Vou refazer meu site: como conduzir sem perder o que já funciona

Site novo que derruba o tráfego é a situação mais comum e mais evitável desse processo. O que protege não é escolher o fornecedor certo — é definir antes o que não pode ser perdido.

Falar sobre essa reforma
30
dias de monitoramento
0
URLs devem morrer
1
erro derruba tudo
3
coisas a preservar

O cenário que se repete: o site novo fica bonito, todo mundo aprova, sobe no ar — e três semanas depois o tráfego caiu pela metade. Ninguém entende, porque o site "está melhor". O que aconteceu é quase sempre a mesma coisa: os endereços mudaram e ninguém disse ao Google para onde eles foram. É o erro mais caro e o mais simples de evitar.

Antes: confirme que é mesmo necessário

Vale gastar dois parágrafos aqui porque boa parte dos projetos de site novo não se justifica.

Refazer se justifica quando a versão móvel é inutilizável, quando ninguém consegue alterar conteúdo sem depender de um desenvolvedor específico, quando a estrutura impede criar páginas novas, ou quando o que você vende hoje é diferente do que o site descreve.

Aparência datada não entra nessa lista. Ela pede atualização visual, que custa uma fração e não carrega nenhum dos riscos deste texto. Se a sua motivação principal é que o site "está com cara de antigo", o roteiro que separa as duas coisas está em como avaliar sem achismo.

As três coisas que não podem ser perdidas

Todo site em funcionamento acumula ativos invisíveis. Eles não aparecem no projeto e somem sem aviso.

01
Os endereços das páginas
O ativo mais valioso e o mais descartado
Perda irreversível se ignorado

Cada endereço que já existe pode ter links apontando para ele, estar indexado, aparecer em resultados de busca e ter histórico acumulado. Quando ele deixa de existir, tudo isso vai junto.

A regra é simples e inegociável: nenhuma URL deve morrer. Se o endereço muda, o antigo precisa redirecionar permanentemente para o novo equivalente. Se a página deixa de existir, ela redireciona para a mais próxima em assunto — nunca para a home genérica.

02
O conteúdo que está ranqueando
Costuma ser descartado por parecer feio
Verifique antes de reescrever

Textos longos, páginas antigas e artigos que ninguém lembra de ter escrito frequentemente são justamente os que trazem tráfego. Num projeto novo, eles são os primeiros a serem cortados por não caberem no layout.

Antes de decidir o que fica, tire a lista das páginas que recebem tráfego no Search Console. Elas têm prioridade sobre qualquer preferência estética.

03
O que já convertia
Elementos que ninguém sabe que funcionavam
Documente antes

O caminho pelo qual as pessoas chegavam ao contato, o formulário que funcionava, o texto que gerava resposta. Se ninguém mediu, ninguém sabe o que estava dando certo — e o site novo recomeça do zero.

Registre, antes de qualquer mudança: quantos contatos por mês, por qual canal, vindos de quais páginas. Sem esse retrato, você não vai conseguir dizer se o site novo melhorou ou piorou.

Faça o retrato antes de começar. Impressões, cliques, posição média, visitas, contatos por mês, e a lista das vinte páginas mais acessadas. Cinco minutos de trabalho que se tornam a única forma de avaliar o resultado depois — e a ausência disso é o motivo pelo qual tanta gente não sabe dizer se o site novo funcionou.

O que escrever no pedido

A qualidade do que você recebe depende bastante da clareza do que você pede. Um pedido bem escrito cabe em uma página e evita boa parte dos problemas.

O objetivo do site, em uma frase. Gerar contato, explicar antes da reunião, sustentar indicação, atrair por busca. Cada objetivo produz um site diferente.
Quem é o visitante. Perfil, o que ele procura, que dúvidas tem. Sem isso, quem constrói decide por conta.
A lista de páginas que devem existir. Uma por serviço, no mínimo. Página que fala de tudo ranqueia e converte menos.
A exigência de preservar os endereços. Escrita, no pedido, com a palavra "redirecionamento permanente". É o item que mais se esquece e o que mais custa.
Quem vai poder editar depois. Se você precisa mudar um texto sem chamar ninguém, isso muda a escolha da tecnologia.
Como o resultado será avaliado. Contatos por mês, não elogios ao visual.

