Vendo o mesmo produto que meu concorrente, do mesmo fabricante

A caixa é a mesma, o código é o mesmo, o fornecedor é exatamente o mesmo. O cliente compara e só resta o preço, porque foi você quem não deu a ele nenhuma outra coisa para comparar.

Falar sobre a minha diferenciação
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saídas quando nada mais funciona
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coisas que mudam mesmo com o item igual
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pergunta que o cliente faz e ninguém responde
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produtos que se vendem sozinhos

O produto é igual, a compra não

Ninguém compra só o objeto. Compra junto a certeza de que é o item certo, o prazo, a garantia de que alguém vai atender se der problema e a economia de não precisar pesquisar mais. Quando você não comunica nada disso, sobra o único atributo visível, que é o número.

O concorrente não está ganhando por ser mais barato. Está ganhando porque, na comparação que o cliente fez, as duas ofertas pareciam exatamente a mesma.

A pergunta que o cliente faz e ninguém responde: "qual desses eu preciso?" Em categoria com item idêntico, o comprador raramente tem certeza do que serve para o caso dele. Quem responde essa pergunta antes da venda deixa de ser vitrine e vira quem entende do assunto, e isso muda o preço aceitável. Quem só lista produto está pedindo para ser comparado por número, porque não ofereceu nenhum outro critério.

As quatro coisas que mudam mesmo com o item igual

Quando chega. Ter o item em estoque hoje derrota um preço menor com prazo de dez dias em boa parte das compras, e disponibilidade é justamente o dado que menos aparece anunciado por aí.
Em que quantidade. Conseguir vender uma única unidade quando o distribuidor exige caixa fechada é uma diferença real de operação, e não de discurso comercial.
Quem absorve o risco. Trocar sem discussão, aceitar devolução do que sobrou, garantir a compatibilidade. Você assume um risco que o site não assume.
Quanto custa errar a compra. Em item técnico, comprar o errado custa o valor do produto mais o tempo com tudo parado. Quem reduz essa chance de erro vale bem mais que o desconto oferecido.

Quando o fabricante vende direto e mais barato

É a versão mais dura do problema, e cada vez mais comum.

Confirme se ele vende mesmo abaixo de você. Muitos fabricantes mantêm preço de tabela alto justamente para não competir com a rede, e a impressão de que estão sabotando às vezes não se confirma.
Veja o que ele não entrega. Fabricante costuma ter prazo longo, pedido mínimo e nenhum atendimento pós-venda local. É onde o seu espaço continua existindo.
Converse antes de reclamar. Alguns revisam a política quando percebem que estão perdendo capilaridade. Outros já decidiram, e saber qual é o caso muda o seu planejamento.
Reduza a dependência daquela linha. Se o fornecedor virou concorrente, a linha dele deixou de ser ativo e passou a ser risco.
Não brigue por preço com quem produz. Ele tem margem que você nunca vai ter, e essa é uma disputa que não se ganha.

Os dois compradores dessa categoria

Eles chegam pela mesma porta e precisam de coisas opostas.

O que já sabe o que quer. Ele chega com o código exato do produto, já pesquisou tudo e vai comprar do mais barato. Argumentar com esse comprador consome tempo e quase nunca muda a decisão.
O que não sabe o que precisa. Ele descreve o problema que tem, não o item que precisa. Compra de quem resolver a dúvida dele, e raramente sai pesquisando em cinco lugares depois de resolvida.
A maioria da sua margem vem do segundo. E quase toda a sua comunicação costuma estar desenhada para o primeiro deles, que é justamente o comprador que você não vai ganhar.
Responda rápido ao primeiro e bem ao segundo. Mande preço e disponibilidade em uma linha para quem já decidiu; abra conversa com quem ainda não decidiu nada.
Não trate os dois igual. Explicar demais para quem já decidiu apenas irrita, e responder só o preço para quem ainda está em dúvida perde a venda inteira.

O teste que revela onde você está: conte quantas das últimas vinte conversas começaram com "quanto custa o produto X" e quantas começaram com "preciso resolver tal coisa". Se quase todas são do primeiro tipo, você está sendo encontrado como vitrine, e vitrine se compara por número. A proporção não é destino: ela é consequência do que você publica. Quem escreve sobre o problema atrai quem tem o problema; quem lista só produto atrai quem já escolheu.

O que fazer na hora que perguntam o preço

Responda o preço, sempre

Desviar da pergunta direta é justamente o que faz a pessoa ir embora e comparar preço em paz com o concorrente.

Junte uma informação útil

Prazo, compatibilidade ou o que costuma ser pedido junto, na mesma mensagem.

Pergunte a aplicação

Perguntar "é para qual equipamento?" abre justamente a conversa que o preço sozinho teria fechado.

Não peça para ligar

Quem está comparando não vai ligar para ninguém. Vai direto para o próximo que respondeu por escrito.

