Meu ex-sócio abriu um negócio igual ao meu

Ele conhece seus preços, seus clientes e seu método, e agora usa tudo isso do outro lado. A vontade de reagir publicamente é grande, e é justamente ela que costuma entregar a disputa para o outro.

Conversar sobre a minha situação
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vantagens que só você tem

As duas coisas a separar antes de reagir

O que é concorrência legítima e o que é uso indevido do que era da empresa. Abrir um negócio no mesmo ramo é direito de quem sai. Levar carteira de clientes, material, sistema ou informação que pertencia à sociedade é outra história, e as duas costumam chegar misturadas na cabeça de quem ficou.

Separar as duas define tudo o que vem depois: a primeira se enfrenta no mercado, a segunda pode ter caminho jurídico.

Nenhum cliente quer assistir à briga: post indireto, comentário em reunião, aviso sobre o outro. Tudo isso comunica que você está mais preocupado com ele do que com o trabalho, e coloca o cliente numa posição desconfortável que ele não pediu. Quem reage publicamente costuma perder a disputa antes de ela começar, porque transforma uma escolha de fornecedor num conflito pessoal do qual todo mundo quer distância.

As três vantagens que só você tem

Histórico verificável. Anos de trabalho já entregue, avaliações acumuladas ao longo do tempo e presença consolidada na busca não se transferem quando um sócio sai.
Estrutura em funcionamento. Equipe já treinada, fornecedor com relação antiga e processo rodando todo dia valem bem mais do que a intenção de recomeçar do zero.
A relação que já existe. O cliente que foi bem atendido por anos tem inércia trabalhando a seu favor, desde que você não o obrigue a escolher um lado nessa história.

Se vocês dois disputam o mesmo nome

É a parte que decide mais coisa e a que menos gente conferiu a tempo.

Registro da marca

Quem tem o registro no órgão competente tem a posição mais forte, independentemente de quem criou.

Nome de domínio

Está em nome de uma pessoa física em muitos casos, e quase ninguém verifica antes.

Perfis e cadastros

Perfil de empresa com histórico e avaliações é ativo real e costuma ter um único administrador.

Nome parecido demais

Marca nova que confunde o público tem discussão própria, e ela é técnica.

Se ele levou parte da equipe junto

Costuma vir no mesmo pacote e dói mais que a perda de cliente.

Sair para trabalhar com ele é direito do funcionário. Ninguém é obrigado a permanecer num emprego, e tratar a saída como traição pessoal acaba afastando também quem decidiu ficar.
Aliciamento sistemático é outra coisa. Uma abordagem organizada com o objetivo de esvaziar a sua equipe pode ter enquadramento jurídico próprio, e a diferença entre as duas coisas está na evidência.
Converse com quem ficou antes que sejam procurados. Quase sempre eles serão procurados, e chegar nessa conversa depois do outro significa disputar em desvantagem.
Descubra o que faria alguém aceitar. Se a resposta for salário, a conversa é de remuneração e resolve; se for ambiente de trabalho, é outra conversa e bem mais difícil.
Documente o conhecimento que está só na cabeça das pessoas. Método de trabalho, informação de cliente e processo devidamente registrados reduzem bastante o estrago de qualquer saída futura.

Quando o cliente pergunta o que aconteceu

Vai acontecer, e a resposta pronta evita improviso ruim.

Tenha uma frase curta e a use sempre a mesma. Dizer que a sociedade se encerrou, que cada um seguiu seu caminho e que o atendimento dele continua igual resolve a maioria das conversas.
Não improvise versões diferentes. Clientes conversam entre si, e três explicações distintas geram exatamente a desconfiança que você queria evitar.
Se insistirem, devolva para o trabalho. "Prefiro não entrar nisso, mas posso falar do que muda para você" encerra o assunto sem grosseria.
Não peça que ele não fale com o outro. Pedido assim vira constrangimento e é comentado, sempre.
Prepare a equipe com a mesma frase. Quem atende o telefone vai receber a pergunta antes de você, e improviso na recepção estraga o cuidado que você teve.

