Preciso de vinte minutos para explicar o que eu faço

Quem entende contrata e fica satisfeito. O problema é chegar até esse ponto: na conversa rápida, no site, na apresentação de trinta segundos, a pessoa não consegue formar uma imagem do que você entrega e vai embora antes de descobrir.

Falar sobre a minha comunicação
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frase que precisa vir antes de tudo
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clientes que pedem para você explicar melhor
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saídas falsas que pioram
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causas do serviço que não se explica

A frase que precisa vir antes de tudo

O problema que você resolve, dito na linguagem de quem tem o problema. Não o método, não a tecnologia, não o nome que o mercado deu para a categoria. A pessoa precisa se reconhecer na primeira frase, e só depois disso ela tem paciência para entender como funciona.

É contraintuitivo para quem tem serviço sofisticado, porque a sofisticação está justamente no método. Mas ninguém compra método: compra a saída de uma situação. Quando a primeira frase descreve a situação, os vinte minutos de explicação viram uma conversa que o cliente quer ter.

As duas saídas falsas: simplificar até virar genérico, o que resolve o entendimento e apaga o diferencial, deixando você igual a todo mundo; e criar uma analogia esperta, que a pessoa entende na hora e leva embora uma ideia errada do que você faz. As duas trocam clareza por precisão, e a conta chega no orçamento recusado ou no cliente frustrado.

As três causas do serviço que não se explica

Você explica o como antes do quê. Começar pela metodologia é o caminho natural para quem a domina há anos, e é completamente incompreensível para quem chega de fora pela primeira vez.
A oferta junta coisas demais. Quando o serviço faz cinco coisas bem diferentes entre si, não existe frase única capaz de cobrir tudo, e a tentativa de cobrir acaba produzindo um texto vago.
O cliente não sabe que tem o problema. Nesse caso a dificuldade deixa de ser de comunicação: você precisa primeiro nomear uma dor que ninguém no mercado articulou ainda.

Como isso muda por tipo de serviço

A dificuldade de explicar tem origens diferentes.

Serviço técnico especializado. O vocabulário próprio é preciso entre pares e opaco para o cliente. A tradução precisa acontecer sem perder a exatidão.
Consultoria e trabalho intelectual. O que se entrega é intangível e o cliente não vê o produto. Aqui o exemplo concreto vale mais que a descrição.
Serviço novo, sem categoria formada. Não existe palavra que a pessoa já use. O caminho é ancorar em algo conhecido e mostrar a diferença.
Serviço que combina áreas. Quem une duas especialidades cai entre duas cadeiras e não é encontrado por nenhuma das buscas.
Produto com muitos usos. Explicar todas as aplicações confunde. Escolher a principal e mencionar as outras depois converte melhor.

O custo que não aparece no relatório: quem precisa de vinte minutos para explicar depende de conseguir esses vinte minutos, e isso limita o negócio a um formato só de venda. Sem clareza inicial, não funciona anúncio, não funciona indicação espontânea, não funciona quem lê o site sozinho. Todo o crescimento fica preso à sua agenda de conversas. A frase clara não serve para parecer simples: serve para permitir que a venda aconteça em canais onde você não está presente.

Como treinar quem também precisa explicar

Se mais alguém vende ou atende, a frase precisa funcionar na boca dessa pessoa.

Não peça para decorar, peça para reformular. Frase decorada soa artificial. Quem entendeu o raciocínio adapta ao interlocutor sem perder o essencial.
Ouça cada um explicando uma vez. Você descobre em minutos quais partes não foram compreendidas e quais foram inventadas pelo caminho.
Combine o que nunca deve ser dito. Promessa, prazo garantido, comparação com concorrente. Isso é mais importante que padronizar o que deve ser dito.
Dê exemplos prontos para usar. Dois ou três casos reais que qualquer um pode contar resolvem a maior parte das conversas.
Reveja depois dos primeiros contatos. As perguntas que os clientes fizeram apontam exatamente onde a explicação ainda falha.

