O cliente propôs me pagar por resultado

A ideia soa justa dos dois lados: você ganha mais se entregar mais. Só que o resultado quase nunca depende só de você, e quem assina esse acordo sem definir o que conta acaba trabalhando de graça.

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A coisa que precisa estar na sua mão

O resultado. Não a influência sobre ele: o controle. Se o cliente demora a aprovar, atende mal quem você trouxe, muda a oferta no meio ou não tem estoque, o número não sai e a culpa cai em você mesmo assim. Acordo por resultado só é justo quando quem responde pelo número também controla as variáveis que o produzem.

Na maioria dos serviços, você controla uma parte. Aceitar ser pago só pelo todo é assumir o risco de quem contratou.

Nenhum acordo desses funciona sem base fixa: variável pura transfere ao prestador o risco inteiro da operação alheia e ainda o obriga a financiar o próprio trabalho enquanto espera. O formato que se sustenta é base mais variável: a base cobre o seu custo de existir e a variável premia o resultado. Quem propõe apenas variável quase sempre está querendo terceirizar o risco, não repartir o ganho.

As três perguntas antes de aceitar

O que exatamente conta como resultado? Lead gerado, venda fechada, contrato assinado ou valor efetivamente recebido. Cada um desses acontece num momento diferente e depende de gente diferente para acontecer.
Quem mede, e onde? Se o número mora dentro de um sistema que só o cliente acessa, você vai receber exatamente aquilo que ele disser que deu.
O que acontece se ele travar a operação? Aprovação que demora semanas, verba cortada no meio, equipe que não atende quem chega. Sem nada disso previsto no acordo, você paga a conta de um problema que é dele.

Quando quem propõe é você

Oferecer variável pode ser vantagem comercial, e tem armadilhas próprias.

Só ofereça onde você já tem histórico. Propor risco compartilhado num serviço que você nunca chegou a medir é apostar com dinheiro que ainda nem é seu.
Use como diferencial, não como desconto. Dizer "eu acredito tanto no trabalho que aceito ser pago pelo resultado" é posicionamento de verdade; baixar o fixo só para caber no orçamento dele é outra coisa completamente diferente.
Peça em troca o que você precisa para entregar. Peça acesso aos dados, prazo máximo de aprovação e um interlocutor único. Se você está assumindo risco, pode exigir condições.
Não ofereça para cliente desorganizado. O modelo amplifica todos os defeitos da operação dele, e é você quem acaba pagando por eles.
Calcule o pior cenário antes de propor. Se o resultado simplesmente não vier, a base cobre os seus custos daquele período? Se não cobrir, essa proposta não deveria nem existir.

O teste que resolve antes de assinar

Existe uma forma de descobrir se o modelo funciona sem apostar alto.

Rode dois meses com preço fixo primeiro. Você descobre qual é o resultado real, o cliente enxerga o trabalho acontecendo, e a discussão sobre variável passa a ter número em vez de expectativa.
Meça tudo desde o primeiro dia. Se depois vocês converterem o acordo para variável, esses dois meses viram a linha de base que define o que é ganho de verdade.
Observe como o cliente responde. A velocidade de aprovação, a qualidade do atendimento e a verba disponível durante o teste dizem se o variável seria justo ou se seria você pagando pela desorganização dele.
Deixe claro que é teste. Combinado por escrito como período de aferição, com prazo definido, isso evita que o preço fixo vire o preço permanente sem nenhuma conversa.
Reavalie com os dois números na mesa. Nesse ponto vocês dois decidem juntos, com dado na mão, e o acordo que sai dessa conversa costuma durar bem mais.

O erro de aceitar por escassez: quase todo mundo que assinou um acordo ruim de variável estava com a agenda vazia naquele mês. A proposta parecia melhor que nada, e nada era a alternativa. O problema é que esse contrato consome exatamente o tempo que você precisaria para prospectar, e no mês seguinte a escassez continua com uma obrigação a mais em cima. Se a decisão está sendo tomada por aperto de caixa, o que precisa de solução é o caixa, não o formato do contrato.

O que medir durante o acordo

Suas horas por mês

Sem isso você não sabe se o variável está pagando bem ou mal.

O que entrou no seu recorte

Registrado por você também, não só no sistema do cliente.

O que travou e por culpa de quem

Anotado na hora vira argumento; lembrado depois vira discussão.

O valor-hora efetivo

Variável recebido dividido pelas horas gastas. É o número que decide renovar.

O primeiro passo

Liste o que você controla de fato. Sem generosidade.
Escreva o que conta como resultado. Em uma frase.
Peça acesso ao número. Antes de aceitar.
Proponha base mais variável. Você mesmo.
Sugira dois meses de teste. Com preço fixo.