O que fazer nas primeiras semanas

A janela inicial é a que mais define o desfecho, e é quando a cabeça está pior.

Reúna a documentação antes de qualquer conversa. Contrato social, distrato, registros e tudo o que existir por escrito. Isso muda a sua posição inteira e costuma levar apenas um dia de trabalho.
Troque as senhas que ele conhecia. Acesso a sistema, hospedagem, redes sociais e ferramentas pagas costuma ficar compartilhado por anos seguidos sem ninguém nunca revisar.
Confira quem consta como responsável em cada cadastro. Domínio, registro de marca, perfil de empresa e conta de anúncio às vezes estão no nome da pessoa errada.
Fale com a equipe antes que ela ouça na rua. O silêncio nesse momento específico gera boato, e boato interno rapidamente vira insegurança e pedido de demissão.
Não tome nenhuma decisão grande na primeira semana. Baixar preço, demitir alguém ou lançar campanha de resposta são exatamente as reações que se paga caro por vários meses.

O que costuma acontecer com o negócio novo: operação recém-aberta tem custo baixo, agenda vazia e disposição para cobrar menos, e por isso incomoda muito nos primeiros meses. O que raramente se vê de fora é que ela também não tem estrutura, caixa acumulado nem histórico, e a maioria descobre isso quando chega a primeira demanda grande. Isso não é motivo para relaxar, e é motivo para não desmontar a sua operação tentando competir com uma condição que o outro não vai conseguir sustentar.

O que não fazer

Baixar o preço para revidar

Guerra de preço entre duas estruturas parecidas termina sempre com os dois lados piores do que estavam antes.

Falar dele para clientes

Um comentário solto em reunião chega ao outro lado em pouco tempo e volta bastante transformado.

Notificar sem base

Uma notificação frágil queima a sua chance de agir mais adiante com fundamento real.

Acompanhar tudo o que ele posta

Toda atenção gasta observando o concorrente é atenção que sai diretamente do seu próprio trabalho.

Os cinco primeiros passos

Junte os documentos da sociedade. Todos eles.
Revise acessos e cadastros. Um por um.
Comunique clientes e equipe sem citá-lo. Curto e neutro.
Publique a prova que só você tem. Histórico e casos.
Leve o contrato a um advogado. Antes de notificar.

O documento que decide o que é permitido

Antes de qualquer avaliação, é preciso saber o que foi combinado.

O contrato social. Ele costuma tratar de participação e de retirada, e às vezes traz alguma restrição de concorrência que ninguém releu desde o dia da assinatura.
O distrato ou a alteração contratual. É justamente o documento que formaliza a saída, e é ali que normalmente ficam registradas as condições combinadas na hora da separação.
Acordos assinados à parte. Termo de confidencialidade, acordo de sócios ou compromisso escrito sobre clientes costumam existir em algum lugar e serem completamente esquecidos.
Registros de marca e domínio. Saber exatamente em nome de quem eles estão evita descobrir tarde demais que o ativo principal do negócio não pertence à empresa.
O que não está escrito em lugar nenhum. Combinado verbal entre sócios raramente se sustenta quando alguém precisa cobrá-lo, e essa costuma ser a descoberta mais comum e mais cara de todas.

O erro de tratar como traição pessoal: pode ter sido, e ainda assim essa não é a lente útil agora. A pergunta que resolve não é se ele agiu certo, e sim o que o cliente vai comparar quando os dois nomes aparecerem na frente dele. Quem fica preso na primeira pergunta gasta meses de energia sem melhorar nada na segunda. Isso não significa engolir o que aconteceu: significa separar a conversa jurídica, que tem lugar e prazo próprios, da disputa comercial, que acontece todo dia a partir de agora.

O que o cliente compara quando vê os dois

Quem está há mais tempo

O histórico visível pesa bastante justamente quando as duas ofertas parecem equivalentes em todo o resto.

