Meu ponto é bom mas fica escondido e o cliente não acha

Sobreloja, fundo de galeria, rua paralela, prédio sem identificação. Quem já foi uma vez volta sempre. O problema é que ninguém chega na primeira, e você paga aluguel por um lugar que só funciona para quem já conhece.

Falar sobre o meu ponto
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trechos do caminho, com problemas diferentes
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clientes que ligam para perguntar onde é
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correções que custam quase nada
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momento em que a pessoa desiste

O momento exato em que a pessoa desiste

Não é quando ela não encontra. É quando ela para na calçada, olha em volta, não vê nada com o seu nome e conclui que fechou ou que se enganou de endereço. Isso leva menos de um minuto e acontece a poucos metros da sua porta.

Quase ninguém liga para perguntar onde fica. A pessoa vai embora achando que o problema era o endereço, e você nunca fica sabendo que ela esteve ali.

Ponto escondido não é um problema, são três: ser encontrado na busca, chegar até a rua certa e identificar a entrada. Cada trecho tem uma causa e uma correção diferente, e quase todo mundo tenta resolver os três com a mesma ação. Descobrir em qual deles a pessoa desiste é o que separa investir na placa certa de gastar com anúncio que traz gente até uma porta que ela não vai reconhecer.

Os três trechos do caminho

Ser encontrado. Se você não aparece na busca com o nome do serviço mais a região, a pessoa nem chega ao ponto de procurar o seu endereço. Nesse trecho o problema é de presença, e não de localização.
Chegar à rua. Pino do mapa fora do lugar, entrada que fica pelos fundos, rua com dois números iguais em quadras diferentes. O aplicativo entrega a pessoa no ponto errado e ela acaba culpando você por isso.
Reconhecer a entrada. A pessoa está literalmente na frente da sua porta e não sabe disso. É de longe o trecho mais barato de corrigir e o mais negligenciado dos três.

A correção que custa quase nada

Antes de qualquer investimento, três ajustes gratuitos resolvem boa parte.

Arraste o pino do mapa até a porta real. A ficha permite ajustar a posição exata. Um pino no meio da quadra manda a pessoa para o vizinho, e isso é corrigível em dois minutos.
Escreva a referência no próprio endereço. "Sobreloja, entrada ao lado da farmácia" cabe no campo de complemento e aparece em todo lugar onde o endereço é exibido.
Ponha foto da fachada vista da calçada. Não a foto bonita de dentro: a imagem que a pessoa vai comparar com o que está vendo. É a informação mais útil que a ficha aceita.
Grave o trajeto dos últimos cinquenta metros. Um vídeo curto de quinze segundos, do ponto de referência até a porta, resolve mais que qualquer explicação escrita.
Confirme como o aplicativo te encontra. Digite o próprio endereço no celular e siga a rota como se fosse cliente. É desconfortável e revela o problema em uma tentativa.

O que dizer a quem liga perdido

As poucas pessoas que ligam são a amostra mais valiosa que você tem.

Pergunte onde ela está agora. Antes de explicar qualquer coisa. A resposta revela em qual dos três trechos as pessoas estão travando, e ela veio de graça até você.
Oriente pelo que se vê, não pelo nome da rua. "De frente para a padaria azul, a porta é à direita" funciona; "número 340" não funciona para quem já está no 340.
Anote onde ela estava. Três ligações do mesmo lugar indicam exatamente onde falta sinalização, e esse é um mapa que ninguém mais tem.
Mande a localização, não o endereço. Compartilhar o ponto exato pelo aplicativo resolve em segundos o que a explicação leva minutos para tentar.
Trate cada ligação como sintoma, não como incidente. Para cada pessoa que liga, várias desistiram calada, e a proporção é sempre pior do que parece.

O que a placa precisa ter

A maioria das placas foi feita para quem já sabe que a loja existe.

O que você faz, não só o nome. Uma placa escrita apenas "Ateliê Marina" não informa nada a quem passa na calçada. Escrever "Ateliê Marina, costura e ajustes" transforma aquela mesma placa em captação de cliente.
Visibilidade de quem vem andando. Uma placa instalada perpendicular à parede é lida por quem vem caminhando pela calçada; a placa paralela só é vista de frente, ou seja, quando a pessoa já passou direto pela porta.
Uma seta, se a entrada não for óbvia. Colocar uma seta parece exagero à primeira vista e é justamente o item que mais recupera gente que já tinha chegado perto.
Iluminação, se você atende à noite. Uma fachada apagada comunica estabelecimento fechado, e nenhuma placa, por melhor que seja, funciona no escuro.
Confira a regra do município antes. As cidades têm limite próprio de tamanho, tipo e posição de anúncio em fachada, e uma placa irregular acaba saindo bem mais cara que uma placa bem feita.

