável, quando ninguém consegue alterar conteúdo sem depender de um desenvolvedor específico, quando a estrutura impede criar páginas novas, ou quando o que você vende hoje é diferente do que o site descreve.
Aparência datada não entra nessa lista. Ela pede atualização visual, que custa uma fração e não carrega nenhum dos riscos deste texto. Se a sua motivação principal é que o site "está com cara de antigo", o roteiro que separa as duas coisas está em como avaliar sem achismo.
Todo site em funcionamento acumula ativos invisíveis. Eles não aparecem no projeto e somem sem aviso.
Cada endereço que já existe pode ter links apontando para ele, estar indexado, aparecer em resultados de busca e ter histórico acumulado. Quando ele deixa de existir, tudo isso vai junto.
A regra é simples e inegociável: nenhuma URL deve morrer. Se o endereço muda, o antigo precisa redirecionar permanentemente para o novo equivalente. Se a página deixa de existir, ela redireciona para a mais próxima em assunto — nunca para a home genérica.
Textos longos, páginas antigas e artigos que ninguém lembra de ter escrito frequentemente são justamente os que trazem tráfego. Num projeto novo, eles são os primeiros a serem cortados por não caberem no layout.
Antes de decidir o que fica, tire a lista das páginas que recebem tráfego no Search Console. Elas têm prioridade sobre qualquer preferência estética.
O caminho pelo qual as pessoas chegavam ao contato, o formulário que funcionava, o texto que gerava resposta. Se ninguém mediu, ninguém sabe o que estava dando certo — e o site novo recomeça do zero.
Registre, antes de qualquer mudança: quantos contatos por mês, por qual canal, vindos de quais páginas. Sem esse retrato, você não vai conseguir dizer se o site novo melhorou ou piorou.
Faça o retrato antes de começar. Impressões, cliques, posição média, visitas, contatos por mês, e a lista das vinte páginas mais acessadas. Cinco minutos de trabalho que se tornam a única forma de avaliar o resultado depois — e a ausência disso é o motivo pelo qual tanta gente não sabe dizer se o site novo funcionou.
A qualidade do que você recebe depende bastante da clareza do que você pede. Um pedido bem escrito cabe em uma página e evita boa parte dos problemas.
Seis perguntas separam quem entrega de quem vende. Todas têm resposta certa reconhecível.
A resposta precisa mencionar mapeamento de URLs e redirecionamento permanente. Se a pessoa hesita ou diz que "o Google se ajusta sozinho", encerre a conversa aí.
Se a resposta é "nos chame que a gente altera", você está contratando dependência junto com o site. Cada ajuste futuro vira orçamento e espera.
Quem trata isso como detalhe de acabamento vai entregar um site pesado. A resposta boa menciona compressão de imagem e o que carrega primeiro.
Quem não pede nada vai entregar template com o seu logotipo. Bom fornecedor precisa dos seus textos, das suas informações e do seu tempo.
Se ninguém escreve, você vai receber um site bonito com conteúdo genérico — e conteúdo é o que ranqueia e converte. Defina isso antes, não no meio.
Domínio, hospedagem, acesso ao painel e ao código. Se algo disso fica no nome do fornecedor, sair dele depois vira negociação.
Proposta que não menciona os endereços atuais. Prazo muito curto para o escopo prometido. Preço fechado sem nenhuma pergunta sobre o seu negócio. Promessa de posição no Google incluída no pacote. Nenhuma menção a quem produz o conteúdo.
Nenhum desses itens é sobre competência técnica. São sobre o que o fornecedor considera importante — e isso prevê o resultado melhor que o portfólio.
Esta lista é o que separa uma migração tranquila de um mês de prejuízo. Peça para ser feita e confira você mesmo.
Subir não é terminar. O período seguinte é onde os problemas aparecem, e eles são reversíveis se detectados cedo.
Verifique erros de página não encontrada no Search Console e nos registros do servidor. Cada um é um redirecionamento que faltou, e corrigir na primeira semana evita perda acumulada.
Acompanhe impressões e cliques diariamente. Alguma oscilação é normal durante o reconhecimento. Queda superior a um terço, sustentada por mais de uma semana, indica problema e não adaptação.
Compare com o retrato de antes. Impressões, cliques, posição média e contatos. É aqui que o retrato inicial se paga — sem ele, você tem apenas impressões sobre o resultado.
Migração bem feita produz oscilação de duas a quatro semanas e depois retorna ao patamar anterior, frequentemente acima dele. Migração mal feita produz queda que não recupera sozinha — ela só melhora quando alguém encontra e corrige os redirecionamentos que faltaram.
Se passaram seis semanas e o tráfego continua abaixo, não é adaptação. É problema, e ele tem endereço.
A boa notícia é que esse tipo de perda é reversível. Redirecionamento que faltou pode ser criado depois, e o histórico da página antiga volta a ser transferido — só que o tempo em que ele ficou perdido não se recupera.
