O cliente tira foto da armação e some para comprar na internet

Ele experimenta, pede opinião, ocupa uma hora do vendedor e depois procura o mesmo modelo mais barato em outro lugar. A loja vira provador de um negócio que não é dela, e o que se perdeu ali não foi só a venda.

Falar sobre a minha loja
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lentes iguais para dois rostos
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erro que entrega o cliente ao concorrente
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produtos vendidos na mesma loja
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coisas que o site não consegue fazer

São dois produtos, e a loja vende como se fosse um

A armação é acessório de moda: comparável, fotografável, disponível em qualquer lugar. A lente é dispositivo de saúde, feita para aquele grau, aquele rosto e aquela distância entre pupilas. Quando as duas coisas entram no mesmo balcão sob o mesmo argumento, o cliente compara o que é comparável e ignora o resto.

Quem separa os dois na conversa muda o terreno da disputa. A armação pode até ser encontrada mais barata; a montagem correta, a medição e o ajuste não estão na foto que ele tirou. Isso não é discurso de venda, é a diferença entre enxergar bem e ter dor de cabeça por seis meses.

O erro que entrega o cliente: tentar cobrir o preço da internet. No momento em que a loja aceita disputar pelo valor da armação, ela confirma que o produto é o mesmo e que a diferença era só margem. A conversa que retém é outra: mostrar o que ele está deixando de comprar, e deixar a decisão com ele.

As quatro coisas que o site não faz

Medir a distância entre as pupilas no rosto. Uma medida errada desloca o centro óptico da lente e causa um desconforto persistente que o cliente sente sem saber atribuir à causa real.
Ajustar a armação depois de pronta. Um óculos que escorrega no nariz ou aperta atrás da orelha muda a posição da lente diante do olho e anula parte da correção que foi paga.
Verificar se a receita faz sentido. Um grau muito diferente do anterior, uma receita antiga ou uma anotação confusa merecem conferência com quem prescreveu antes de virarem lente pronta.
Resolver quando algo dá errado. Lente que incomoda depois de dias, armação que quebrou na primeira semana, adaptação difícil ao multifocal. Em todos esses casos alguém precisa estar do outro lado do balcão.

Como isso muda por perfil de cliente

Quem chega com receita na mão tem necessidades bem diferentes.

Primeiro óculos da vida. A pessoa está desconfortável com a ideia e não sabe nada. Aqui a orientação vale muito mais que a variedade de modelos.
Troca de grau em quem já usa. Sabe o que quer, compara preço com facilidade e é o perfil mais exposto à compra pela internet.
Primeira lente multifocal. A adaptação assusta e a desistência é comum. Quem acompanha bem esse cliente ganha a família inteira.
Criança e adolescente. Quem decide é o responsável e quem usa é outro. Resistência, quebra e crescimento rápido fazem parte da conversa.
Idoso. Peso, altura da lente e facilidade de manuseio importam mais que estética, e quase ninguém aborda esses pontos.

A relação com quem prescreve: boa parte do fluxo de uma ótica depende de encaminhamento médico, e essa relação se constrói com respeito ao papel de cada um. Ótica que sugere diagnóstico, questiona receita na frente do paciente ou anuncia como se prescrevesse queima essa ponte rapidamente. O caminho oposto — devolver informação sobre a adaptação do paciente, respeitar a prescrição e não empurrar o que não foi pedido — cria um canal que nenhuma campanha substitui.

Quando a venda trava na hora do valor

O silêncio depois do orçamento tem causas diferentes e cada uma pede uma resposta.

Ele não esperava esse patamar

Veio pensando em armação e recebeu um total com lente. Faltou preparar a expectativa antes.

Não entendeu o que está pagando

Valor sem discriminação parece caro. Separar armação, lente e serviço muda a percepção.

Precisa consultar alguém

Muita compra depende de outra pessoa. Facilitar essa conversa é melhor que insistir na hora.

Realmente não cabe agora

Aqui vale apresentar uma alternativa que resolva, em vez de perder o cliente por inteiro.

Como competir com a rede grande do shopping

A ótica de bairro perde em variedade e ganha em outras coisas.

Você sabe quem é o cliente. Rede atende número; loja de bairro atende pessoa que já veio três vezes e cujo histórico de grau está guardado.
Resolve o problema no mesmo dia. Ajuste, troca de parafuso e conserto rápido são serviços que a rede encaminha e demora, e que fidelizam mais que promoção.
Consegue negociar caso a caso. Parcelamento diferente, prazo especial, condição para a família inteira. Rede opera com política fixa.
Não trabalha com meta de empurrar. Vendedor pressionado por meta de linha específica recomenda o que precisa vender, e o cliente percebe isso.
Erra em comunicar preço baixo. Disputar promoção com quem compra em escala é a única batalha que a loja de bairro não tem como vencer.

O que a loja precisa mostrar por fora

Que existe atendimento técnico

Vitrine só com armação comunica loja de acessório. Equipamento e laboratório visíveis comunicam outra coisa.

Quem é o responsável técnico

Nome e formação visíveis diferenciam de quem trata óculos como produto de prateleira.