Quando o problema é o vizinho de frente

Em galeria, corredor e prédio compartilhado, a disputa é por atenção.

Veja o que ofusca você. Um vizinho com fachada muito forte captura todo o olhar de quem entra na galeria, e a sua porta acaba virando paisagem mesmo estando bem ao lado.
Negocie a sinalização comum. Muitos prédios têm o painel de identificação da entrada desatualizado há anos, e atualizar costuma depender apenas de alguém tomar a iniciativa de pedir.
Combine com o vizinho de baixo. Quem ocupa a loja da entrada pode indicar você o dia inteiro, e isso funciona muito melhor quando existe reciprocidade combinada, e não um pedido isolado.
Use o térreo como referência. Dizer "acima da padaria da esquina" é bem mais útil que informar o número do prédio, e a padaria costuma não se importar nem um pouco com isso.
Cuidado com a regra do condomínio. Nem toda fachada de condomínio aceita alteração individual de loja, e vale conferir a convenção com calma antes de encomendar qualquer coisa.

Como transformar o ponto escondido em vantagem

Existe um lado bom, e ele só aparece quando o acesso está resolvido.

O aluguel é menor. Você paga por metro quadrado e não por vitrine, e essa diferença toda pode financiar o marketing que compensa a falta de fluxo de rua.
Quem chega, chega decidido. Ninguém sobe uma escada de sobreloja por impulso. O cliente que faz o esforço já resolveu comprar, e a taxa de conversão costuma ser bem maior.
Menos comparação de preço. Quem procurou você especificamente não está comparando três vitrines lado a lado.
Ambiente mais reservado. Em serviço que envolve privacidade, o ponto discreto deixa de ser defeito e vira argumento de venda.
Só vale se o cliente chegar. Todas essas vantagens existem depois que a pessoa entra pela primeira vez, e nenhuma resolve o problema de chegar até lá.

O que muda no jeito de captar

Sem fluxo de calçada, a captação inteira acontece antes de a pessoa sair de casa.

A busca vira a sua vitrine. Quem não é visto da rua precisa ser encontrado na tela, e isso deixa de ser opcional para virar a operação principal.
A avaliação pesa mais. Sem poder olhar de fora e decidir, a pessoa usa o comentário de estranhos como substituto da vitrine.
A indicação vale ouro. Quem indica costuma explicar como chegar, e isso resolve o problema de acesso junto com o de confiança.
O agendamento antecipado ajuda. Quem marcou hora se esforça mais para encontrar, e ainda dá a você a chance de mandar a referência antes.
Mande o caminho junto com a confirmação. Uma linha com o ponto de referência na mensagem de confirmação elimina boa parte das desistências.

Como isso muda por tipo de negócio

Alguns ramos convivem bem com ponto escondido, outros não sobrevivem.

Serviço com hora marcada. É o que melhor se adapta: o cliente vem pela indicação e pela busca, e o fluxo de rua nunca foi o motor.
Comércio de compra por impulso. É o pior caso. Sem vitrine e sem passagem, falta exatamente o que gera a venda.
Alimentação. Depende do formato: quem trabalha com entrega sofre pouco, quem depende de salão precisa resolver o acesso com urgência.
Oficina e serviço técnico. Convive bem, porque a busca é intencional e o cliente já está procurando por necessidade.
Consultório e clínica. Convive bem e ainda ganha em discrição, desde que a sinalização interna do prédio esteja resolvida.

O teste que qualquer um faz num sábado

Peça a alguém que nunca foi

Dê só o endereço e observe onde a pessoa hesita. O ponto de hesitação é o problema.

Não dê nenhuma dica

Ajudar no caminho contamina o teste e esconde exatamente o que você precisa ver.

Repita à noite

O que é achável às duas da tarde some às sete, e o horário importa se você atende nele.

Anote o tempo

Mais de dois minutos procurando é desistência garantida com quem não conhece você.

Quando vale mudar de ponto

Nem sempre a resposta é sinalizar melhor.

Se você já corrigiu tudo e não mudou nada. Pino, foto, placa e referência resolvidos, e o cliente novo continua não chegando. Aí o problema é de fluxo, não de acesso.
Se o seu ramo vive de impulso. Alguns negócios simplesmente não funcionam sem passagem, e insistir custa anos.
Se a economia do aluguel não cobre a captação. Ponto barato que exige gasto alto em anúncio pode sair mais caro que ponto visível.
Se a base atual já sustenta a mudança. Quem tem clientela fiel leva a clientela junto, e esse é o melhor momento para trocar.
Compare com o custo real de sair. Multa, reforma, mudança e o período de reconstrução do endereço na busca. Nem sempre a conta fecha.