Como escolher quem vai fazer

Seis perguntas separam quem entrega de quem vende. Todas têm resposta certa reconhecível.

"Como vocês tratam os endereços atuais?"

A resposta precisa mencionar mapeamento de URLs e redirecionamento permanente. Se a pessoa hesita ou diz que "o Google se ajusta sozinho", encerre a conversa aí.

"Quem vai poder editar o conteúdo depois?"

Se a resposta é "nos chame que a gente altera", você está contratando dependência junto com o site. Cada ajuste futuro vira orçamento e espera.

"Como fica a velocidade no celular?"

Quem trata isso como detalhe de acabamento vai entregar um site pesado. A resposta boa menciona compressão de imagem e o que carrega primeiro.

"O que vocês precisam de mim?"

Quem não pede nada vai entregar template com o seu logotipo. Bom fornecedor precisa dos seus textos, das suas informações e do seu tempo.

"Quem escreve os textos?"

Se ninguém escreve, você vai receber um site bonito com conteúdo genérico — e conteúdo é o que ranqueia e converte. Defina isso antes, não no meio.

"De quem é o site depois de pronto?"

Domínio, hospedagem, acesso ao painel e ao código. Se algo disso fica no nome do fornecedor, sair dele depois vira negociação.

Os sinais de alerta na proposta

Proposta que não menciona os endereços atuais. Prazo muito curto para o escopo prometido. Preço fechado sem nenhuma pergunta sobre o seu negócio. Promessa de posição no Google incluída no pacote. Nenhuma menção a quem produz o conteúdo.

Nenhum desses itens é sobre competência técnica. São sobre o que o fornecedor considera importante — e isso prevê o resultado melhor que o portfólio.

A verificação antes de subir

Esta lista é o que separa uma migração tranquila de um mês de prejuízo. Peça para ser feita e confira você mesmo.

A planilha de redirecionamento existe? Uma coluna com todos os endereços antigos, outra com o destino de cada um. Nenhuma linha vazia.
O ambiente de teste está bloqueado e o de produção não? O erro clássico é subir a versão de teste com a instrução de não indexar ainda ativa — e sumir do Google inteiro.
Os formulários foram testados de ponta a ponta? Do celular, fora da rede da empresa, com confirmação de que a mensagem chega.
A medição foi reinstalada? Analytics e tags de conversão costumam ficar para trás na migração, e você perde a capacidade de comparar justo quando mais precisa.
O certificado de segurança está ativo? Site novo sem cadeado derruba a visita antes de aparecer.
O mapa do site foi atualizado e reenviado? Ele avisa os buscadores dos endereços novos e acelera o reconhecimento.

Os trinta dias depois

Subir não é terminar. O período seguinte é onde os problemas aparecem, e eles são reversíveis se detectados cedo.

Primeiros 3 dias

Verifique erros de página não encontrada no Search Console e nos registros do servidor. Cada um é um redirecionamento que faltou, e corrigir na primeira semana evita perda acumulada.

Primeiras 2 semanas

Acompanhe impressões e cliques diariamente. Alguma oscilação é normal durante o reconhecimento. Queda superior a um terço, sustentada por mais de uma semana, indica problema e não adaptação.

Primeiro mês

Compare com o retrato de antes. Impressões, cliques, posição média e contatos. É aqui que o retrato inicial se paga — sem ele, você tem apenas impressões sobre o resultado.

Quanto tempo até normalizar

Migração bem feita produz oscilação de duas a quatro semanas e depois retorna ao patamar anterior, frequentemente acima dele. Migração mal feita produz queda que não recupera sozinha — ela só melhora quando alguém encontra e corrige os redirecionamentos que faltaram.

