Tenho devolução demais e não sei o que estou errando

A venda entra, o produto sai, e semanas depois volta. Some a margem, some o frete e sobra a sensação de estar correndo para trás. O padrão está nas devoluções, e quase ninguém lê o que elas dizem.

Falar sobre o meu caso
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devoluções que começam depois da entrega
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campo que muda o diagnóstico inteiro
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motivos por trás de quase toda devolução
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números que separam problema de custo normal

Nenhuma devolução começa depois da entrega

Ela começa no momento em que a expectativa foi criada. A foto que mostrou uma cor, a descrição que omitiu uma medida, o vendedor que disse que servia para aquilo. Quando o produto chega e não corresponde, a decisão de devolver já estava tomada lá atrás, e o cliente só está confirmando.

Por isso tratar devolução como problema de logística não resolve nada: você está consertando o fim de uma coisa que quebrou no começo.

O campo que muda o diagnóstico inteiro: registrar o motivo de cada devolução em categoria fixa, escolhida pelo cliente, e não em texto livre. Sem isso você tem uma pilha de casos e nenhuma leitura. Com isso, em dois meses fica evidente se o problema é descrição, tamanho, qualidade ou expectativa. É o campo mais barato de criar e o mais ignorado.

Os quatro motivos por trás de quase toda devolução

Não era o que o cliente entendeu. Cor, tamanho, material ou função diferentes daquilo que a página comunicou. É de longe o motivo mais comum e também o mais barato de corrigir.
Chegou com defeito ou danificado. Aqui o problema está na produção, no fornecedor ou na embalagem de envio, e cada um deles exige uma ação bem diferente.
Chegou tarde demais. Quem comprou pensando numa data específica e recebeu depois dela acaba devolvendo mesmo estando tudo certo com o produto.
Arrependimento sem motivo específico. Compra feita por impulso, prazo legal de reflexão ou simples mudança de ideia, e boa parte disso é custo normal de operar.

O que uma política bem escrita evita

Metade do atrito nasce de o cliente não saber o que esperar.

Prazo em dias, com contagem clara

A partir de quando conta é a dúvida que mais gera discussão no atendimento.

Estado em que o item deve voltar

Com etiqueta, sem uso, na embalagem: dito antes, não cobrado depois.

Como o valor é devolvido

Estorno, crédito ou troca, e em quanto tempo cada um acontece.

O passo a passo para solicitar

Processo confuso vira reclamação em canal público em vez de pedido normal.

Quando a devolução vem de marketplace

Vender em plataforma de terceiro muda quem manda na política.

A regra é da plataforma, não sua. Prazo, motivo aceito e quem paga o frete costumam ser definidos por ela, e às vezes de forma mais ampla que a lei exige.
O índice afeta a sua posição. Devolução alta derruba reputação e visibilidade dentro do canal, o que custa venda antes de custar produto.
Você tem menos informação sobre o motivo. Nem toda plataforma repassa a categoria escolhida, e sem isso o diagnóstico fica cego.
A ficha do produto pode não ser sua. Em catálogo compartilhado, a descrição que gerou a expectativa errada foi escrita por outro vendedor.
Compare o índice entre canais. Diferença grande entre marketplace e site próprio aponta exatamente onde a informação está falhando.

O que fazer com o produto que voltou

O item devolvido some da conta e vira prejuízo silencioso na maioria das operações.

Confira e reclassifique no mesmo dia. Produto devolvido que fica semanas numa caixa perde a chance de voltar ao estoque como novo.
Separe o que volta a novo do que não volta. São duas contas diferentes, e misturar as duas esconde o custo real da devolução.
Tenha um destino para o que não volta. Venda como segunda linha, uso em amostra ou doação, mas decidido antes, não caso a caso.
Registre o defeito quando houver. Devolução por defeito é reclamação ao fornecedor, e sem registro você absorve um custo que não é seu.
Não reponha no estoque sem conferir. Reenviar um item devolvido com problema transforma uma devolução em duas e ainda queima o segundo cliente.

O cliente que devolve sempre

Existe uma minoria que responde por uma fatia grande, e ela pede decisão.

Identifique antes de julgar. Quem devolveu três vezes seguidas pode simplesmente estar com um problema de tamanho recorrente, e isso é falha da sua tabela de medidas, não abuso da parte dele.
Separe quem devolve de quem só devolve. O cliente que compra dez itens e devolve dois continua sendo um bom cliente; quem compra dois e devolve os dois é outra coisa completamente.
Ajude quem erra por falta de informação. Uma mensagem simples oferecendo ajuda na escolha do próximo pedido resolve muito mais que qualquer restrição, e a pessoa costuma até agradecer.
Cuidado ao restringir. Bloquear cliente por índice de devolução tem implicação jurídica e reputacional, e a economia raramente compensa o risco.
Aceite que uma parte é custo. Toda operação que vende a distância convive com algum nível disso, e perseguir o zero custa bem mais que conviver.