O que o site precisa fazer diferente

Serviço complexo exige uma arquitetura de página própria.

Uma pergunta como primeira linha

Perguntar a situação faz o leitor responder mentalmente e continuar. Afirmar faz ele avaliar e sair.

Camadas, não um texto longo

Resumo, depois detalhe, depois profundidade. Quem quer parar no primeiro nível consegue.

Uma página por situação atendida

Cada perfil de cliente chega com uma dúvida diferente e precisa de uma porta própria.

Caso antes de credencial

Formação e prêmios convencem depois; a descrição de um problema parecido convence antes.

Quando a complexidade é o argumento de venda

Existe um caso em que explicar demais é intencional, e ele merece atenção.

Alguns setores usam a complexidade como barreira. Quanto mais difícil parecer, mais indispensável fica quem entende. É estratégia comum e cobra o preço de afastar cliente bom.
O cliente percebe quando é proposital. Explicação que se recusa a simplificar gera desconfiança em vez de respeito, principalmente em quem já foi enrolado antes.
Clareza não reduz o valor percebido. Explicar bem demonstra domínio; complicar demonstra apenas que a pessoa sabe usar o vocabulário da área.
O medo real é ser copiado. Muita gente esconde o método achando que a explicação entrega o negócio. Método explicado e método executado são coisas diferentes.
Quem explica melhor costuma cobrar mais. Porque o cliente entende o que está comprando e consegue comparar com o custo de não resolver.

O que fazer enquanto a frase não existe

Use um caso no lugar da definição

"Trabalhei com uma empresa que tinha tal problema" comunica mais rápido que qualquer explicação abstrata.

Deixe o cliente falar primeiro

Ouvir a situação dele permite explicar usando o vocabulário que ele acabou de usar.

Corte pela metade e observe

Se a versão curta gera mais pergunta, o excesso estava atrapalhando e não ajudando.

Peça para repetirem

No fim da conversa, ouvir como a pessoa resumiu revela o que ficou e o que se perdeu.

Como medir se melhorou

A mudança tem sinais observáveis em poucas semanas.

Menos perguntas do tipo "mas o que exatamente você faz". Se ela sumiu das primeiras conversas, a frase está funcionando.
Contatos chegam mais qualificados. Quem entendeu antes de escrever já se filtrou, e a conversa começa em outro ponto.
A indicação chega correta. Quando quem foi indicado descreve seu trabalho do jeito certo, a frase saiu da sua boca e entrou na dos outros.
A reunião de venda encurta. Menos tempo explicando o que é e mais tempo discutindo como aplicar no caso dele.
O site retém mais. Se as pessoas passam da primeira tela com mais frequência, a frase está cumprindo o papel dela.

Por onde começar

Peça a três clientes que expliquem o que você faz. Por escrito.
Compare as três versões. Se divergem, o problema está confirmado.
Escreva uma frase sobre a situação do cliente. Sem citar seu método.
Teste em alguém de fora. E peça para repetir.
Coloque no topo do site. Antes de tudo.

Como encontrar a frase certa

Ela não se inventa numa sala: ela se descobre ouvindo.

Pergunte a clientes atuais como eles explicam você. A frase que um cliente satisfeito usa para descrever o seu trabalho a um amigo costuma ser melhor que qualquer coisa que você escreveria sozinho.
Anote as palavras exatas de quem procura. A forma exata como a pessoa descreve o problema dela na primeira mensagem é justamente o vocabulário que precisa aparecer no seu site.
Comece pelo antes, não pelo depois. Descrever a situação concreta em que a pessoa está hoje gera reconhecimento imediato; começar pelo resultado prometido gera ceticismo na mesma hora.
Corte todo termo que você teria que explicar. Se uma palavra qualquer da frase exige uma segunda frase inteira para ser entendida, ela simplesmente não pode estar na primeira.
Teste em quem não é do ramo. Diga a frase para alguém de fora do seu ramo e peça que repita com as próprias palavras. Se o que voltar for diferente do que você disse, a frase ainda não está pronta.

