"Bom" não existe em abstrato. Um site é bom em relação ao que ele deveria fazer — e quase ninguém escreveu isso antes de mandar construir. Sem esse critério, toda avaliação vira gosto.
Avaliar meu siteA pergunta que precede todas: o que esse site deveria estar fazendo? Gerar contato? Explicar um serviço complexo antes da reunião? Servir de referência quando alguém busca seu nome? Vender direto? Cada objetivo torna um site diferente "bom" — e um site que atende bem a um pode ser péssimo para outro.
Três formas de julgar aparecem sempre, e as três medem outra coisa.
Eles vão avaliar o visual e vão ser gentis. Ninguém do seu círculo é seu cliente entrando com um problema — e o julgamento estético não tem relação com desempenho.
Você não sabe se o dele funciona. Pode estar copiando o desperdício alheio, e o concorrente pode estar vendendo apesar do site, não por causa dele.
Ela mede o que consegue medir automaticamente — velocidade, marcações, erros técnicos. Nota alta com mensagem confusa não gera cliente; nota média com oferta clara gera.
Você conhece o site inteiro, sabe o que existe em cada página e já sabe o que a empresa faz. É o pior avaliador possível justamente por saber demais.
Um site pode falhar em qualquer uma delas, e cada falha tem sintoma diferente. Avaliar significa percorrer as quatro na ordem, porque uma falha embaixo torna irrelevante tudo que está acima.
Um site perfeito que ninguém visita não é bom nem ruim — é invisível. Antes de avaliar qualquer outra coisa, veja quantas pessoas chegam por mês e de onde.
Como medir: visitas mensais no Analytics, impressões e cliques no Search Console, e a busca pelo nome da sua empresa em janela anônima. Se o volume for de poucas dezenas, a camada 1 é o problema e as outras três podem esperar.
Esta é a única camada em que a resposta é binária e não depende de julgamento. Ou funciona ou não funciona.
Como medir: abra no celular fora do wi-fi da empresa. Teste o formulário de ponta a ponta. Clique nos links do menu e do rodapé. Confira o cadeado de segurança. Cinco minutos resolvem essa camada inteira.
Aqui você não consegue avaliar sozinho, porque já sabe a resposta. Precisa de alguém que não conhece o seu negócio.
Como medir: mostre a primeira tela para cinco pessoas fora do seu setor, por cinco segundos, e pergunte o que a empresa vende e para quem. Se a maioria errar, a camada 3 falhou — independentemente de quanto o site é bonito.
É a camada que interessa e a que menos se avalia isoladamente, porque ela depende das três anteriores. Avaliar conversão num site que ninguém visita, ou que não comunica, produz conclusão errada.
Como medir: quantos contatos por mês, dividido pelas visitas. E, mais importante, quantos desses contatos eram gente que você quer atender.
A ordem importa mais que os itens. A maioria das avaliações começa pela camada 4 — "não gera contato" — e conclui que o site é ruim. Mas se o problema está na camada 1, o site pode estar ótimo e simplesmente vazio. Diagnóstico feito de baixo para cima erra na maior parte das vezes.
Se você quer uma resposta hoje, este roteiro cabe em meia hora e não exige ferramenta paga.
Ao fim disso você não terá um diagnóstico completo, mas saberá em qual das quatro camadas está o problema — que é a decisão que estava travada.
Vale desdobrar, porque é aqui que a maioria das avaliações erra desde o começo. Um site otimizado para uma função costuma ser mediano nas outras — e isso não é defeito, é escolha.
Precisa de oferta clara na primeira tela, caminho curto até o formulário e poucas distrações. Um site assim é ruim como biblioteca: ele não aprofunda, ele conduz.
Precisa de profundidade, método descrito, respostas às objeções. Um site assim converte pouco no primeiro acesso e encurta muito a conversa depois — e medir ele por conversão imediata leva à conclusão errada.
Precisa de credibilidade e de facilidade para achar o contato. Volume de tráfego é irrelevante nesse caso; o que importa é o que a pessoa encontra quando procura seu nome.
Precisa de muitas páginas específicas, cada uma respondendo uma pergunta. Um site de cinco páginas bem feitas é excelente para os três objetivos acima e insuficiente para este.
Se você tem um site de cinco páginas e reclama que não traz tráfego orgânico, o problema não é qualidade — é escopo. Ele foi construído para uma função e está sendo avaliado por outra.
Escreva o objetivo antes de avaliar. Uma frase basta: "este site existe para que quem busca serviço na minha região me encontre e entre em contato". Com essa frase, cada elemento do site passa a ter um critério — ele ajuda ou atrapalha esse objetivo? Sem ela, tudo vira preferência.
A comparação mais útil não é com o concorrente. É com o seu próprio site de três meses atrás.
Isso resolve o problema de não haver referência absoluta. Você não precisa saber se cem visitas por mês é bom no seu setor — precisa saber se está subindo ou descendo, e a partir de que mudanças.
Depois de dois trimestres, você para de perguntar se o site está bom. Você passa a saber se está melhorando — que é uma pergunta melhor e com resposta possível.