Se passaram seis semanas e o tráfego continua abaixo, não é adaptação. É problema, e ele tem endereço.

A boa notícia é que esse tipo de perda é reversível. Redirecionamento que faltou pode ser criado depois, e o histórico da página antiga volta a ser transferido — só que o tempo em que ele ficou perdido não se recupera.

As decisões que definem o resultado, e que ninguém discute

Reuniões de projeto de site gastam a maior parte do tempo em cor, fonte e disposição de elementos. As decisões que realmente determinam se o site vai funcionar são outras, e costumam ser tomadas por omissão.

Quantas páginas de serviço existirão

Uma página que descreve todos os serviços ranqueia e converte menos que uma por serviço. Essa decisão define o teto de visibilidade do site inteiro, e é tratada como detalhe de organização.

Quem escreve os textos

Se ficar indefinido, o resultado é texto genérico produzido por quem não conhece o negócio. É a causa mais comum de site bonito que não diz nada — e ela se decide no orçamento, não no projeto.

Se dá para criar páginas depois

Site que não permite acrescentar conteúdo trava o crescimento em busca. Você descobre isso seis meses depois, quando quiser publicar algo e não conseguir.

O que acontece com o conteúdo antigo

Manter, reescrever ou descartar. Se ninguém decidir, o padrão é descartar — e sai junto o que estava trazendo visita.

Vale levar essas quatro para a primeira reunião, por escrito. Elas custam quinze minutos de conversa e definem mais resultado que todo o resto da pauta.

O custo que não aparece no orçamento

O valor do projeto é a parte visível. Três custos reais costumam ficar de fora e valem ser previstos.

O seu tempo. Reunir informação, revisar, aprovar, fornecer textos e fotos. Projeto em que o cliente não participa produz site genérico, e participar consome horas ao longo de semanas.
O período de oscilação. Duas a quatro semanas de tráfego instável, mesmo com tudo certo. Se o seu negócio depende de volume constante, vale escolher um período de menor movimento para a troca.
O ajuste pós-lançamento. Nenhum site sai perfeito. Reserve orçamento e disponibilidade do fornecedor para as correções do primeiro mês, e deixe isso combinado no contrato em vez de descobrir depois.

Sobre o momento de trocar: evite subir site novo às vésperas do período mais forte do seu ano. A oscilação é esperada e normalmente inofensiva, mas ela cai justamente sobre as semanas em que você menos pode perder movimento. Trocar na baixa temporada custa o mesmo e arrisca bem menos.

A alternativa que quase ninguém considera

Refazer não precisa ser tudo de uma vez. Existe um caminho intermediário que reduz risco e custo.

Trocar apenas o visual mantendo estrutura e endereços elimina praticamente todo o risco de perda de tráfego, custa uma fração e resolve a maior parte das queixas estéticas. Depois, com o site já atualizado, dá para reescrever e criar páginas novas aos poucos.

A objeção é que fica menos impressionante como projeto. É verdade — e é justamente por isso que quem vende site raramente propõe essa alternativa. Vale você considerá-la antes de aprovar um projeto completo.

Quando você não tem os acessos

Situação mais comum do que parece: o site foi feito anos atrás, quem fez não responde mais, e ninguém na empresa sabe onde está o domínio nem quem tem o painel.

Resolva isso antes de iniciar qualquer projeto, e não durante. Localizar o registro do domínio, recuperar o acesso ao painel e transferir tudo para o seu nome é trabalho burocrático que pode levar semanas — e descobrir a pendência no meio da migração trava o projeto no pior momento.

Vale a mesma checagem para o Search Console e o Analytics. Perder o histórico deles junto com o site significa perder a única base de comparação que você teria depois.

Conduzir a migração sem perder posição

O retrato inicial, o pedido escrito e as seis perguntas ao fornecedor você faz sozinho. Concentram boa parte da proteção e não exigem consultor.

