Pesquisei o nome da minha empresa e apareceu o anúncio do concorrente

Alguém digita o seu nome e o primeiro resultado é outro negócio. Você não fez nada de errado e está pagando por isso: o cliente que já tinha decidido chega na porta de outro.

Falar sobre esse caso
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brigas ganhas reclamando em público
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defesa que funciona no mesmo dia
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caminhos, do mais barato ao formal
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coisas diferentes que parecem a mesma

As duas coisas diferentes que parecem a mesma

Usar o seu nome como palavra pesquisada e usar o seu nome dentro do texto do anúncio são situações distintas. A primeira costuma ser permitida pelas plataformas e é prática comum de mercado. A segunda, que faz o anúncio parecer ser seu, é a que tende a violar tanto a regra da plataforma quanto o direito de marca.

Confundir as duas leva a reclamar do que não vai mudar e a deixar passar o que teria remédio rápido.

Nenhuma briga dessas foi ganha em público: postar sobre o concorrente, marcar a plataforma numa rede social ou avisar clientes de que estão sendo enganados dá visibilidade justamente para quem você quer tirar de vista. Também transforma um problema técnico numa disputa pessoal que o mercado local comenta. Os caminhos que funcionam são silenciosos e nenhum deles começa com uma publicação.

A defesa que funciona no mesmo dia

Anuncie no próprio nome. Quem é dono da marca paga muito menos por esse clique, porque a relevância é altíssima e todo o histórico de busca é seu.
Ocupe o primeiro resultado com o seu anúncio. Enquanto qualquer disputa formal se arrasta, o cliente que saiu procurando por você continua encontrando você.
Meça antes e depois. Sem saber quantas buscas pelo seu nome acontecem por mês, você não tem como saber o tamanho real do problema nem se a defesa deu resultado.

Quando quem anuncia é um parceiro ou revendedor

Nem todo anúncio no seu nome vem de concorrente, e o tratamento é outro.

Revendedor autorizado costuma poder. Quem vende o seu produto tem interesse legítimo em aparecer para quem procura a marca, e proibir pode reduzir a sua própria venda.
O problema é competir com você pelo mesmo clique. Se ele anuncia e você anuncia, os dois pagam mais caro pelo mesmo cliente, que já era seu de qualquer forma.
Combine por escrito quem anuncia no quê. Contrato de revenda ou de franquia deveria dizer isso, e quase nenhum diz.
Cuidado com o afiliado que vive disso. Aparecer na busca da marca e cobrar comissão pela venda que já ia acontecer é o caso mais comum de comissão paga à toa.
Se for ex-parceiro, aja rápido. Quem foi autorizado um dia e deixou de ser costuma continuar anunciando por inércia, e isso confunde mais que concorrente declarado.

Como descobrir a extensão do problema

Ver uma vez não diz quase nada. Anúncio aparece e some conforme orçamento e horário.

Pesquise em janela anônima, sem estar logado. O resultado personalizado engana bastante: aquilo que você enxerga logado na sua própria conta não é o que o cliente enxerga.
Repita em horários diferentes. Campanha com orçamento pequeno costuma sumir no meio da tarde e voltar no dia seguinte, o que faz o problema parecer intermitente quando não é.
Teste as variações do nome. Com erro de digitação, com e sem o tipo de negócio junto, com o nome do bairro. O concorrente pode ter comprado apenas uma dessas variações.
Use a ferramenta de transparência de anúncios. As principais plataformas mantêm um repositório público com os anúncios ativos de cada anunciante, e ele mostra o que está no ar sem que você precise ficar caçando na busca.
Guarde a captura de tela com data. Se o caso avançar para uma notificação formal, aquela captura é a única prova, e ela desaparece no dia em que a campanha for pausada.

Quando ignorar é a decisão certa: se quase ninguém procura pelo seu nome, o concorrente está gastando dinheiro para aparecer numa busca que não existe. Vale conferir o volume antes de reagir. Também vale lembrar que a briga tem custo: subir uma campanha na marca de quem anunciou na sua costuma escalar até os dois pagarem caro por cliques que antes eram baratos. Em cidade pequena, onde todo mundo se conhece, o barulho da disputa às vezes custa mais que o clique perdido.

O que o cliente vê e não te conta

Ele não distingue anúncio de resultado

Boa parte das pessoas clica no primeiro item da página sem sequer reparar na marcação de anúncio.

Se atenderam bem, ele nem percebe

Quem procurou por você, clicou errado e foi bem atendido por outro não volta para conferir o que aconteceu.

Quem percebe às vezes desiste

A confusão na busca acaba gerando desconfiança em relação aos dois negócios envolvidos, e não apenas em relação a um deles.

Ninguém liga para avisar

Você só vai descobrir isso pesquisando por conta própria, ou por um comentário de passagem de algum cliente.

