Tenho dinheiro parado no estoque e não consigo liquidar

A prateleira está cheia, o caixa está apertado e você sabe exatamente qual item não sai há um ano. Baixar o preço parece admitir que errou na compra, então a caixa continua lá.

Falar sobre o meu estoque
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informação útil no preço que você pagou
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formas de escoar sem virar loja de saldo
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número que deveria decidir e ninguém olha
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custos invisíveis do item que fica parado

O preço que você pagou não é informação

Aquele dinheiro já saiu. Aquele dinheiro não volta se você vender caro, não volta se você vender barato e não volta se você simplesmente não vender. A decisão de hoje envolve uma pergunta só: quanto esse item vale agora, no mercado, e quanto ele custa por mês para continuar exatamente onde está.

Segurar o preço para não ter de realizar o prejuízo não evita prejuízo nenhum. Apenas adia o reconhecimento dele e vai somando custo novo em cima do antigo.

Os dois custos invisíveis: o espaço, que poderia estar ocupado por item que gira, e o capital, que poderia estar comprando o que vende. Nenhum dos dois aparece em relatório nenhum, e os dois correm todo mês. Um item comprado por quinhentos reais e parado há dois anos na prateleira já custou bem mais que os quinhentos reais originais, e quem olha apenas o preço de compra não enxerga isso.

O número que deveria decidir

Há quanto tempo esse item não vende. Não interessa o valor unitário dele nem a margem que ele teria: o que decide é o tempo parado. Separe tudo por giro e a lista de problemas aparece sozinha na sua frente.
Defina um prazo por categoria, antes. Trinta, noventa ou cento e oitenta dias, conforme o tipo de produto que você vende. Passado esse prazo, o item entra em ação automaticamente.
Tire a decisão do caso a caso. Uma regra escrita evita aquela conversa que você tem consigo mesmo a cada item e que sempre termina em deixar para o mês seguinte.

Como comunicar a liquidação sem parecer aperto

O mesmo desconto pode soar como oportunidade ou como sinal de que o negócio vai mal.

Motivo antes do preço

Dizer logo que é troca de coleção posiciona o desconto antes que o cliente o interprete sozinho.

Quantidade limitada, dita

A expressão "últimas unidades" comunica fim de ciclo do produto, e não dificuldade de caixa.

Sem urgência artificial

Contagem regressiva exagerada acaba tirando credibilidade do seu preço normal também.

Volte ao preço cheio depois

Encerrar a promoção de verdade na data é o que prova que aquilo era um evento e não desespero.

O que fazer com o que não escoa nem com desconto

Sempre sobra uma parte que ninguém quer a preço nenhum.

Transforme em brinde de compra. Um item sem valor de venda ainda pode ter valor de percepção quando entra como cortesia acima de determinado ticket, e assim você recupera o espaço.
Use como amostra ou demonstração. Aquilo que não vende como produto novo às vezes serve muito bem para o cliente testar, e isso acaba ajudando a vender o que gira.
Ofereça a quem revende ponta de estoque. Existe mercado específico para lote fechado a preço baixo, e receber pouco por ele é bem melhor que continuar pagando todo mês para guardar.
Doe com registro adequado. Doar para entidade assistencial resolve o espaço, gera relação na cidade e ainda tem tratamento fiscal próprio quando a operação é bem documentada.
Descarte quando for o caso. Guardar por anos um item já imprestável só porque ele custou dinheiro um dia é o custo afundado na sua forma mais pura.

Como calcular quanto o item já custou

A conta é simples e quase ninguém faz, o que é justamente o problema.

Comece pelo valor imobilizado. Quanto do seu dinheiro está dentro daquela caixa neste momento. Esse número é apenas o ponto de partida, e não o fim da conta.
Some o custo de manter. Aluguel proporcional ao espaço que ele ocupa, seguro, tempo gasto em contagem de inventário e, em algumas categorias, refrigeração ou condição especial de guarda.
Considere o que o dinheiro renderia. Parado ali na prateleira, esse dinheiro não compra item que gira, não paga fornecedor à vista com desconto e não rende em aplicação nenhuma.
Desconte a perda de valor. Todo item que envelhece vale menos a cada mês que passa, e em algumas categorias essa queda é bem mais rápida que qualquer desconto que você daria hoje.
Compare com o desconto necessário. Quando a conta finalmente fica pronta, aquele desconto que parecia absurdo costuma ser menor que o custo de mais seis meses com o item parado.

Quando não liquidar é a decisão certa: existe item de giro naturalmente lento que faz parte do serviço, como peça de reposição rara ou tamanho de ponta de grade. Ele não é encalhe: é o motivo pelo qual o cliente procura você em vez do concorrente que só tem o que vende muito. A diferença entre os dois é simples de checar: alguém chegou a pedir esse item nos últimos doze meses, mesmo sem ter comprado no fim? Se a resposta for sim, ele tem função na loja. Se ninguém nunca perguntou, é encalhe com nome bonito.

Os sinais de que o problema é maior que o item

Você não sabe dizer o que gira

Sem ter essa informação na mão, toda compra que você faz vira aposta e o encalhe é apenas a consequência.