O teste que resolve em cinco minutos: peça a três clientes que expliquem, por escrito, o que você faz. Se as três descrições forem diferentes entre si, o problema não é o serviço ser complexo: é que nem quem já comprou tem uma versão estável do que você entrega. Isso significa que cada indicação que sai da boca deles chega distorcida ao próximo, e você está perdendo negócio numa etapa que nem consegue observar.

Como estruturar a explicação longa

Uma frase de reconhecimento

A situação em que a pessoa está. Ela precisa pensar "é exatamente isso" antes de qualquer outra coisa.

Uma de contraste

O que costuma ser feito e por que não resolve. Aqui aparece o motivo de você existir.

Uma do que você faz

Agora sim o método, em uma linha, sem detalhe. O detalhe vem se a pessoa perguntar.

Um exemplo concreto

Um caso real fecha o entendimento melhor que qualquer descrição adicional.

Onde a frase precisa aparecer

Ela não é para a apresentação: é para todos os pontos de entrada.

Na primeira tela do site. Antes de qualquer menu, imagem ou institucional. É o lugar onde a maior parte das pessoas decide se continua lendo.
Na descrição dos perfis. É o único texto que quem chega por rede social lê antes de decidir se te segue ou fecha.
Na sua resposta quando perguntam o que você faz. Ter isso decorado e testado evita a improvisação de vinte minutos em toda conversa.
No começo da proposta comercial. Quem lê a proposta às vezes não é quem conversou com você, e precisa entender do zero.
Na boca de quem trabalha com você. Se a equipe explica de outro jeito, a frase não pegou e o problema continua em toda porta de entrada.

Como saber se o problema é de oferta

Às vezes o que não se explica é o que não deveria estar junto.

Conte quantas coisas diferentes você vende. Se são mais de três com públicos distintos, nenhuma frase única vai funcionar, e forçar isso produz o texto vago.
Veja se o cliente típico compra tudo. Serviços que nunca são comprados juntos provavelmente pertencem a negócios diferentes.
Separe as páginas em vez de juntar as palavras. Uma página por problema resolvido comunica melhor que uma página tentando abraçar todos.
Considere que talvez sobre serviço. Manter uma linha que rende pouco e atrapalha a comunicação de todo o resto costuma ser prejuízo duplo.
Escolha o que puxa o resto. Comunicar bem um serviço que abre porta para os demais funciona melhor que comunicar mal todos ao mesmo tempo.

Quando o cliente não sabe que tem o problema

É a situação mais difícil e exige outra estratégia.

Ninguém procura pelo que não nomeou. Se a pessoa não tem palavra para a dor, ela não digita nada na busca, e depender de ser encontrado não funciona.
Nomeie o sintoma, não a solução. Descrever o incômodo que a pessoa sente sem saber a causa é o que faz ela se reconhecer e prestar atenção.
Aceite um ciclo de venda mais longo. Educar antes de vender custa tempo, e projetar receita como se fosse venda direta leva a decisões erradas.
Procure quem já está resolvendo mal. Quem gasta tempo com uma solução improvisada já reconheceu o problema, mesmo sem nomear, e é o público mais próximo.
Considere entrar por um problema conhecido. Vender algo que a pessoa já procura e revelar o problema maior durante o trabalho é caminho mais curto que criar demanda do zero.

Sobre o que pode ser prometido

A busca pela frase clara esbarra em limites que vale conhecer.

Descrever o problema resolvido é diferente de garantir resultado. Publicidade com promessa de desempenho específico, prazo determinado ou comparação com concorrentes tem regras próprias, e em atividades reguladas a restrição é maior: profissões de saúde, jurídicas, contábeis e financeiras têm normas de conselho sobre o que pode ser anunciado, incluindo vedação a sensacionalismo e a garantia de resultado. Uma frase eficiente que ultrapassa esse limite cria exposição desnecessária.