Reuniões de projeto de site gastam a maior parte do tempo em cor, fonte e disposição de elementos. As decisões que realmente determinam se o site vai funcionar são outras, e costumam ser tomadas por omissão.
Uma página que descreve todos os serviços ranqueia e converte menos que uma por serviço. Essa decisão define o teto de visibilidade do site inteiro, e é tratada como detalhe de organização.
Se ficar indefinido, o resultado é texto genérico produzido por quem não conhece o negócio. É a causa mais comum de site bonito que não diz nada — e ela se decide no orçamento, não no projeto.
Site que não permite acrescentar conteúdo trava o crescimento em busca. Você descobre isso seis meses depois, quando quiser publicar algo e não conseguir.
Manter, reescrever ou descartar. Se ninguém decidir, o padrão é descartar — e sai junto o que estava trazendo visita.
Vale levar essas quatro para a primeira reunião, por escrito. Elas custam quinze minutos de conversa e definem mais resultado que todo o resto da pauta.
O valor do projeto é a parte visível. Três custos reais costumam ficar de fora e valem ser previstos.
Sobre o momento de trocar: evite subir site novo às vésperas do período mais forte do seu ano. A oscilação é esperada e normalmente inofensiva, mas ela cai justamente sobre as semanas em que você menos pode perder movimento. Trocar na baixa temporada custa o mesmo e arrisca bem menos.
Refazer não precisa ser tudo de uma vez. Existe um caminho intermediário que reduz risco e custo.
Trocar apenas o visual mantendo estrutura e endereços elimina praticamente todo o risco de perda de tráfego, custa uma fração e resolve a maior parte das queixas estéticas. Depois, com o site já atualizado, dá para reescrever e criar páginas novas aos poucos.
A objeção é que fica menos impressionante como projeto. É verdade — e é justamente por isso que quem vende site raramente propõe essa alternativa. Vale você considerá-la antes de aprovar um projeto completo.
Situação mais comum do que parece: o site foi feito anos atrás, quem fez não responde mais, e ninguém na empresa sabe onde está o domínio nem quem tem o painel.
Resolva isso antes de iniciar qualquer projeto, e não durante. Localizar o registro do domínio, recuperar o acesso ao painel e transferir tudo para o seu nome é trabalho burocrático que pode levar semanas — e descobrir a pendência no meio da migração trava o projeto no pior momento.
Vale a mesma checagem para o Search Console e o Analytics. Perder o histórico deles junto com o site significa perder a única base de comparação que você teria depois.
O retrato inicial, o pedido escrito e as seis perguntas ao fornecedor você faz sozinho. Concentram boa parte da proteção e não exigem consultor.
Vale trazer ajuda quando o site tem muitas páginas e o mapeamento de endereços fica complexo, ou quando a migração já aconteceu e o tráfego caiu — porque nesse caso é preciso reconstruir o que se perdeu, e cada semana sem correção acumula perda. O roteiro para o segundo caso está em como achar a causa em 48 horas, e a verificação estrutural completa em uma auditoria de SEO.
Vinte anos de marketing digital e 43 cases documentados. Trabalho com SEO técnico, tráfego pago, growth hacking e IA aplicada a negócios. A primeira coisa que peço antes de qualquer projeto de site novo é o retrato dos números atuais — porque sem ele ninguém consegue dizer, depois, se o que ficou pronto melhorou alguma coisa.
Sobre o autorSó se os endereços mudarem sem redirecionamento. Com o mapeamento feito corretamente, a oscilação dura de duas a quatro semanas e o patamar retorna. Sem ele, a queda é real e não se recupera sozinha.
Pode, desde que cada endereço antigo redirecione permanentemente para o novo. Mas pergunte-se qual o ganho: URL mais curta rende pouco e o risco é concreto. Se não há motivo forte, manter é a decisão mais segura.
Não. Tire a lista das páginas que recebem tráfego antes de decidir. As que trazem visita têm prioridade sobre preferência estética — e reescrever o que estava funcionando é a forma mais comum de perder posição sem perceber.
De duas a quatro semanas quando a migração foi bem feita. Se passaram seis semanas e o tráfego continua abaixo do anterior, não é adaptação — é problema, e normalmente são redirecionamentos que faltaram.
Costuma valer. Manter estrutura e endereços elimina quase todo o risco de perda, custa bem menos e resolve a maior parte das queixas estéticas. É a alternativa que quem vende site raramente propõe, porque impressiona menos como projeto.
Não. Domínio, hospedagem e acessos devem estar no seu nome. Se ficam com o fornecedor, sair dele depois vira negociação — e você descobre isso justamente no momento em que quer trocar.
Cada semana sem corrigir os redirecionamentos que faltaram acumula perda — e a correção é possível.