Ninguém procura pelo que eu vendo

Você checou o volume de busca e não existe: as pessoas não digitam o nome do seu serviço porque não sabem que ele existe. Isso muda completamente a estratégia — e o erro é insistir em ser encontrado por quem não está procurando.

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caminhos, e um é bem mais barato

A busca que existe mesmo assim: ninguém digita o nome do seu serviço, mas todo mundo digita o problema que ele resolve. A pessoa não procura por uma solução que desconhece — procura por "como resolver tal situação". Aparecer nessa busca é o caminho mais barato para uma categoria que ainda não tem nome na cabeça de ninguém.

As três razões para ninguém procurar

A categoria é nova. A solução existe há pouco tempo e as pessoas ainda não sabem que podem contratar isso. É o caso com a melhor perspectiva entre os três, porque a demanda tende a se formar com o tempo.
O nome que você usa não é o que elas usam. A solução é conhecida, mas com outro nome. Aqui não falta demanda — falta traduzir o vocabulário.
As pessoas não sabem que têm o problema. O mais difícil dos três. Antes de vender a solução, é preciso que a pessoa reconheça que existe algo a resolver.

Os dois caminhos

Capturar a busca pelo problema

Muito mais barato. As pessoas procuram o sintoma, e você aparece explicando a causa e apresentando a solução que elas não conheciam.

Interromper com uma proposta

Anúncio, abordagem direta, conteúdo em rede social. Mais caro e mais lento, porque exige despertar interesse do zero.

Qual escolher primeiro

Sempre o primeiro, se houver qualquer busca pelo problema. Só quando nem o problema é procurado o segundo caminho se justifica.

O erro que custa caro

Investir para ser encontrado pelo nome do serviço. Você ocupa o primeiro lugar de uma busca que ninguém faz.

Os três casos, tratados separadamente

Cada razão para ninguém procurar pede uma resposta diferente.

Caso 1: nome errado. O mais fácil e o mais comum. A demanda existe com outro vocabulário, e a correção é de comunicação. Resolve em semanas e custa nada além do trabalho de reescrever.
Caso 2: categoria nova. A busca pelo problema existe, mas não pela solução. O caminho é conteúdo que parte do sintoma. Prazo de meses, custo moderado, resultado consistente.
Caso 3: problema não reconhecido. Nem o sintoma é procurado. Exige abordagem direta e prova concreta antes de qualquer investimento em alcance. Prazo longo e risco real.
Como identificar o seu. Se existe busca pelo problema, é caso 1 ou 2. Se não existe nem isso, é caso 3 — e vale confirmar antes de assumir o mais difícil.
O erro de diagnóstico mais caro. Tratar um caso 1 como caso 3, investindo em educar mercado quando bastava trocar as palavras do título.

A verificação de cinco minutos: pegue as três formas mais prováveis de alguém descrever o problema que você resolve — sem usar o nome do seu serviço — e cheque o volume de busca de cada uma. Se qualquer uma tiver procura relevante, você está no caso 1 ou 2, e o caminho barato existe. Muita gente conclui que não há demanda sem ter feito essa checagem.

Como isso muda por tipo de oferta

Serviço técnico novo

Costuma ser caso 2. O problema é conhecido, a solução não. Conteúdo explicando a causa resolve bem.

Produto de uso não óbvio

Precisa ser demonstrado. Vídeo, teste, amostra. Explicar por escrito raramente basta para algo que ninguém viu funcionando.

Serviço preventivo

O mais difícil: ninguém procura evitar problema que ainda não teve. O caminho é aparecer para quem acabou de ter o problema pela primeira vez.

Categoria com nome disputado

Vários nomes concorrentes para a mesma coisa. Vale usar o mais buscado no título e os outros no corpo do texto.

O que fazer enquanto a demanda não vem

Prazo longo exige sustentar a operação por outro meio.