Se você não tem histórico nenhum, o primeiro mês não serve para avaliar — serve para estabelecer a linha de base. Isso frustra quem queria uma resposta hoje, mas evita o erro mais caro: mudar tudo de uma vez e nunca saber o que funcionou.
A recomendação prática é fazer as correções da camada 2, que são objetivas e não dependem de medição — formulário que funciona, site que abre no celular, links que não quebram —, e só depois começar a testar mudanças de comunicação, uma por vez, com um mês de intervalo.
Alguns indícios são fáceis de notar depois que se sabe procurar.
Não é falta de curiosidade — é ausência de medição. E sem medição, qualquer avaliação futura vai ser opinião. É o primeiro item a resolver, antes de qualquer mudança.
Se em anos nenhum cliente comentou algo que leu lá, provavelmente ninguém leu. Cliente que usou o site como referência costuma mencionar.
Se na hora de se apresentar você prefere explicar por mensagem a mandar o endereço, alguma parte de você já sabe que ele não faz o trabalho.
Não é sobre redesenhar. É que um site que nunca é ajustado indica que ninguém está olhando o que ele produz — e o que não é observado não melhora.
O oposto também acontece, e leva a decisões caras.
Quem convive com o próprio site enjoa dele. O visual que pareceu moderno há dois anos agora parece datado — para você, que o vê toda semana. Para quem chega pela primeira vez, ele é novo.
Nesses casos, refazer o site é a decisão mais cara e menos justificada possível. O caminho é ampliar o que funciona, não substituir.
Situação comum: uma agência disse que o site precisa ser refeito, um freelancer disse que basta ajustar, e um conhecido disse que está ótimo. Todos olharam a mesma coisa e chegaram a lugares diferentes.
Isso quase nunca é má-fé. É consequência de ninguém ter definido o objetivo antes. Quem vende site avalia pela camada 2 e pelo visual; quem vende tráfego avalia pela camada 4; quem é seu amigo avalia pelo gosto. Cada um responde a uma pergunta diferente, e todas as respostas são coerentes com a pergunta que cada um fez.
A saída é você definir a pergunta antes de pedir a opinião. Com o objetivo escrito e os números do último trimestre em mãos, os diagnósticos param de divergir — porque passam a ter o mesmo critério.
Existem situações em que remendar sai mais caro que reconstruir. São menos frequentes do que se vende, mas são reais.
Se a versão móvel é inutilizável e a plataforma não permite corrigir, você está perdendo a maior parte do público. Aqui refazer se justifica.
Site que depende de um desenvolvedor específico para mudar uma frase engessa a operação. O custo não é do projeto — é de cada ajuste que deixa de ser feito.
Se a estrutura impede acrescentar conteúdo, você não consegue crescer em busca. É limitação técnica, não estética.
Se o que você vende hoje é diferente do que o site descreve, não é ajuste de texto — é outro site, para outro público.
Note que nenhuma dessas razões é "está feio". Aparência datada justifica atualização visual, que é barata. Não justifica reconstrução.
A avaliação de trinta minutos você faz sozinho, e ela resolve a dúvida principal — em qual camada está o problema.
Vale trazer ajuda quando o roteiro aponta para a camada 1 e você precisa saber por que não está sendo encontrado, ou quando as quatro camadas parecem razoáveis e mesmo assim o resultado não vem. No primeiro caso o caminho é uma auditoria de SEO, que verifica indexação, estrutura e cobertura. No segundo, uma análise de consultoria, que olha o percurso completo em vez de cada camada isolada. Se a suspeita for de lentidão, a verificação está em quando o site é lento. E se o site é bonito e não converte, o diagnóstico está em meu site é bonito, mas não vende.
Vinte anos de marketing digital e 43 cases documentados. Trabalho com SEO técnico, tráfego pago, growth hacking e IA aplicada a negócios. Antes de avaliar qualquer site, eu pergunto o que ele deveria estar fazendo — sem essa resposta escrita, toda avaliação vira discussão de gosto.
Sobre o autorNão para o que importa. Ferramentas medem velocidade e erros técnicos, que são uma das quatro camadas. Nota alta com mensagem confusa não gera cliente, e nota média com oferta clara gera.
Idade não é critério. O que importa é se funciona no celular, se permite alterações e se descreve o que você vende hoje. Site de cinco anos que atende às três coisas está melhor que um novo que não atende.
Depende do seu mercado e do seu ticket. Cinquenta visitas de gente decidindo contratar valem mais que mil de curiosos. A pergunta melhor é quantos contatos qualificados aquelas visitas produziram.
Vale, mas pergunte sobre a experiência, não sobre o visual. "O que você procurou e não encontrou?" rende mais que "o que achou do site?". A segunda pergunta produz elogio educado.
Você não sabe se o dele funciona. Ele pode estar vendendo apesar do site e não por causa dele. Copiar sem saber o resultado é reproduzir o desperdício alheio junto com o acerto.
Refazer se justifica quando a versão móvel é inutilizável, quando ninguém consegue alterar conteúdo, quando não dá para criar páginas novas ou quando o negócio mudou. Aparência datada não entra nessa lista — ela pede atualização visual, que é bem mais barata.
Se o problema é não ser encontrado, o site pode estar ótimo e simplesmente vazio — e a correção é anterior a ele.