Vale também cuidar de afirmações comparativas e de superlativos. Dizer que é o melhor, o maior ou o único exige comprovação, e a legislação de publicidade trata da veracidade das informações veiculadas. O caminho seguro costuma ser mais eficaz de qualquer forma: descrever com precisão a situação do cliente e o que você faz é mais convincente que superlativo genérico, e não depende de comprovar nada além do que você entrega. Em caso de dúvida sobre o seu setor, vale confirmar as normas com quem acompanha a regulação da atividade.

Encontrar a frase que resume o seu trabalho

Encontrar a frase que descreve o problema em vez do método é trabalho de posicionamento, e ele muda tudo o que vem depois.

Vale trazer ajuda quando a dificuldade estiver custando venda. Se a comunicação não conecta, o caso está em minha comunicação não gera conexão. E se ninguém procura pelo que você vende, o método está em ninguém procura pelo que eu vendo. Se a dúvida ainda é o próprio nome do negócio, veja escolher o nome do negócio.

Como explicar um serviço complexo em uma frase

  1. Perguntar a clientes atuais como eles explicam o seu trabalho A frase que eles usam com um amigo é melhor que a sua.
  2. Anotar as palavras exatas de quem procura você É o vocabulário que precisa estar no site.
  3. Começar a explicação pela situação, não pelo resultado O antes gera reconhecimento; o depois gera ceticismo.
  4. Cortar todo termo que exija uma segunda frase para entender Se precisa explicar, não pode estar na primeira frase.
  5. Testar em alguém de fora do ramo e pedir que repita Se voltar diferente, a frase ainda não está pronta.
  6. Colocar a frase na primeira tela do site Antes de menu, imagem ou texto institucional.
  7. Repetir a mesma frase nos perfis e na proposta Quem lê a proposta pode não ser quem conversou com você.
  8. Contar quantos serviços distintos você vende Mais de três com públicos diferentes impede frase única.
  9. Separar em uma página por problema resolvido Comunica melhor que uma página tentando abraçar todos.
  10. Nomear o sintoma quando o cliente não conhece o problema Ninguém procura por aquilo que ainda não nomeou.
Cleber Barbosa, consultor de marketing digital em Ribeirão Preto
Autor
Cleber Barbosa
Consultor de Marketing Digital, SEO e Tráfego Pago — Ribeirão Preto, SP

Vinte anos de marketing digital e 43 cases documentados. Trabalho com SEO técnico, tráfego pago, growth hacking e IA aplicada a negócios. Ninguém compra método: compra a saída de uma situação. Quem começa pelo método está pedindo paciência que o cliente não tem.

Sobre o autor
Perguntas frequentes

Dúvidas de quem tem serviço complexo

Por que ninguém entende o que eu faço?

Porque a explicação começa pelo método. A pessoa precisa se reconhecer numa situação antes de ter paciência para entender como funciona.

Devo simplificar a explicação?

Simplificar até virar genérico resolve o entendimento e apaga o diferencial. A saída é trocar o método pelo problema, não reduzir a precisão.

Analogia ajuda?

Faz a pessoa entender rápido e levar embora uma ideia errada. O custo aparece no orçamento recusado ou no cliente frustrado depois.

E se meu serviço faz muitas coisas?

Não existe frase única que cubra cinco serviços diferentes. Nesse caso o problema é de oferta, não de comunicação.

E se o cliente nem sabe que tem o problema?

Aí você precisa primeiro nomear uma dor que ninguém articulou. É trabalho mais longo e de outra natureza.

Posso prometer resultado na frase?

Promessa de resultado tem limites legais e varia por setor. Descrever a situação resolvida é diferente de garantir número.

Cansou de explicar e ver o olhar vazio?

Quem começa pelo método pede uma paciência que ninguém tem numa primeira conversa.

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