Mantenha uma oferta que já tem procura. Serviço conhecido que financia o tempo até a categoria nova amadurecer. Poucos negócios sobrevivem apostando só no que ninguém procura.
Use os clientes atuais como porta de entrada. Quem já confia em você aceita experimentar algo novo com muito menos explicação.
Acumule prova desde o primeiro caso. Cada resultado documentado reduz o esforço de convencimento do próximo.
Defina até quando vai tentar. Prazo e critério definidos antes. Educar mercado sem limite de tempo consome recurso indefinidamente.
Reavalie com honestidade na data marcada. Se os sinais de demanda não apareceram, vale considerar reposicionar em vez de insistir.

Como falar de algo que ninguém conhece

A explicação precisa partir do que a pessoa já entende.

Ancore em algo conhecido. "É como tal coisa, só que para tal situação" comunica em segundos o que um parágrafo técnico não comunica.
Descreva a situação antes de nomear a solução. A pessoa precisa se reconhecer no problema antes de se interessar pela resposta.
Evite o nome que você inventou. Marca própria para a categoria só funciona depois que a categoria existe. Antes disso, ela atrapalha.
Use números concretos. Quanto economiza, quanto tempo poupa, quanto reduz o risco. Categoria desconhecida precisa de argumento tangível.
Teste a explicação com quem não é da área. Se um leigo não entende em trinta segundos, o público que nunca ouviu falar também não vai entender.

Como precificar sem referência de mercado

Categoria nova não tem preço estabelecido, e isso confunde quem vende e quem compra.

Ancore no custo do problema. Quanto aquilo custa hoje ao cliente, em dinheiro ou em tempo. É a referência mais defensável quando não existe concorrente para comparar.
Compare com a alternativa atual. A pessoa resolve isso de algum jeito hoje, mesmo que mal. O custo dessa forma atual é o parâmetro que ela tem na cabeça.
Não comece barato demais. Preço baixo em categoria desconhecida sugere que aquilo vale pouco, e subir depois é bem mais difícil que descer.
Ofereça formato reduzido em vez de desconto. Uma versão menor para experimentar preserva o valor percebido da versão completa.
Ajuste depois dos primeiros casos. Com resultado documentado, você passa a ter argumento concreto e pode reposicionar o preço com base nele.

Onde encontrar quem tem o problema

Sem busca estabelecida, é preciso ir até onde essas pessoas já estão.

Onde o problema é discutido

Grupos, comunidades e fóruns do setor. Quem reclama do sintoma em público é candidato natural e já demonstrou incômodo.

Quem atende antes de você

Profissionais que lidam com o mesmo cliente numa etapa anterior enxergam o problema acontecendo e podem indicar.

Eventos e encontros do setor

Categoria nova se explica melhor pessoalmente. Conversa de dez minutos comunica o que uma página leva meses para fazer.

A própria base de clientes

Quem já compra de você tem outros problemas que você talvez resolva. É o público mais barato para testar uma oferta nova.

O que costuma acontecer com quem chega cedo

Vale conhecer, porque muda a expectativa sobre o esforço.

Quem introduz uma categoria carrega o custo de explicar e frequentemente vê concorrentes chegarem depois, colhendo um mercado já educado. É um risco real desse posicionamento, e ele não anula a vantagem — chegar primeiro constrói autoridade e relação com os primeiros clientes, que costumam ser os mais fiéis.

O que reduz esse risco é ter algo que não se copia junto com a categoria: método próprio, base de casos, relação com o público, ou simplesmente ser reconhecido como quem trouxe aquilo. Investir em educar mercado sem nenhum desses ativos é fazer trabalho que outro vai aproveitar.

Como descobrir as palavras que as pessoas usam

É o trabalho de maior retorno e ele não custa nada.