O que está incluído no preço

Placa clara sobre montagem, ajuste e garantia responde a dúvida que trava a entrada.

Que dá para resolver hoje

Quem quebrou o óculos quer saber o prazo antes de entrar, e a urgência favorece a loja física.

Como lidar com a garantia e a reclamação

Lente com grau é produto personalizado e isso muda tudo depois da venda.

Informe as condições antes de fechar. O que acontece se não adaptar, o que a garantia cobre e por quanto tempo. Dito depois, vira discussão; dito antes, vira segurança.
Trate a não adaptação como processo, não como defeito. Chamar para reavaliar, conferir a montagem e conversar resolve a maioria dos casos sem custo de refazer.
Separe erro da loja de mudança do cliente. Grau que mudou depois é situação diferente de medição errada, e a conversa precisa reconhecer isso com honestidade.
Refaça rápido quando a falha foi sua. Demorar para corrigir um erro próprio custa muito mais que o par de lentes.
Registre cada atendimento pós-venda. Histórico do que foi ajustado protege a loja e mostra ao cliente que existe acompanhamento.

O primeiro passo

Treine a equipe a perguntar o uso primeiro. Antes de mostrar qualquer armação.
Escreva o que está incluído no valor. E deixe visível no balcão.
Publique três dúvidas sobre lentes no site. Começando pela adaptação ao multifocal.
Liste quem comprou há mais de dois anos. E avise que talvez seja hora de reavaliar.
Passe a fazer a medição na frente do cliente. Explicando o que está sendo medido.

Em que ordem dizer as coisas no balcão

A sequência do atendimento muda bastante o resultado da venda.

Pergunte o uso antes de mostrar armação. Se trabalha o dia inteiro em computador, se dirige à noite, se lê muito de perto. A resposta define qual lente serve, e a lente é que define o que faz sentido oferecer depois.
Descubra o que incomodava no óculos anterior. Escorregava do nariz, embaçava o tempo todo, cansava a vista no fim do dia. Resolver uma queixa antiga convence mais que qualquer característica nova apresentada.
Explique a lente enquanto ele experimenta. A informação entra muito melhor no meio da conversa do que despejada num bloco técnico no final do atendimento.
Meça na frente dele. O processo de medição continua sendo o argumento mais concreto que a loja física tem, e na maioria dos atendimentos ele acontece em silêncio absoluto.
Apresente o valor completo, com o que está incluído. Montagem, ajuste, garantia e retorno. Número solto ao lado de um preço da internet perde sempre.

O que a maioria das óticas não conta: que existe diferença real entre lentes de faixas diferentes, e que nem sempre a mais cara é a necessária. Explicar isso com honestidade, inclusive dizendo quando a opção intermediária resolve, constrói uma confiança que nenhuma promoção compra. O cliente que percebe que não foi empurrado para cima volta, indica e não pesquisa preço no ano seguinte. Quem vende sempre o topo da linha ensina o cliente a desconfiar de tudo o que a loja recomenda.

O que fazer com quem só quer o mais barato

Tenha uma opção de entrada digna

Recusar esse cliente entrega ele à internet. Atender bem no básico cria o próximo cliente da faixa acima.

Não trate como visitante de segunda

Quem compra barato hoje traz a família depois e conta como foi tratado.

Explique o que ele está levando

Mesmo na faixa de entrada, saber o que tem e o que não tem evita reclamação depois.

Registre para o retorno

Grau e data de compra permitem avisar quando for hora de trocar, e quase ninguém faz isso.

Como aproveitar a receita que chega

Cada receita apresentada é uma oportunidade que costuma terminar na venda de um par só.

Pergunte se ele tem um par reserva. Quem depende de óculos e só tem um vive com medo de quebrar, e nunca pensou nisso como solução.
Verifique a necessidade de óculos de sol com grau. Quem dirige ou trabalha ao ar livre resolve um problema real, não compra um segundo item por vaidade.
Ofereça a lente adequada ao trabalho. Quem passa oito horas na tela tem uma necessidade específica que o par de uso geral não atende bem.
Anote a data para o retorno. Receita tem validade e grau muda. Avisar na época certa é lembrete útil, não abordagem comercial.
Pergunte por quem mais usa óculos em casa. A família inteira costuma comprar no mesmo lugar, e ninguém pergunta.

Como ser encontrada por quem procura

A busca por ótica é local, comparativa e cheia de dúvida técnica.

Responda as dúvidas sobre lente publicamente. Diferença entre tipos, o que é antirreflexo, quanto tempo leva a adaptação ao multifocal. É a busca mais frequente do setor.
Informe se faz exame no local. Muita gente procura por isso e não sabe quais lojas oferecem, ou como funciona a parte médica.
Diga quais convênios atende. É filtro eliminatório e raramente está visível antes do cliente ligar.
Publique o prazo de entrega. Quem quebrou o óculos precisa saber em quantos dias resolve, e essa urgência favorece a loja física.
Mantenha as fotos da loja atualizadas. Ambiente, mostruário e equipe comunicam se vale a pena o deslocamento.