O estoque cresce todo ano

Se o volume de estoque sobe todo ano e a venda não acompanha, o problema está na compra e não na prateleira.

Falta caixa e sobra mercadoria

É exatamente o mesmo dinheiro guardado em outro lugar, e esse lugar é o errado.

Você compra para não perder condição

Um desconto de fornecedor que acaba virando prateleira parada custou caro, e não barato como parecia.

O primeiro passo

Liste o que não vende há seis meses. Só a lista.
Some quanto isso representa em dinheiro. Valor de compra.
Pergunte ao fornecedor sobre troca. Antes de descontar.
Ofereça à sua base, com prazo. E com motivo.
Escreva a regra para o próximo. Prazo por categoria.

As três formas de escoar sem virar loja de saldo

A diferença entre liquidar e desvalorizar a marca está na forma, não no desconto.

Oferta fechada para quem já compra. Uma mensagem enviada para a sua base, com condição e prazo definidos, escoa boa parte do lote sem que o mercado inteiro veja você baixando preço.
Combinação com item que gira. Vender o item parado junto com aquilo que sai bem move o encalhe sem anunciar desconto nenhum, e ainda aumenta o ticket de uma venda que já ia acontecer.
Evento com começo e fim. Data marcada, motivo declarado e encerramento efetivamente cumprido. O que estraga o preço da loja é a promoção que nunca termina, e não aquela que teve prazo.
Canal separado para o saldo. Marketplace, feira de saldo ou ponta de estoque vendida em outro lugar preserva intacta a tabela do seu canal principal.
Escalone o desconto. Começar em vinte por cento e chegar a cinquenta ao longo de três semanas descobre qual é o preço que realmente escoa, sem entregar margem que não precisava ser entregue.

Diga por que está liquidando: "estoque de coleção anterior", "última unidade da grade", "encerrando a linha". Uma razão concreta faz o desconto ser lido como evento, e não como sinal de que o negócio vai mal ou de que o preço normal era inflado. Sem motivo declarado, o cliente inventa um, e a versão que ele inventa costuma ser pior que a verdadeira.

O que fazer antes de descontar

Perguntar ao fornecedor

A troca por item que gira é prática comum no setor e quase nenhum lojista chega a pedir.

Trocar com outro lojista

O que encalhou na sua loja às vezes é exatamente o que está faltando na loja do outro bairro.

Reposicionar na loja

Um item invisível lá no fundo da loja às vezes só precisa aparecer perto da entrada.

Refazer a foto e a descrição

No comércio online, boa parte daquilo que não gira simplesmente nunca chegou a ser bem apresentado.

Como evitar o próximo encalhe

Quase todo estoque parado nasceu de uma decisão de compra tomada sem dado.

Compre pelo que vendeu, não pelo que acha. O histórico de venda do próprio item é a melhor previsão disponível que existe, e ele já está no seu sistema esperando alguém olhar.
Desconfie do desconto por volume. Levar o dobro da quantidade para pagar menos por unidade só é bom negócio se o dobro realmente vender. Boa parte de todo encalhe entrou na loja exatamente assim.
Teste antes de encomendar grande. Uma quantidade pequena de item novo sai mais cara por unidade e ainda assim custa muito menos que uma prateleira inteira parada.
Separe compra de reposição de compra de aposta. A primeira é uma conta a partir do histórico; a segunda é uma escolha sua. Misturar as duas dentro do mesmo pedido esconde o risco que você está assumindo.
Olhe o giro todo mês, não no fim do ano. Um item que travou é detectado em sessenta dias por quem tem o hábito de olhar, e só em dois anos por quem não tem.

Como isso muda por tipo de negócio

O prazo aceitável e o caminho de saída variam bastante.

Moda e sazonal. O relógio aqui é curto e implacável: item de coleção passada perde valor a cada mês e nunca mais recupera. Nesse setor, liquidar cedo é quase sempre a melhor decisão.
Peça de reposição e autopeça. O giro lento é normal e faz parte do próprio serviço prestado. O problema não é o item parado em si, é aquele item que nunca foi pedido por ninguém.
Alimento e produto com validade. Aqui a conta é de calendário e não admite adiamento nenhum. A ação precisa começar bem antes do prazo de validade, e não quando ele já está próximo.
Eletrônico e tecnologia. A desvalorização é muito rápida e cada lançamento novo derruba o valor do modelo anterior. Segurar estoque nesse setor é o pior negócio possível.
Material de construção e durável. O produto perde pouco valor com a passagem do tempo, então aqui o custo real é o espaço ocupado e o capital preso, e não a depreciação.

Como conversar sobre isso com quem decide junto

Em negócio familiar ou com sócio, o item parado costuma ter dono emocional.