O primeiro passo

Pergunte a cinco clientes o motivo. Da escolha por você.
Classifique as últimas vinte conversas. Preço ou problema.
Reescreva uma descrição de produto. Sem copiar.
Publique estoque e prazo. Em um lugar só.
Peça uma variação ao fabricante. Kit ou cor.

Como descobrir o que só você faz

Quase todo revendedor tem diferencial e não sabe nomear.

Pergunte a cinco clientes por que compraram com você. A resposta quase nunca é o preço, e quase sempre é alguma coisa que você faz sem nem perceber e nunca comunicou a ninguém.
Liste o que você resolve fora da venda. Orientar na escolha, aceitar troca sem burocracia, guardar o pedido até ele buscar, avisar quando a mercadoria chegou. Cada um desses itens é um argumento de venda.
Veja o que o concorrente não consegue fazer. Loja grande não recomenda nada, site nenhum atende ninguém, distribuidor não vende uma unidade avulsa. Cada uma dessas limitações é exatamente o seu espaço.
Repare em quem volta. O cliente que retorna sem pesquisar em outro lugar já enxerga alguma coisa em você. Descobrir exatamente o que é resolve metade do problema.
Escreva em uma frase. Se você não consegue dizer o seu diferencial em uma única frase, o cliente também não vai conseguir repetir aquilo para outra pessoa.

O erro de brigar pelo mesmo cliente: num mercado com produto idêntico, existe sempre alguém disposto a vender por menos, e essa disputa termina com todo mundo ganhando pouco. A saída não é convencer quem já decidiu comprar pelo preço: é ser encontrado por quem não sabe o que comprar. Esse comprador é bem mais numeroso do que parece, decide por confiança e não aparece na comparação de preço porque nem chegou nela ainda.

O que muda no seu site e no seu anúncio

Pare de copiar o texto do fabricante

Uma descrição idêntica à de todo mundo apenas confirma ao cliente que você é igual a todo mundo.

Diga o que tem pronto agora

Informar a quantidade disponível na hora resolve mais objeção de compra que qualquer adjetivo elogioso.

Mostre estoque e prazo

Disponibilidade imediata é um diferencial concreto e quase nenhum revendedor publica isso.

Use foto sua

A imagem tirada do catálogo do fabricante aparece igualzinha em vinte lojas diferentes.

Como isso muda por tipo de revenda

O espaço para diferenciar depende de quanto o produto exige de conhecimento.

Peça técnica e reposição. Aqui o espaço para diferenciar é enorme: identificar a peça certa a partir do modelo do equipamento é prestação de serviço, e vale bem mais que desconto.
Material de construção. Calcular a quantidade certa, entregar no dia exato da obra e aceitar a troca do que sobrou pesam muito mais que centavos no preço do metro.
Eletrônico e informática. É o pior cenário de todos, porque a especificação técnica está pública e o cliente já pesquisou tudo antes de chegar. Sobra competir por prazo, garantia e suporte.
Cosmético e suplemento. Orientação de uso e indicação feita por perfil de pessoa criam uma relação que a compra online simplesmente não cria.
Alimento e bebida industrializados. Margem bem apertada e comparação fácil de fazer, e aqui a diferenciação costuma vir do mix de produtos e da conveniência, não do item em si.

O que negociar com o fabricante

Parte da solução está antes da venda, na relação com quem produz.

Exclusividade por região ou por linha. É difícil de conseguir sem volume relevante, mas vale perguntar mesmo assim. Alguns fabricantes preferem um revendedor ativo a cinco revendedores passivos.
Uma variação só sua. Uma cor diferente, um kit, uma embalagem ou uma combinação exclusiva já quebram a comparação direta sem exigir desenvolver produto novo.
Política de preço mínimo. Alguns fabricantes orientam um preço de revenda justamente para proteger a rede, e vale descobrir se essa política existe.
Prazo e condição melhores. Se não dá para ser o exclusivo, ser o revendedor que compra nas melhores condições já cria a folga de margem necessária para competir.
Apoio de material e treinamento. O conteúdo técnico produzido pelo fabricante, usado no seu canal com a sua assinatura, sai de graça e diferencia bastante.

As duas saídas quando nada mais funciona

Há mercados em que a diferenciação de serviço não sustenta a margem.

Marca própria. Produzir com a sua marca elimina a comparação direta, mas exige pedido mínimo, capital parado e construção de marca do zero. É saída de médio prazo, não solução para este mês.
Mudar o que você vende junto. Se o produto não dá margem, o serviço em volta pode dar: instalação, manutenção, contrato de reposição. O item vira porta de entrada.
Aceitar ser o barato, com estrutura para isso. É decisão legítima, e exige operação enxuta de verdade, não boa vontade.
Sair da categoria. Quando a margem some e não volta, insistir consome capital que renderia em outra linha.
Decida com número, não com teimosia. Margem por linha, ao longo de um ano, mostra qual dessas saídas o seu negócio já está pedindo.