O primeiro passo

Pesquise o seu nome agora. Janela anônima.
Salve a captura com data. Se houver anúncio.
Veja o volume de busca do nome. Mede o prejuízo.
Suba a campanha de marca. Hoje mesmo.
Só depois pense em notificar. Nessa ordem.

Os três caminhos, do mais barato ao formal

Vale seguir nesta ordem, porque cada etapa custa mais que a anterior.

Conversa direta. Uma mensagem objetiva pedindo a exclusão do seu nome da campanha resolve muito mais casos do que se imagina, principalmente quando quem configurou aquilo foi uma agência que apenas copiou uma lista pronta de termos.
Denúncia à plataforma. Existe um processo específico para denunciar uso indevido de marca em anúncio, e ele exige comprovação de titularidade do registro. É gratuito e costuma ser resolvido em poucos dias.
Notificação formal. Uma carta de advogado com fundamento em direito de marca. Custa pouco se comparada a uma ação judicial e resolve boa parte do que a plataforma não retirou.
Medida judicial. É o último recurso, lento e caro. Só faz sentido quando o prejuízo é grande, comprovável, e todas as etapas anteriores já falharam.
Continue anunciando durante todas elas. Nenhum desses caminhos formais é rápido o suficiente para proteger a venda que acontece amanhã.

O que a plataforma costuma aceitar e o que costuma recusar: a política das principais redes de anúncio distingue o uso da marca como termo de segmentação, que em geral é liberado, do uso da marca no texto visível do anúncio, que é restrito ao titular e a quem ele autoriza, como revendedor ou site de comparação. Denúncia sobre o primeiro caso tende a ser negada; sobre o segundo, atendida. Saber dessa diferença antes de abrir o pedido economiza semanas e evita a conclusão errada de que a plataforma não faz nada.

O que medir antes e depois

Buscas pelo seu nome por mês

Sem esse número na mão não há como saber se o problema é grande ou completamente irrelevante.

Quanto custa o clique na sua marca

Costuma ser bem barato para você e caro justamente para quem não é dono da marca.

Quantos contatos vêm por busca de nome

É o público mais quente que existe na sua operação e também o mais fácil de perder por descuido.

Se alguém chegou confuso

O cliente que menciona ter clicado em outro lugar antes de achar você é o sinal mais concreto de todos.

Como montar a campanha de defesa

É simples e a maioria dos negócios nunca fez.

Use só as variações do seu nome. Com e sem acento, com os erros de digitação mais comuns e com o nome do bairro junto. Nada além disso deve entrar nessa campanha.
Separe do resto da conta. Campanha própria e orçamento próprio, para que o resultado dela não se misture com a captação de gente que ainda nem conhece você.
Escreva o anúncio como confirmação. Quem digita o seu nome já tomou a decisão. O anúncio só precisa confirmar que é você, dizer onde fica e como falar, sem tentar convencer de nada.
Leve para a página certa. Página inicial ou de contato, e não uma página de serviço específica que a pessoa nem estava procurando.
Não gaste muito. O volume de busca é pequeno e o custo por clique tende a ser baixo. Se estiver saindo caro, a configuração está errada em algum ponto.

Como isso muda por tipo de negócio

O tamanho do prejuízo depende de quanta gente procura você pelo nome.

Marca conhecida na cidade. É onde a perda mais dói, porque boa parte da demanda chega justamente buscando o nome, e cada clique desviado ali é uma venda quase certa que se perde.
Negócio novo ou pouco conhecido. Quase ninguém busca pelo nome ainda, o prejuízo real é pequeno e vale investir a sua energia em outro lugar.
Franquia ou representante de marca. A situação fica mais complexa, porque outros autorizados também usam legitimamente o nome e a regra costuma estar escrita no contrato da rede.
Profissional que atende pelo próprio nome. Nome de pessoa física tem proteção jurídica diferente da de marca registrada, e por isso o caminho formal muda bastante.
Venda para empresa. A busca pelo nome costuma acontecer já no fim do processo de decisão, depois de uma indicação, e perder o cliente nesse ponto custa bem mais que a média.

O que reduz o problema a longo prazo

Nada disso resolve hoje, e tudo reduz a chance de acontecer de novo.

Registre a marca. É o registro que transforma uma reclamação em direito exigível. Sem ele, o argumento perante a plataforma e perante um juiz fica muito mais frágil.
Ocupe os resultados orgânicos do próprio nome. Site, perfis, cadastros e fichas ocupando os primeiros lugares deixam bem menos espaço visível para o anúncio de terceiro.
Mantenha a campanha de marca no ar. Ela é barata de manter e funciona como uma cerca permanente, e não como reação pontual a um episódio.
Acompanhe a busca pelo seu nome de vez em quando. Uma única verificação por mês, feita em janela anônima, encontra o problema bem antes de o cliente encontrar.
Construa nome que valha a pena defender. Uma marca genérica demais é difícil de registrar e fácil de confundir com qualquer outra, e isso começa lá na escolha do nome.