Pergunte aos clientes atuais. "Como você descrevia esse problema antes de me conhecer?" A resposta costuma ser completamente diferente do seu vocabulário técnico.
Leia as mensagens que você recebe. As palavras que as pessoas usam ao te procurar são exatamente as que elas digitariam numa busca.
Procure onde o público conversa. Grupos, fóruns, comentários. É onde o problema aparece descrito sem filtro e com as palavras reais.
Teste o volume dessas expressões. Uma ferramenta de busca mostra se aquela forma de dizer tem procura. Frequentemente tem, e muita.
Reescreva a comunicação com elas. Título, página, anúncio. A mesma oferta com o vocabulário certo passa de invisível a encontrável.

O caso mais comum de falso "ninguém procura": o negócio usa o nome técnico ou o nome comercial que criou, e o público usa a descrição do sintoma. Não existe busca pelo termo interno da empresa e existe bastante busca pelo problema. A demanda estava lá o tempo todo, esperando alguém falar a língua certa.

O conteúdo que funciona nesse caso

Quem não sabe que a solução existe precisa de um tipo específico de material.

Comece pelo sintoma, não pela solução. "Por que isso acontece" atrai quem está incomodado. "Conheça nosso serviço" só atrai quem já procurava.
Explique a causa antes de oferecer. Entender o motivo do problema é o que faz a pessoa querer resolvê-lo. Pular essa parte reduz a conversão.
Compare com as alternativas conhecidas. A pessoa provavelmente resolve isso de outro jeito hoje. Mostrar a diferença é o que justifica a mudança.
Mostre casos concretos. Quem não conhece a categoria precisa ver funcionando. Exemplo vale mais que qualquer explicação conceitual.
Antecipe a pergunta "isso serve para mim". Descrever o perfil de quem se beneficia ajuda a pessoa a se reconhecer.

Quando o mercado precisa mesmo ser educado

Custa mais e demora mais

Construir demanda do zero exige repetição e volume. É investimento de prazo longo, não campanha de três meses.

Quem educa não colhe sozinho

O esforço de explicar a categoria beneficia todos os concorrentes. Vale ter algo que só você entrega antes de investir nisso.

Comece pequeno e concentrado

Um nicho específico, um problema claro. Educar mercado amplo é caro; educar um grupo pequeno é viável.

Meça interesse, não venda

Nos primeiros meses, o indicador é quanta gente demonstra curiosidade. Venda vem depois e demora.

O caminho das primeiras vendas

Sem busca estabelecida, as primeiras vendas vêm de conversa, não de canal.

Liste quem tem o problema de forma evidente. Pessoas ou empresas em que você consegue identificar a necessidade olhando de fora.
Aborde explicando o problema, não vendendo. "Notei que vocês fazem assim, e isso costuma gerar tal dificuldade" abre conversa; oferta direta fecha porta.
Ofereça o primeiro caso com condição especial. Precisa de prova mais que de margem no começo. Um caso documentado destrava os próximos.
Documente o resultado obsessivamente. Antes, depois, números. É o material que vai substituir a explicação nas próximas conversas.
Peça indicação para o mesmo perfil. Quem tem o problema conhece outros com o mesmo problema. É como categoria nova costuma crescer.

Os sinais de que a demanda está aparecendo

Antes da venda, existem indicadores que se movem primeiro.

Pessoas passam a usar o seu vocabulário. Quando alguém chega dizendo o nome da solução, a categoria começou a existir na cabeça do público.
Aparecem perguntas mais específicas. Deixam de perguntar o que é e passam a perguntar como funciona e quanto custa.
Surgem concorrentes. Desconfortável e é um bom sinal: significa que o mercado ficou visível o bastante para atrair gente.
O volume de busca começa a existir. Termos que não tinham procura passam a ter. Vale reconferir a cada seis meses.
O ciclo de venda encurta. Menos tempo explicando o que é, mais tempo tratando de escopo e preço.

Quando a resposta honesta é outra

Vale considerar antes de investir anos construindo demanda.

Ausência total de busca pelo problema, e não só pela solução, às vezes indica que o problema não incomoda o suficiente para alguém pagar por uma solução. É diferente de mercado inexplorado: é mercado que não existe, e insistir custa caro.