As duas discussões que aparecem na hora de pagar

Elas são previsíveis, e por isso deveriam estar resolvidas no papel.

A atribuição. O cliente que fechou veio do seu trabalho ou já viria de qualquer jeito? É a discussão mais comum de todas e a mais difícil de resolver depois que já aconteceu. Defina a regra antes: por origem declarada, por período de janela ou por primeiro contato registrado.
O que acontece com o resultado que chega depois. Contrato encerrado em março e uma venda fechada em maio, claramente originada do trabalho que você fez. Sem uma regra de cauda escrita, você entregou e não recebe nada.
Escreva as duas antes de começar. Depois que o dinheiro já está na mesa, qualquer definição nova parece oportunismo de quem está propondo.
Combine prazo de apuração e de pagamento. Apurado em que data, pago em que data. Sem essas duas definições, o variável vira uma cobrança sua todo santo mês.
Preveja o caso de discordância. Um critério de desempate deixado por escrito não custa nada agora e evita justamente a conversa que costuma encerrar a relação.

O que o cliente está realmente dizendo: quando alguém propõe pagar só por resultado, quase sempre está comunicando que não confia no investimento ou que não tem caixa para pagar antes. Nenhuma das duas coisas é ofensa, e as duas mudam a conversa. Se é desconfiança, o caminho é reduzir o escopo e provar num trabalho menor. Se é caixa, o caminho é parcelar a base ou começar menor. Aceitar variável puro para contornar o problema real costuma acabar com você financiando a empresa dele.

Como calcular o variável

Sobre o que você trouxe

Um percentual sobre o resultado que foi atribuído a você, jamais sobre o faturamento inteiro da empresa.

Com teto ou sem teto

Variável sem teto assusta o cliente; com teto baixo demais tira o seu incentivo. Vale negociar isso abertamente.

Acima de uma linha de base

Premiar apenas aquilo que passou do histórico anterior é bem mais justo que premiar o resultado total.

Pago sobre o recebido

Comissão calculada sobre venda que o cliente ainda não recebeu vira prejuízo para os dois lados.

Como isso muda por tipo de serviço

O grau de controle sobre o número muda tudo.

Venda direta e prospecção. É de longe onde o modelo faz mais sentido: você fala com o cliente, conduz a conversa e fecha. O controle é alto e o resultado é realmente seu.
Tráfego pago e geração de contatos. Aqui você controla o contato que foi gerado, mas não a venda que vem depois. O variável precisa estar no lead qualificado, e não no fechamento.
Conteúdo e posicionamento. O efeito costuma ser lento e difuso, e atribuir uma venda específica a um artigo publicado há oito meses gera discussão sem fim.
Consultoria e método. Aqui quem executa o plano é o próprio cliente. Cobrar por resultado nesse caso é apostar na disciplina de outra pessoa.
Recuperação de crédito e negociação. É o modelo clássico de honorário de êxito, justamente porque o resultado é objetivo, datado e verificável pelos dois lados.

Quando o modelo funciona a seu favor

Existem situações em que aceitar é a melhor decisão possível.

Quando você quer entrar num cliente grande. O variável reduz bastante a barreira de decisão dele e coloca você dentro da operação, com a base cobrindo o seu custo enquanto isso.
Quando o teto de ganho é alto. Se o resultado possível daquele trabalho é muito maior que o seu preço fixo, o variável acaba sendo a única forma de participar desse ganho.
Quando você já fez isso antes com número conhecido. Um histórico de resultado conhecido transforma a aposta em previsão, e a partir daí o risco passa a ser calculado.
Quando o cliente é organizado. Uma operação que aprova rápido, atende bem quem chega e mede direito faz o modelo funcionar. A qualidade da operação dele é parte do seu risco.
Quando serve de teste para os dois. Um período curto com variável mais agressivo prova a tese para os dois e depois se converte num contrato normal.

Como recusar sem perder o cliente

Dizer não à proposta não é dizer não ao trabalho.

Explique o controle, não o risco. Dizer "eu não controlo o atendimento que fecha a venda" é um argumento técnico e verificável; dizer "não quero correr risco" soa como falta de confiança no próprio trabalho.
Ofereça o meio-termo você mesmo. Base mais variável, apresentado por você, vira uma proposta sua em vez de uma recusa à dele.
Proponha medir o que você controla. Se a venda fechada não serve como critério, o contato qualificado serve, e isso costuma resolver a negociação.
Sugira um período de prova pago. Um escopo pequeno com preço fixo prova o resultado sem que nenhum dos dois lados precise apostar alto.
Aceite perder alguns. O cliente que só contrata quando não corre risco nenhum costuma ser exatamente o mesmo que cobra resultado sem fazer a parte que cabe a ele.