Sobre placa, fachada e regra local

Vale conhecer os contornos, sem tratar isto como orientação jurídica.

A instalação de placa e letreiro em fachada é regulada por lei municipal, e as regras variam bastante de cidade para cidade: há limites de área, de projeção sobre a calçada, de iluminação e de material, e em várias cidades existe exigência de licença específica para anúncio. Colocar sem autorização costuma gerar notificação, multa e ordem de remoção, o que significa perder o valor investido além da penalidade. Em áreas tombadas ou de interesse histórico as restrições são mais rígidas e podem exigir aprovação de órgão de patrimônio. Consultar a prefeitura antes de encomendar sai bem mais barato que refazer depois.

Quando o imóvel é alugado ou está em condomínio, há duas camadas a mais. O contrato de locação costuma exigir autorização do proprietário para alteração de fachada, e a convenção de condomínio pode proibir sinalização individual ou padronizar formato e posição. Em galeria e centro comercial é comum existir norma interna sobre identificação visual, e desrespeitá-la gera conflito com a administração. Vale também lembrar que a placa faz parte da comunicação da empresa e se aplica a ela a regra geral de veracidade: anunciar atividade que você não exerce ou usar marca de terceiro sem autorização tem consequência própria. Como cada município e cada convenção têm texto próprio, confirme com a prefeitura e, havendo dúvida sobre o contrato ou a convenção, com um advogado.

Quando vale chamar alguém

O teste do sábado, o ajuste do pino e a conversa com o vizinho você faz sozinho, e resolvem a maior parte.

Vale trazer ajuda para ocupar a busca, que passa a ser a sua vitrine. Quando o movimento caiu e o ponto é visível, o roteiro está em meu movimento de rua caiu. No caso de você atender de casa, leia trabalho de casa e o endereço.

Como fazer o cliente encontrar um ponto de difícil acesso

  1. Pedir a alguém que nunca foi para chegar só com o endereço O ponto onde a pessoa hesita é o seu problema real.
  2. Arrastar o pino do mapa até a porta de verdade Pino no meio da quadra manda o cliente para o vizinho.
  3. Escrever a referência no campo de complemento 'Sobreloja, ao lado da farmácia' aparece em todo lugar.
  4. Publicar foto da fachada vista da calçada É a imagem que a pessoa vai comparar com o que está vendo.
  5. Gravar quinze segundos dos últimos cinquenta metros Resolve mais que qualquer explicação escrita.
  6. Seguir a própria rota no celular como se fosse cliente Revela o problema em uma única tentativa.
  7. Colocar o que você faz na placa, não só o nome 'Ateliê Marina' não informa nada a quem passa.
  8. Instalar a placa perpendicular à parede Paralela só é vista quando a pessoa já passou.
  9. Conferir a regra do município antes de encomendar Placa irregular sai mais cara que placa boa.
  10. Mandar o ponto de referência junto com a confirmação Elimina boa parte das desistências de quem já agendou.
Cleber Barbosa, consultor de marketing digital em Ribeirão Preto
Autor
Cleber Barbosa
Consultor de Marketing Digital, SEO e Tráfego Pago — Ribeirão Preto, SP

Vinte anos de marketing digital e 43 cases documentados. Trabalho com SEO técnico, tráfego pago, growth hacking e IA aplicada a negócios. A pessoa desiste na calçada, a poucos metros da porta, e você nunca fica sabendo que ela esteve ali. Escrevo estes roteiros com o que aplico em diagnóstico real.

Sobre o autor
Perguntas frequentes

Dúvidas sobre ponto de difícil acesso

Onde exatamente o cliente desiste?

Na calçada, olhando em volta sem ver o seu nome. Ele conclui que fechou ou que errou o endereço, e vai embora em menos de um minuto.

O que resolve de graça?

Arrastar o pino do mapa até a porta real, escrever a referência no complemento e publicar foto da fachada vista da calçada.

Como sei qual é o meu problema?

Peça a alguém que nunca foi para chegar só com o endereço, sem dica nenhuma. O ponto onde a pessoa hesita é a resposta.

Vale investir em placa?

Vale, com o que você faz escrito e perpendicular à parede. Antes disso, confira a regra do município sobre tamanho e projeção.

Ponto escondido tem alguma vantagem?

Aluguel menor, cliente que chega decidido e menos comparação de preço. Todas valem só depois que a pessoa entra pela primeira vez.

Quando é hora de mudar de endereço?

Quando você já corrigiu pino, foto, placa e referência e o cliente novo continua não chegando. Aí o problema é fluxo, não acesso.

Alguém já tentou chegar aí sem a sua ajuda?

Se nunca testou, você não sabe em qual dos três trechos está perdendo cliente.

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