O teste é simples de descrever e desconfortável de fazer: pergunte a dez pessoas do perfil se elas já procuraram resolver isso de alguma forma. Se nenhuma tentou nada, provavelmente o incômodo não chega ao ponto de gerar compra — e vale reposicionar a oferta para um problema que as pessoas já estão tentando resolver.

Descobrir como o cliente nomeia o problema

Descobrir como as pessoas descrevem o problema e reescrever a comunicação com essas palavras é trabalho seu, e resolve boa parte dos casos em que "ninguém procura".

Vale trazer ajuda para mapear as buscas de problema com volume real, que é trabalho de pesquisa. Se a dúvida for onde investir, o critério está em não sei em quais canais estar. E se falta público para começar, o método está em vender sem audiência. Quando o problema é explicar a oferta e não a demanda, o caso está em preciso de vinte minutos para explicar.

Como vender o que ninguém procura ainda

  1. Verificar se existe busca pelo problema, não pela solução As pessoas procuram o sintoma que conhecem, não a solução que desconhecem.
  2. Perguntar aos clientes como descreviam o problema antes A resposta costuma diferir do seu vocabulário técnico.
  3. Ler as mensagens recebidas para captar as palavras reais São as mesmas que a pessoa digitaria numa busca.
  4. Testar o volume dessas expressões em ferramenta de busca Frequentemente existe procura, e muita.
  5. Reescrever título e comunicação com o vocabulário do público A mesma oferta passa de invisível a encontrável.
  6. Produzir conteúdo que começa pelo sintoma e explica a causa Entender o motivo é o que faz querer resolver.
  7. Comparar com a forma como a pessoa resolve isso hoje Mostrar a diferença é o que justifica a mudança.
  8. Abordar diretamente quem tem o problema de forma evidente Explicando o problema, não oferecendo o serviço.
  9. Documentar obsessivamente o resultado dos primeiros casos É o material que substitui a explicação nas próximas conversas.
  10. Perguntar a dez pessoas do perfil se já tentaram resolver isso Se ninguém tentou nada, o incômodo não gera compra.
Cleber Barbosa, consultor de marketing digital em Ribeirão Preto
Autor
Cleber Barbosa
Consultor de Marketing Digital, SEO e Tráfego Pago — Ribeirão Preto, SP

Vinte anos de marketing digital e 43 cases documentados. Trabalho com SEO técnico, tráfego pago, growth hacking e IA aplicada a negócios. Boa parte dos casos de "ninguém procura o que eu vendo" se resolve descobrindo que as pessoas procuram, sim — só que com outras palavras.

Sobre o autor
Perguntas frequentes

Dúvidas sobre demanda que não existe

Não tem busca pelo meu serviço. E agora?

Verifique a busca pelo problema que ele resolve. As pessoas não procuram soluções que desconhecem, mas procuram o sintoma — e é aí que você aparece.

Por que ninguém procura?

Por três razões: a categoria é nova, o nome que você usa não é o que as pessoas usam, ou elas ainda não sabem que têm o problema. Cada uma pede uma abordagem diferente.

Devo investir em anúncio para educar o mercado?

Só depois de esgotar a busca pelo problema, que é muito mais barata. Educar mercado do zero exige volume e repetição que orçamento pequeno raramente sustenta.

Como descubro as palavras certas?

Perguntando aos clientes atuais como eles descreviam o problema antes de conhecer você. A resposta costuma ser bem diferente do vocabulário que você usa.

Vale usar o nome técnico da categoria?

No conteúdo, para quem já conhece. Mas o título e a comunicação principal devem usar as palavras de quem tem o problema e ainda não sabe o nome da solução.

E se nem o problema for procurado?

Aí é o caso mais difícil, e o caminho passa por conversa direta e prova concreta com os primeiros clientes, antes de qualquer investimento em alcance.

Quer saber se existe busca pelo seu problema?

É a verificação que define se o caminho é captura ou construção de demanda.

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