Como usar o pós-venda que já existe

Ótica tem contato recorrente natural e quase nenhuma explora isso.

Ofereça ajuste gratuito sempre. Cliente que volta para apertar a haste é oportunidade de conversa, e o custo é de dois minutos.
Ligue depois de uma semana no multifocal. A adaptação é o momento de maior risco de arrependimento, e o contato resolve a maioria dos casos.
Avise quando a receita completar o prazo. Lembrete de que talvez seja hora de consultar de novo é serviço, e traz o cliente de volta.
Peça avaliação depois da entrega. No momento em que ele está satisfeito com a visão nova, não semanas depois.
Guarde o histórico de grau. Poder mostrar a evolução ao longo dos anos é informação que só a loja onde ele sempre compra consegue oferecer.

Sobre a parte regulada da atividade

Ótica não é apenas varejo, e isso tem consequências práticas.

A confecção e dispensação de lentes com grau dependem de receita válida e há exigências sobre responsabilidade técnica no estabelecimento, com regras definidas pelo conselho profissional e pela vigilância sanitária. A distinção entre o ato de prescrever, que é do profissional habilitado, e o de confeccionar e adaptar, que cabe à ótica, precisa estar clara na comunicação da loja. Anunciar de forma que sugira diagnóstico ou prescrição gera problema com o órgão fiscalizador e desgaste com a categoria médica que encaminha pacientes.

Há também as regras sobre publicidade de produto de saúde, garantia e troca. Lente com grau é produto personalizado, o que muda as condições de devolução em relação a um produto de prateleira, e essa diferença precisa estar informada ao cliente antes da compra, não depois. Vale ainda cuidar dos dados de receita e de grau, que são informação de saúde e têm proteção específica. Manter tudo isso organizado protege a loja e é o tipo de seriedade que diferencia de quem trata óculos apenas como acessório.

Competir com o site sem baixar preço

Reposicionar a conversa da armação para a lente é mudança de roteiro de atendimento, e ela custa apenas treinar a equipe.

Vale trazer ajuda quando o movimento da loja precisar crescer. Se o problema é queda de fluxo, o caso está em movimento de loja caiu. E se o problema é o cliente experimentar e comprar fora, o caso equivalente no varejo de moda está em experimentam na loja e compram online. Para quem vende peça e componente técnico, o caso está em loja de peças perde para o site.

Como uma ótica deixa de competir só pela armação

  1. Perguntar o uso antes de mostrar qualquer armação A resposta define a lente, e a lente define o que oferecer.
  2. Descobrir o que incomodava no óculos anterior Resolver queixa antiga vale mais que característica nova.
  3. Explicar a lente enquanto o cliente experimenta A informação entra melhor no meio da conversa.
  4. Fazer a medição na frente do cliente É o argumento mais concreto da loja e acontece em silêncio.
  5. Apresentar o valor completo com montagem, ajuste e garantia Número solto perde para o preço da internet.
  6. Manter uma opção de entrada digna e bem atendida Recusar esse cliente entrega ele à internet.
  7. Perguntar se o cliente tem um par reserva Quem depende de óculos vive com medo de quebrar.
  8. Anotar a data da receita para avisar do retorno Lembrete na época certa é serviço, não abordagem.
  9. Ligar uma semana depois na adaptação ao multifocal É o momento de maior risco de arrependimento.
  10. Publicar prazo de entrega, convênios e se faz exame no local São os filtros que o cliente busca antes de sair de casa.
Cleber Barbosa, consultor de marketing digital em Ribeirão Preto
Autor
Cleber Barbosa
Consultor de Marketing Digital, SEO e Tráfego Pago — Ribeirão Preto, SP

Vinte anos de marketing digital e 43 cases documentados. Trabalho com SEO técnico, tráfego pago, growth hacking e IA aplicada a negócios. Ótica que se comunica como loja de acessório está pedindo para ser comparada com loja de acessório, e vai perder essa comparação todas as vezes.

Sobre o autor
Perguntas frequentes

Dúvidas de quem tem ótica

Por que perco a venda para a internet?

Porque a loja comunica armação, que é comparável e fotografável. A lente, que não é comparável, fica de fora da conversa.

Devo cobrir o preço do site?

Cobrir confirma que o produto é o mesmo e que a diferença era margem. Mostrar o que ele deixa de comprar retém mais que desconto.

O que a loja física faz que o site não faz?

Mede a distância entre pupilas no rosto, ajusta a armação depois de pronta, confere a receita e resolve quando algo dá errado.

Como falo disso sem parecer desespero?

Explicando durante o atendimento, não na hora de fechar. Informação dada no começo é orientação; dada no fim, parece argumento de retenção.

Vale vender armação barata também?

Faixa de entrada atende quem não pagaria mais de qualquer forma. O erro é comunicar a loja inteira por ela.

Que regra o setor impõe?

A dispensação de lentes com grau depende de receita e há regras sobre responsabilidade técnica e sobre o que pode ser anunciado. Vale confirmar o que se aplica.

Sua loja virou provador da concorrência?

Quem comunica só a armação aceita ser comparado apenas por ela.

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