O que a devolução ensina que a venda não ensina: quem comprou e ficou satisfeito raramente explica por quê. Quem devolveu diz exatamente o que esperava e não recebeu, de graça, por escrito. É a pesquisa de mercado mais honesta que existe no seu negócio, e a maioria das operações trata isso como papelada de logística. Ler cinquenta motivos de devolução ensina mais sobre o seu produto que qualquer questionário enviado para a base.

O que dá para prevenir antes da compra

Perguntas frequentes no produto

As dúvidas que chegam no atendimento respondidas na própria página.

Avaliação de quem já comprou

Comentário sobre tamanho e cor corrige a expectativa melhor que a descrição.

Vídeo curto do item real

Trinta segundos comunicam textura e proporção que a foto não alcança.

Atendimento antes de fechar

Quem tira a dúvida na hora da compra devolve muito menos depois.

Por onde pegar isso

Crie o campo de motivo hoje. Com quatro opções.
Liste as devoluções dos últimos três meses. Por produto.
Veja se concentra em dois ou três itens. Quase sempre concentra.
Corrija a página desses itens primeiro. Medida e foto.
Meça de novo daqui a dois meses. Mesmo recorte.

Os dois números que separam problema de custo normal

Sem eles, toda devolução parece prejuízo e nenhuma decisão fica clara.

A taxa por produto, não a taxa geral. A média da loja inteira esconde tudo: quase sempre dois ou três itens respondem pela maior parte das devoluções, e todo o resto opera dentro do normal.
O custo completo de uma devolução. Frete de ida, frete de volta, tempo de conferência, embalagem perdida e o item que às vezes nem pode mais ser revendido. Somando tudo, quase sempre dá o dobro do que se imagina.
Compare com a margem daquele item. Um produto de margem apertada com índice de devolução apenas mediano já pode estar dando prejuízo sem ninguém ter notado.
Separe devolução de troca. Quem troca o produto continua sendo seu cliente e o custo envolvido é outro; misturar os dois na mesma conta distorce o diagnóstico inteiro.
Acompanhe a série, não o mês. Um único mês ruim pode ser efeito de um lote, de uma campanha ou de uma data específica. O que importa mesmo é a direção da curva ao longo de seis meses.

Nem toda devolução deve ser eliminada: política restritiva reduz o índice e reduz a venda junto, porque parte das pessoas só compra sabendo que pode devolver. Existe um ponto em que aceitar mais devoluções aumenta o resultado total, e ele é diferente em cada categoria. O objetivo não é chegar a zero, é eliminar a parte que vem de erro seu e conviver com a parte que é custo de vender.

O que corrigir na página do produto

Medida real, não a do fornecedor

Medir o item você mesmo e publicar a medida real resolve boa parte da devolução por tamanho.

Foto com referência de escala

Um objeto conhecido colocado ao lado comunica o tamanho real melhor que qualquer número escrito.

Cor em condições reais

Foto tratada demais no editor é a origem clássica da devolução por cor diferente do esperado.

O que o produto não faz

Dizer com clareza para quem aquilo não serve evita justamente a venda que ia voltar de qualquer jeito.

Como ler o padrão depois de dois meses

Com os motivos categorizados, o diagnóstico costuma saltar aos olhos.

Se concentra num produto. Então o problema está naquele item específico: descrição, foto, lote ou fornecedor. É o caso mais fácil de identificar e o mais rápido de resolver.
Se concentra num motivo. Tamanho errado aparecendo em vários produtos diferentes aponta para a tabela de medidas; defeito em vários aponta para embalagem ou transporte.
Se concentra num canal. Devolução alta vindo de um marketplace específico e baixa no seu site próprio costuma indicar diferença na informação que está publicada lá.
Se concentra numa campanha. Um anúncio que promete demais traz venda que volta, e o custo real daquela campanha é bem maior do que o relatório de mídia mostra.
Se está espalhado por tudo. Nesse caso o problema não está no produto nem na página: está no tipo de cliente que você vem atraindo.

Como isso muda por tipo de negócio

O índice aceitável e a causa provável variam bastante.

Moda e calçado. Devolução alta é o normal do setor e faz parte do modelo de negócio. O ganho real vem de acertar a tabela de medidas e facilitar a troca, e não de tentar reduzir o índice.
Eletrônico e equipamento. O índice aqui deveria ser baixo, e quando ele sobe costuma apontar defeito de lote ou incompatibilidade que não foi informada na página.
Móvel e item volumoso. Cada devolução custa caro no frete e no manuseio, então o esforço todo precisa estar antes da compra, em medida, foto e simulação de espaço.
Produto sob medida ou personalizado. A regra de arrependimento tem tratamento próprio nesse caso, e explicar isso antes da compra evita conflito depois.
Alimento e perecível. A devolução costuma ser inviável na prática, e o problema aparece como reclamação e perda de cliente em vez de item retornado ao estoque.

O que fazer no atendimento da devolução

A forma de conduzir decide se você perde a venda ou perde o cliente.