Sobre marca registrada e uso por terceiro

Vale conhecer os contornos antes de decidir o caminho.

No Brasil, o direito exclusivo sobre uma marca nasce do registro no órgão competente, e é ele que dá ao titular a prerrogativa de impedir o uso por terceiros em produtos ou serviços semelhantes. Sem registro existe apenas a proteção limitada do nome empresarial e a possibilidade de alegar concorrência desleal, que é um caminho mais estreito e depende de demonstrar desvio de clientela ou confusão deliberada. Por isso o registro muda tanto a conversa: com ele, a notificação tem base legal clara; sem ele, vira discussão sobre fatos.

Sobre o uso da marca alheia em publicidade digital, o entendimento não é uniforme e vem se construindo caso a caso. Há decisões que consideram legítimo comprar a palavra correspondente à marca de um concorrente, por entender que a segmentação não é visível ao consumidor e não gera confusão, e há decisões em sentido contrário, especialmente quando fica caracterizado o aproveitamento parasitário do investimento alheio. Já o uso do nome dentro do texto do anúncio, sugerindo relação inexistente, é tratado com muito menos tolerância. Como o desfecho depende do caso concreto, do registro e da forma exata do anúncio, converse com um advogado especializado em propriedade industrial antes de notificar ou processar alguém.

Quando vale chamar alguém

Subir uma campanha na própria marca é rápido e você consegue fazer sozinho em uma tarde.

Vale trazer ajuda quando o caso envolve marca registrada e notificação. Se o problema é confusão de nome e não anúncio, leia existe outra empresa com nome parecido. E se a dúvida é por que o investimento não retorna, leia investi em tráfego pago e não tive retorno.

Como reagir quando um concorrente anuncia na sua marca

  1. Pesquisar o próprio nome numa janela anônima É exatamente o que o seu cliente vê.
  2. Separar uso como termo de busca de uso no texto do anúncio São situações diferentes, com remédios diferentes.
  3. Subir hoje uma campanha só com variações do seu nome Resolve no mesmo dia e custa pouco por ser relevante.
  4. Escrever o anúncio como confirmação, não como convencimento Quem busca o seu nome já decidiu.
  5. Medir quantas buscas pelo seu nome existem por mês Sem isso não dá para saber o tamanho do problema.
  6. Mandar uma mensagem direta ao concorrente Resolve mais casos do que parece, sobretudo se foi a agência.
  7. Abrir denúncia de uso indevido de marca na plataforma É gratuito e costuma sair em dias.
  8. Registrar a marca se ainda não registrou É o que transforma reclamação em direito.
  9. Ocupar os resultados orgânicos do próprio nome Menos espaço visível sobra para anúncio de terceiro.
  10. Consultar advogado de propriedade industrial antes de notificar O desfecho depende do registro e da forma exata do anúncio.
Cleber Barbosa, consultor de marketing digital em Ribeirão Preto
Autor
Cleber Barbosa
Consultor de Marketing Digital, SEO e Tráfego Pago — Ribeirão Preto, SP

Vinte anos de marketing digital e 43 cases documentados. Trabalho com SEO técnico, tráfego pago, growth hacking e IA aplicada a negócios. Usar o seu nome como palavra pesquisada e usar o seu nome dentro do anúncio são coisas diferentes, com remédios diferentes.

Sobre o autor
Perguntas frequentes

Dúvidas sobre anúncio na sua marca

É permitido anunciar no meu nome?

Usar a marca como palavra pesquisada costuma ser permitido. Usar o nome dentro do texto do anúncio é outra coisa.

O que faço primeiro?

Anunciar no próprio nome. Resolve no mesmo dia e custa pouco, porque a relevância da sua marca é alta.

Preciso ter marca registrada?

Para reclamar do uso do nome no texto do anúncio, o registro faz muita diferença. Sem ele, o caminho é bem mais estreito.

Vale reclamar na plataforma?

Existe canal para denúncia de uso indevido de marca, e ele costuma ser mais rápido que qualquer medida judicial.

Devo falar com o concorrente?

Às vezes resolve, principalmente quando quem configurou foi uma agência sem instrução. Vale antes de qualquer coisa formal.

Posso fazer o mesmo com ele?

Tecnicamente sim, dentro das mesmas regras. Mas isso costuma iniciar uma disputa que encarece o clique para os dois.

Você já pesquisou o nome da sua empresa hoje?

Numa janela anônima, sem estar logado. É o que o seu cliente vê.

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