Sobre remuneração variável e enquadramento

Vale conhecer os contornos, sem tratar isto como orientação contábil ou jurídica.

Remuneração variável em contrato de prestação de serviço é lícita e comum, mas o desenho importa. Um contrato que fixa apenas comissão sobre vendas, com exclusividade, subordinação a horário e direção do contratante, pode ser interpretado como relação de representação comercial ou até como vínculo empregatício disfarçado, com consequências que vão de indenização de rescisão a verbas trabalhistas retroativas. A representação comercial tem lei própria, com regras de aviso prévio, indenização mínima e direito à comissão sobre pedidos aprovados, e ela se aplica independentemente do nome que se dê ao contrato quando os elementos estão presentes.

Do lado fiscal, o valor variável integra a receita da prestação e é tributado como tal, no regime da sua empresa, ainda que só seja apurado meses depois. Isso cria descompasso de caixa que vale considerar no desenho: você pode dever imposto sobre valor que ainda não recebeu, dependendo do regime de reconhecimento. Também vale definir no contrato se a base de cálculo é o valor faturado ou o efetivamente recebido pelo cliente, porque a diferença muda o seu risco por inteiro. Como o enquadramento depende de detalhes concretos da relação, converse com o seu contador e com um advogado antes de assinar um modelo com variável relevante.

Quando vale chamar alguém

Desenhar o acordo e definir o que conta é decisão sua, e depende de conhecer o próprio grau de controle.

Vale trazer ajuda para escolher o formato de cobrança. Se a dúvida é entre hora, projeto e mês, leia cobrar por hora, por projeto ou por mês. E se o contrato ainda não existe, leia cliente pediu contrato e nunca fiz.

Como avaliar uma proposta de pagamento por resultado

  1. Verificar se você controla o número, não só influencia Sem controle, você assume o risco de quem contratou.
  2. Definir exatamente o que conta como resultado Lead, venda e valor recebido acontecem em momentos diferentes.
  3. Exigir acesso ao lugar onde o número é medido Sem acesso, você recebe o que o cliente disser que deu.
  4. Nunca aceitar variável sem base fixa A base cobre o seu custo de existir; a variável premia o resultado.
  5. Escrever a regra de atribuição antes de começar Depois que o dinheiro está na mesa, definir parece oportunismo.
  6. Prever o resultado que chega depois do contrato encerrado Sem regra de cauda, você entrega e não recebe.
  7. Combinar prazo de apuração e prazo de pagamento Sem isso, o variável vira cobrança sua todo mês.
  8. Calcular sobre o recebido, não sobre o faturado Comissão sobre venda não recebida é prejuízo dos dois.
  9. Prever o que acontece se o cliente travar a operação Aprovação lenta e verba cortada são problemas dele.
  10. Conferir enquadramento com contador e advogado Só comissão com exclusividade pode virar outra relação.
Cleber Barbosa, consultor de marketing digital em Ribeirão Preto
Autor
Cleber Barbosa
Consultor de Marketing Digital, SEO e Tráfego Pago — Ribeirão Preto, SP

Vinte anos de marketing digital e 43 cases documentados. Trabalho com SEO técnico, tráfego pago, growth hacking e IA aplicada a negócios. Acordo por resultado só é justo quando quem responde pelo número controla as variáveis que o produzem. Escrevo estes roteiros com o que aplico em diagnóstico real.

Sobre o autor
Perguntas frequentes

Dúvidas sobre pagamento por resultado

Vale aceitar pagamento por resultado?

Vale quando o resultado depende principalmente do seu trabalho e é medido em lugar que você acessa. Fora disso, é risco alheio.

Pode ser só variável?

Variável pura transfere o risco inteiro para você e ainda exige que financie o próprio trabalho. O formato que funciona é base mais variável.

O que definir primeiro?

O que exatamente conta como resultado. Lead, venda e valor recebido acontecem em momentos diferentes e dependem de gente diferente.

E se o cliente travar a operação?

Precisa estar previsto. Aprovação lenta e verba cortada são problemas dele que, sem cláusula, viram prejuízo seu.

Quem faz a medição?

Se o número mora num sistema que só ele acessa, você vai receber o que ele disser que deu. Acesso é parte do acordo.

Isso muda a natureza do contrato?

Remuneração variável tem reflexos fiscais e contratuais. Vale conferir o desenho com contador e advogado antes de assinar.

Você controla o número pelo qual vai ser pago?

Se a resposta tem um "depende de" no meio, o acordo precisa de base fixa.

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