Quem tem prova acumulada

Avaliações acumuladas e trabalhos publicados ao longo dos anos não se transferem com a saída de um sócio.

Quem responde melhor

Operação recém-aberta costuma ser bem mais ágil no atendimento inicial, e isso pesa mais do que a maioria imagina.

Quem parece mais estável

Qualquer sinal de estrutura e de continuidade tranquiliza quem está prestes a contratar um serviço longo.

Como conduzir com os clientes em comum

É onde a maioria dos erros acontece, e onde dá para acertar sem esforço.

Comunique a mudança de forma neutra. Dizer apenas que a sociedade se encerrou e quem segue responsável pelo atendimento já basta. Explicação longa demais levanta uma suspeita que não existia antes.
Não peça exclusividade emocional. Pedir que o cliente escolha um lado transforma uma decisão puramente comercial em constrangimento pessoal, e não é raro que ele resolva saindo dos dois.
Reforce a continuidade do que ele já tinha. Mesma equipe, mesmo processo de trabalho, mesmo canal de contato. Segurança vale bem mais que qualquer argumento nesse momento.
Aceite as perdas de relação pessoal. Quem tinha vínculo pessoal direto com o outro provavelmente vai acompanhá-lo, e insistir nesses casos só consome tempo que renderia em outro lugar.
Não responda quando ele contar o que o outro disse. Entrar nesse jogo transforma você em mais uma parte da fofoca e tira completamente o foco do trabalho.

Como isso muda por tipo de negócio

O tamanho do estrago varia bastante conforme a operação.

Serviço onde o vínculo é com a pessoa. Esse é de longe o caso mais duro: uma parte da carteira sai junto e não há muito a fazer além de reconstruir com calma.
Negócio com estrutura física relevante. Aqui você tem uma vantagem considerável, porque replicar equipamento e ponto comercial custa caro e leva bastante tempo.
Operação que depende de contrato longo. Os contratos ainda vigentes seguram a base atual e dão tempo de reagir bem antes da próxima janela de renovação.
Venda por indicação e rede. A rede acaba se dividindo, e o trabalho passa a ser reconstruir presença junto a quem indica, e não junto a quem compra.
Negócio local com nome conhecido. A marca acaba ficando com quem tem o registro formal dela, e esse detalhe costuma decidir mais coisa que qualquer outro fator.

O que reforçar nos próximos meses

A resposta que funciona é construir, não desmentir.

Publique o que só você pode publicar. Trabalho antigo entregue, caso concluído e resultado acumulado ao longo dos anos são prova que a operação recém-aberta ainda não tem como mostrar.
Peça avaliação a quem ficou. Prova social recente sinaliza continuidade justamente no período em que alguém de fora pode colocar isso em dúvida.
Confira se a busca pelo seu nome está limpa. Cadastro antigo que ainda traz o nome do ex-sócio associado ao negócio gera uma confusão que trabalha diretamente contra você.
Nomeie o que ficou diferente. Se a saída do sócio mudou alguma coisa concreta no serviço, dizer exatamente o que mudou é bem melhor que deixar o cliente descobrir sozinho depois.
Não persiga cada movimento dele. Acompanhar cada movimento do concorrente todo santo dia consome uma atenção que renderia muito mais aplicada ao seu próprio trabalho.

Sobre concorrência, cláusula e uso indevido

Existe terreno jurídico relevante aqui e vale conhecer os contornos.

A liberdade de iniciativa e a livre concorrência são princípios constitucionais, e por isso abrir negócio no mesmo ramo depois de sair de uma sociedade é, em regra, lícito. Cláusula de não concorrência pode existir e ser válida, mas costuma exigir limites razoáveis de prazo, de área geográfica e de atividade, e em muitos casos a jurisprudência considera necessária alguma contrapartida financeira. Restrição ampla demais, sem esses limites, tende a ser questionada. Se o contrato social ou o distrato traz uma cláusula assim, o primeiro passo é levar o documento a um advogado para saber se ela é exigível como está escrita.