Vale trazer ajuda quando o site tem muitas páginas e o mapeamento de endereços fica complexo, ou quando a migração já aconteceu e o tráfego caiu — porque nesse caso é preciso reconstruir o que se perdeu, e cada semana sem correção acumula perda. O roteiro para o segundo caso está em como achar a causa em 48 horas, e a verificação estrutural completa em uma auditoria de SEO.

Como refazer um site sem perder tráfego e posicionamento

  1. Confirmar que refazer é mesmo necessário Aparência datada pede atualização visual, não reconstrução.
  2. Localizar domínio, painel e acessos de medição Recuperar isso no meio do projeto trava tudo no pior momento.
  3. Registrar o retrato dos números atuais Impressões, cliques, posição, visitas, contatos e as 20 páginas mais acessadas.
  4. Listar as páginas que recebem tráfego Elas têm prioridade sobre qualquer preferência estética.
  5. Decidir as quatro questões estruturais por escrito Quantas páginas de serviço, quem escreve, se dá para expandir, o que fica.
  6. Escrever o pedido em uma página Objetivo, visitante, páginas necessárias e exigência de preservar endereços.
  7. Fazer as seis perguntas ao fornecedor A primeira é como ele trata os endereços atuais.
  8. Exigir a planilha de redirecionamento Endereço antigo e destino de cada um, sem linha vazia.
  9. Escolher um período de menor movimento para subir A oscilação é esperada e não deve cair no seu pico.
  10. Verificar antes de subir Ambiente de teste bloqueado, formulários testados, medição reinstalada.
  11. Monitorar erros de página não encontrada nos primeiros dias Cada um é um redirecionamento que faltou.
  12. Comparar com o retrato inicial após trinta dias Sem ele você tem apenas impressões sobre o resultado.
Cleber Barbosa, consultor de marketing digital em Ribeirão Preto
Autor
Cleber Barbosa
Consultor de Marketing Digital, SEO e Tráfego Pago — Ribeirão Preto, SP

Vinte anos de marketing digital e 43 cases documentados. Trabalho com SEO técnico, tráfego pago, growth hacking e IA aplicada a negócios. A primeira coisa que peço antes de qualquer projeto de site novo é o retrato dos números atuais — porque sem ele ninguém consegue dizer, depois, se o que ficou pronto melhorou alguma coisa.

Sobre o autor
Perguntas frequentes

Dúvidas sobre refazer o site

Vou perder posição no Google se refizer o site?

Só se os endereços mudarem sem redirecionamento. Com o mapeamento feito corretamente, a oscilação dura de duas a quatro semanas e o patamar retorna. Sem ele, a queda é real e não se recupera sozinha.

Posso mudar as URLs para ficarem mais bonitas?

Pode, desde que cada endereço antigo redirecione permanentemente para o novo. Mas pergunte-se qual o ganho: URL mais curta rende pouco e o risco é concreto. Se não há motivo forte, manter é a decisão mais segura.

Preciso reescrever todo o conteúdo?

Não. Tire a lista das páginas que recebem tráfego antes de decidir. As que trazem visita têm prioridade sobre preferência estética — e reescrever o que estava funcionando é a forma mais comum de perder posição sem perceber.

Quanto tempo leva para o site novo estabilizar?

De duas a quatro semanas quando a migração foi bem feita. Se passaram seis semanas e o tráfego continua abaixo do anterior, não é adaptação — é problema, e normalmente são redirecionamentos que faltaram.

Vale trocar só o visual em vez de refazer tudo?

Costuma valer. Manter estrutura e endereços elimina quase todo o risco de perda, custa bem menos e resolve a maior parte das queixas estéticas. É a alternativa que quem vende site raramente propõe, porque impressiona menos como projeto.

O fornecedor deve ficar com o domínio e a hospedagem?

Não. Domínio, hospedagem e acessos devem estar no seu nome. Se ficam com o fornecedor, sair dele depois vira negociação — e você descobre isso justamente no momento em que quer trocar.

Já refez o site e o tráfego caiu?

Cada semana sem corrigir os redirecionamentos que faltaram acumula perda — e a correção é possível.

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