Não trate como erro de alguém. Se a conversa se transforma numa apuração de quem foi que comprou errado, a decisão trava na hora e o estoque continua exatamente onde está.
Leve o número, não a opinião. Tempo parado, valor imobilizado e espaço ocupado convencem muito mais que qualquer argumento sobre a compra original ter sido ruim.
Proponha a regra, não o caso. É bem mais fácil alguém concordar com um prazo geral para todos os itens do que aceitar que aquele item específico foi um equívoco de compra.
Comece pelo menos sensível. Escoar primeiro aquilo que ninguém na empresa faz questão de defender cria o precedente e facilita todo o resto.
Mostre o resultado depois. O caixa que voltou e o espaço que abriu na loja fazem a segunda rodada acontecer sem nenhuma discussão.

Sobre baixa de estoque, doação e imposto

Há tratamento contábil e fiscal aqui, e vale conhecer os contornos.

Mercadoria que perde valor, vence ou se torna imprestável pode ser objeto de baixa de estoque, mas isso não é apenas tirar do sistema: existem requisitos de comprovação que variam conforme o caso, e a documentação inadequada pode fazer o Fisco glosar a despesa. Para produtos com validade, quebra ou perda, costuma-se exigir registro formal do descarte, às vezes com laudo ou acompanhamento, dependendo da categoria e da regulamentação do setor. Vender abaixo do custo é legítimo e comum, mas também tem reflexo tributário, porque a operação continua sendo fato gerador dos tributos sobre venda ainda que o resultado seja negativo.

A doação tem regras próprias. Doar mercadoria costuma exigir emissão de documento fiscal com natureza específica e, dependendo do regime e do estado, pode haver incidência de tributo ou necessidade de estorno de crédito. Existem também programas que oferecem tratamento diferenciado para doação de alimentos e de determinados produtos a entidades assistenciais, com condições próprias de habilitação. Como cada situação depende do regime de tributação, do estado e da natureza do produto, e como fazer errado pode custar mais que o estoque em questão, converse com o seu contador antes de dar baixa, doar ou descartar qualquer volume relevante.

Quando vale chamar alguém

Definir o prazo por categoria e cumprir a regra é decisão sua, e ninguém conhece o giro do seu produto melhor que você.

Vale trazer ajuda para comunicar a liquidação sem parecer desespero. Se a dificuldade é o preço em si, leia saber se o preço está certo. E se o problema começou quando uma rede abriu por perto, leia rede grande abriu perto. Se o problema é mercadoria que some e não capital parado, leia meu estoque não bate.

Como escoar estoque parado sem desvalorizar a loja

  1. Listar os itens por tempo parado, não por valor O tempo sem giro é o número que decide.
  2. Definir um prazo limite por categoria de produto Trinta, noventa ou cento e oitenta dias conforme o tipo.
  3. Escrever a regra para tirar a decisão do caso a caso Sem regra, a conversa sempre termina em deixar para depois.
  4. Perguntar ao fornecedor sobre troca por item que gira É comum e quase ninguém pede.
  5. Refazer foto e descrição do que não gira no online Boa parte do encalhe nunca foi bem apresentada.
  6. Oferecer primeiro à base de clientes, com prazo Escoa sem sinalizar dificuldade ao mercado todo.
  7. Declarar o motivo da liquidação Sem razão dita, o cliente inventa uma pior que a verdadeira.
  8. Escalonar o desconto ao longo de semanas Descobre o preço que escoa sem entregar margem à toa.
  9. Comprar pelo histórico do item, não pela intuição Quase todo encalhe nasceu de compra sem dado.
  10. Conferir com o contador antes de dar baixa ou doar Documentação inadequada pode custar mais que o estoque.
Cleber Barbosa, consultor de marketing digital em Ribeirão Preto
Autor
Cleber Barbosa
Consultor de Marketing Digital, SEO e Tráfego Pago — Ribeirão Preto, SP

Vinte anos de marketing digital e 43 cases documentados. Trabalho com SEO técnico, tráfego pago, growth hacking e IA aplicada a negócios. Segurar preço para não realizar o prejuízo não evita o prejuízo: adia o reconhecimento e soma custo em cima.

Sobre o autor
Perguntas frequentes

Dúvidas sobre estoque parado

Como decido o que liquidar?

Pelo tempo parado, não pelo valor nem pela margem. Item sem giro há muito tempo é a lista, independentemente do que custou.

E se eu perder dinheiro na venda?

O dinheiro já saiu quando você comprou. Segurar não recupera nada e vai somando custo de espaço e de capital todo mês.

Liquidação estraga meu preço?

Estraga quando é permanente e sem motivo. Com prazo definido e razão explicada, ela não vira a referência de preço da loja.

Para quem ofereço primeiro?

Para quem já compra de você. Condição especial para cliente ativo escoa sem sinalizar dificuldade ao mercado todo.

O fornecedor aceita de volta?

Muitos aceitam troca por item que gira, e quase ninguém pergunta. Vale tentar antes de qualquer desconto.

Posso doar o que sobrou?

Pode, e há tratamento fiscal específico para baixa de estoque e doação. É conversa para o seu contador antes de fazer.

Qual item está na sua prateleira há mais de um ano?

Você provavelmente respondeu de cabeça, sem precisar consultar sistema nenhum. Esse é exatamente o ponto.

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