Sobre preço, concorrência e combinação

Vale conhecer os contornos, sem tratar isto como orientação jurídica.

Combinar preço com outro revendedor da mesma categoria é infração à ordem econômica na legislação brasileira de defesa da concorrência, mesmo entre empresas pequenas e mesmo quando o combinado é informal, feito num grupo de mensagens ou numa conversa de associação. As sanções incluem multa expressiva calculada sobre o faturamento e podem alcançar os sócios pessoalmente. Dividir mercado por região ou por cliente entre concorrentes tem o mesmo enquadramento. É um risco que pessoas de boa-fé correm sem perceber, porque a conversa costuma começar como reclamação sobre a guerra de preços.

Do lado do fabricante, a orientação de preço mínimo de revenda é assunto delicado: sugerir preço é prática aceita, mas impor e punir quem não cumpre pode ser considerado conduta anticompetitiva conforme o caso. Já a exclusividade territorial concedida por um fornecedor a um revendedor é geralmente lícita, com limites. Vale também lembrar que anunciar preço exige transparência: promoção com condição escondida, valor que não é praticado ou comparação com preço anterior inexistente configuram publicidade enganosa perante a legislação de defesa do consumidor. Como o enquadramento depende do caso concreto e o custo de errar é alto, converse com um advogado antes de firmar qualquer acordo com concorrentes ou com o fabricante.

Quando vale chamar alguém

Descobrir o que diferencia a sua operação é trabalho seu, e depende de conhecer o cliente que você já atende.

Vale trazer ajuda para transformar isso em comunicação que aparece antes da comparação. Se a disputa é com um site, leia o cliente pergunta o preço na loja e compra na internet. Quando o seu caso é representar marcas de terceiros, o que publicar está em represento marcas de terceiros.

Como diferenciar a venda de um produto idêntico ao do concorrente

  1. Perguntar a cinco clientes por que compraram com você A resposta quase nunca é preço e quase nunca foi comunicada.
  2. Listar o que você resolve fora da venda em si Orientar, trocar sem burocracia, guardar o pedido, avisar.
  3. Mapear o que o concorrente estruturalmente não consegue fazer Loja grande não recomenda, site não atende, distribuidor não fraciona.
  4. Responder a pergunta 'qual desses eu preciso' Quem responde deixa de ser vitrine e vira referência.
  5. Parar de copiar a descrição do fabricante Texto idêntico ao de todos confirma que você é igual a todos.
  6. Publicar estoque e prazo de entrega Disponibilidade imediata é diferencial e quase ninguém mostra.
  7. Trocar a foto do catálogo por foto sua A imagem do fabricante aparece em vinte lojas iguais.
  8. Pedir ao fabricante uma variação só sua Cor, kit ou embalagem já quebram a comparação direta.
  9. Nunca combinar preço com outro revendedor É infração à ordem econômica, inclusive entre empresas pequenas.
  10. Decidir com margem por linha ao longo de um ano O número mostra qual saída o negócio já está pedindo.
Cleber Barbosa, consultor de marketing digital em Ribeirão Preto
Autor
Cleber Barbosa
Consultor de Marketing Digital, SEO e Tráfego Pago — Ribeirão Preto, SP

Vinte anos de marketing digital e 43 cases documentados. Trabalho com SEO técnico, tráfego pago, growth hacking e IA aplicada a negócios. O concorrente não ganha por ser mais barato: ganha porque as duas ofertas pareciam a mesma. Escrevo estes roteiros com o que aplico em diagnóstico real.

Sobre o autor
Perguntas frequentes

Dúvidas sobre vender produto idêntico

Dá para diferenciar sem mexer no produto?

Dá. Quem escolhe por você, quando chega, o que acontece se der errado e quem atende depois não vêm dentro da caixa.

Por que a conversa vira só preço?

Porque é o único atributo que você tornou visível. Sem outro critério na mesa, o cliente usa o que consegue comparar.

Qual a pergunta que ninguém responde?

"Qual desses eu preciso?" Quem responde isso antes da venda deixa de ser vitrine e vira referência no assunto.

Vale pedir exclusividade ao fabricante?

Vale tentar por região ou por linha, mas exige volume. Sem volume, o caminho realista é diferenciar o serviço em volta.

Devo criar marca própria?

É a saída definitiva e a mais cara. Exige pedido mínimo, capital parado e construção de marca do zero.

Posso combinar preço com outro revendedor?

Não. Combinação de preços entre concorrentes é infração à ordem econômica, com consequências sérias.

Se o cliente tirar o preço da conta, o que sobra?

Se você mesmo levou algum tempo para responder, o seu cliente também não sabe. E é exatamente por isso que ele compara por número.

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