Aceite rápido e discuta depois. Resistir logo na primeira mensagem costuma gerar reclamação pública, e isso custa bem mais caro que o produto em disputa.
Ofereça troca antes de devolução. Quem realmente queria aquele produto e apenas errou o tamanho prefere trocar, e a troca preserva tanto a receita quanto o cliente.
Pergunte o motivo com opção pronta. Dentro do próprio fluxo de solicitação, com categorias fixas, para não depender de o cliente escrever nada por conta.
Deixe a política visível antes da compra. O cliente que já sabe o que esperar reclama bem menos e, quando devolve, devolve com muito menos atrito.
Feche o ciclo com quem devolveu. Uma mensagem simples depois de tudo resolvido recupera boa parte dessas pessoas, e quase nenhuma operação faz isso.

Sobre o direito de devolução

Existe regra clara aqui e vale conhecer os contornos antes de definir política.

No Brasil, compra feita fora do estabelecimento comercial — pela internet, por telefone ou a domicílio — dá ao consumidor o direito de desistir do contrato em até sete dias contados do recebimento ou da assinatura, sem precisar justificar. É o chamado direito de arrependimento, previsto no Código de Defesa do Consumidor, e nesse caso os valores pagos devem ser devolvidos, incluindo o frete. Isso é diferente de vício ou defeito do produto, que tem prazo próprio e regras próprias de reparo, troca ou restituição. E é diferente também da troca por tamanho ou gosto em compra feita na loja física, que não é obrigação legal: é política comercial de cada negócio.

Na prática, essas três situações são tratadas como se fossem uma só, e isso gera tanto conflito com cliente quanto política mal desenhada. Vale separá-las por escrito: o que é direito de arrependimento, o que é vício do produto e o que é liberalidade sua. Também vale lembrar que produto personalizado, item de uso pessoal e algumas categorias específicas têm tratamento diferenciado, e que marketplaces impõem regras próprias que podem ser mais amplas que a lei. Como o detalhe varia por categoria e por canal, e o desgaste de errar é público, vale confirmar a sua política com um advogado antes de publicá-la.

Quando vale chamar alguém

Criar o campo de motivo e ler o padrão dos dois primeiros meses é trabalho seu, e ninguém vai fazer melhor que quem conhece o produto.

Vale trazer ajuda quando o problema estiver na comunicação da página. Se o site não passa segurança, o caso está em meu site não transmite confiança. E se a comparação com um site grande é o que pesa, leia perco a venda para um site grande.

Como descobrir a causa de uma taxa de devolução alta

  1. Criar um campo de motivo com categorias fixas Texto livre não vira leitura; categoria vira.
  2. Registrar o motivo de toda devolução por dois meses Sem série, cada caso é uma história solta.
  3. Calcular a taxa por produto, não a taxa geral da loja A média esconde os dois ou três itens que respondem por tudo.
  4. Somar o custo completo, incluindo frete e tempo Quase sempre é o dobro do que se imagina.
  5. Separar devolução de troca na mesma planilha Quem troca continua cliente e o custo é outro.
  6. Medir o produto e publicar a medida real Resolve boa parte da devolução por tamanho.
  7. Fotografar a cor sem tratamento que altere o tom Foto tratada demais é origem clássica de devolução.
  8. Escrever para quem o produto não serve Evita a venda que voltaria de qualquer jeito.
  9. Oferecer troca antes de oferecer devolução A troca preserva a receita e o cliente.
  10. Separar por escrito arrependimento, vício e liberalidade As três são tratadas como uma só e geram conflito.
Cleber Barbosa, consultor de marketing digital em Ribeirão Preto
Autor
Cleber Barbosa
Consultor de Marketing Digital, SEO e Tráfego Pago — Ribeirão Preto, SP

Vinte anos de marketing digital e 43 cases documentados. Trabalho com SEO técnico, tráfego pago, growth hacking e IA aplicada a negócios. A devolução começa no momento em que a expectativa foi criada, não quando o produto volta.

Sobre o autor
Perguntas frequentes

Dúvidas sobre taxa de devolução

Qual taxa é considerada alta?

Varia demais por categoria. Vestuário convive com índice alto; eletrônico não. O que importa é a sua série, não a média de outro setor.

Por onde começo a investigar?

Criando um campo de motivo em categoria fixa. Sem categorizar, você tem casos soltos e nenhuma leitura possível.

Devolução é problema de logística?

Quase nunca. Ela começa na expectativa criada antes da compra, e a logística só é onde o custo aparece.

Dificultar a devolução resolve?

Reduz o número e aumenta a reclamação pública. Além disso, o direito de arrependimento em compra a distância é previsto em lei.

Vale tirar o produto de linha?

Só depois de saber o motivo. Item com devolução por descrição errada volta ao normal com uma foto e duas linhas de texto.

Quem paga o frete de volta?

Depende do motivo e da modalidade de venda. Há regra específica para compra a distância e vale confirmar o que se aplica.

Você sabe o motivo da última devolução que recebeu?

Sem categoria fixa, cada caso é uma história solta e o padrão nunca aparece.

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