Outra frente é o uso indevido do que pertencia à empresa. A legislação brasileira trata como concorrência desleal um conjunto de condutas que inclui o desvio de clientela por meio fraudulento, a divulgação ou o aproveitamento de informação confidencial obtida na relação, e o uso de sinal distintivo alheio de modo a causar confusão. Levar lista de clientes, cópia de sistema, projeto ou base de dados da sociedade não é a mesma coisa que concorrer com o conhecimento adquirido, e a fronteira entre as duas é justamente o que se discute. Reunir a documentação e consultar um advogado antes de qualquer notificação evita queimar a única chance de agir formalmente com base sólida.

Quando o caso deixa de ser comercial

Reforçar o que você tem de próprio é trabalho de posicionamento, e você consegue conduzir sozinho.

Vale procurar advogado quando houver indício de uso de informação da empresa ou quebra de cláusula. Se a separação ainda está em curso, leia a sociedade acabou e o negócio precisa continuar. E se o problema é o cliente comparar só o preço, leia parar de ser comparado só pelo preço. Quando quem abriu foi um funcionário, leia funcionário saiu para abrir o mesmo negócio.

Como reagir quando o ex-sócio vira concorrente

  1. Separar concorrência legítima de uso indevido do que era da empresa A primeira se enfrenta no mercado, a segunda tem caminho jurídico.
  2. Reler o contrato social e o distrato Restrição de concorrência costuma estar lá e ninguém releu.
  3. Procurar acordos assinados à parte Confidencialidade e acordo de sócios costumam ser esquecidos.
  4. Conferir em nome de quem estão marca e domínio Descobrir tarde que o ativo não é da empresa custa caro.
  5. Evitar qualquer comunicação pública sobre o outro Nenhum cliente quer assistir à briga.
  6. Comunicar a mudança aos clientes de forma neutra Explicação longa levanta suspeita que não existia.
  7. Reforçar a continuidade do que o cliente já tinha Segurança vale mais que argumento nesse momento.
  8. Publicar histórico e casos que a operação nova não tem Prova acumulada não se transfere com a saída.
  9. Pedir avaliação a quem ficou Prova social recente sinaliza continuidade.
  10. Consultar um advogado antes de qualquer notificação Notificar sem base queima a chance de agir depois.
Cleber Barbosa, consultor de marketing digital em Ribeirão Preto
Autor
Cleber Barbosa
Consultor de Marketing Digital, SEO e Tráfego Pago — Ribeirão Preto, SP

Vinte anos de marketing digital e 43 cases documentados. Trabalho com SEO técnico, tráfego pago, growth hacking e IA aplicada a negócios. Concorrência legítima se enfrenta no mercado; uso indevido do que era da empresa é outra conversa.

Sobre o autor
Perguntas frequentes

Dúvidas sobre ex-sócio concorrente

Ele pode abrir no mesmo ramo?

Em regra sim, salvo cláusula específica no contrato. Abrir negócio no mesmo mercado é concorrência legítima.

E se ele levou a carteira?

Usar lista de clientes, material ou sistema que pertencia à sociedade é diferente de concorrer, e pode ter caminho jurídico.

Devo avisar meus clientes?

Avisar sobre o outro coloca o cliente numa posição desconfortável. Comunicar o que você faz é diferente de falar dele.

O que olho primeiro?

O contrato social e o distrato. Eles definem o que ficou combinado sobre concorrência, uso de marca e clientes.

Vale baixar meu preço?

Guerra de preço entre quem tem a mesma estrutura de custo termina com os dois piores e nenhum vencedor.

Cláusula de não concorrência vale?

Depende de prazo, área e contrapartida. Restrição ampla demais costuma ser questionada. É análise para advogado.

A sua comunicação fala de você ou dele?

Quem reage publicamente transforma escolha de fornecedor em conflito pessoal.

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