O cliente quer parcelar em dez vezes e eu preciso do dinheiro agora

A venda fecha na hora se você aceitar a condição. O problema só aparece no mês seguinte, quando as contas chegam inteiras e o pagamento chega dividido em dez. Aí você antecipa o recebível, paga a taxa correspondente, e a margem some sem que ninguém tenha negociado um centavo de desconto.

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perguntas que definem quanto embutir
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saídas antes de antecipar tudo
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custo que não aparece na tabela da maquininha

Parcelar tem preço, e alguém paga

Ou esse custo está embutido no que você cobra, ou está saindo direto da sua margem. Não existe uma terceira opção. A taxa cobrada pela maquininha numa venda em dez vezes, somada ao custo de antecipar aquele valor, costuma consumir uma fatia que faria diferença real no fechamento do mês, e quase ninguém calcula isso antes de oferecer a condição ao cliente.

Oferecer parcelamento é uma decisão comercial perfeitamente legítima. Oferecer parcelamento sem saber quanto ele custa é outra coisa completamente diferente.

O custo que não aparece na tabela: a taxa por parcela é o número que todo mundo olha, mas o custo real é o dinheiro que fica preso. Vender dez mil reais parcelados em dez vezes significa ter nove mil na rua durante meses, enquanto o fornecedor, o aluguel e a folha vencem integralmente todo mês. Se você já antecipa justamente para cobrir esse buraco, acaba pagando duas vezes: a taxa da venda e depois a taxa da antecipação. É exatamente por isso que negócio com boa margem no papel acaba quebrando por falta de caixa.

As duas perguntas que definem quanto embutir

Você vai antecipar sempre ou só às vezes? Se você antecipa todos os meses sem exceção, aquela taxa é custo fixo e precisa estar dentro do preço de tabela, e não sendo absorvida caso a caso.
Qual parcela o cliente realmente escolhe? Se quase todo cliente pega o número máximo de parcelas, precifique considerando o máximo. Precificar pela média deixa você no vermelho na maioria das vendas.
As duas juntas dão o número. Sem responder as duas, você acaba embutindo de menos e absorvendo a diferença, ou embutindo demais e ficando caro para quem paga à vista.

Quando o parcelamento é o produto, não a facilidade

Em alguns negócios a condição de pagamento é o que fecha a venda, e isso muda a análise.

Ticket que o cliente não paga à vista. Móvel planejado, tratamento odontológico longo, equipamento profissional. Nesses casos parcelar não é cortesia nenhuma: é a única forma de a venda existir, e o custo precisa estar no preço desde o começo.
Compare com o financiamento de terceiro. Encaminhar o cliente a uma linha de crédito bancária tira o risco e o custo do seu colo, e muita gente deixa de oferecer essa opção por achar que vai perder a venda.
Cuidado com o parcelado no boleto. Parcelar fora do cartão significa que você virou o financiador da operação, com todo o risco de inadimplência ficando com você.
Trate condição como argumento, não como desconto. Dizer que "cabe no seu mês" vende melhor que baixar o preço, e custa bem menos que qualquer uma das duas coisas.
Meça a conversão por condição. Se ninguém fecha negócio em três vezes e todo mundo fecha em dez, a sua tabela de preços precisa refletir exatamente isso.

O que olhar antes de aceitar a condição

A decisão acontece na hora da venda, e por isso precisa estar decidida antes.

Tenha uma régua escrita. Até determinado valor, tantas parcelas; acima disso, entrada obrigatória. Sem uma régua escrita, quem decide é o clima da conversa e a vontade de fechar naquele dia.
Combine com quem vende. Se o vendedor pode oferecer qualquer condição para bater a meta do mês, a régua simplesmente não existe na prática.
Deixe uma exceção prevista. Cliente antigo de casa, pedido acima de determinado valor, recompra. Uma exceção definida por escrito evita que todas as exceções acabem sendo improvisadas.
Reveja quando o custo mudar. Taxa nova, prazo de repasse diferente ou mudança de adquirente pedem uma revisão da régua inteira, e não improviso na próxima venda que aparecer.
Escreva onde a equipe vê. Uma régua que mora apenas na sua cabeça vira negociação individual toda vez que alguém pergunta.

O primeiro passo

Puxe o extrato do mês passado. Taxa e antecipação.
Divida pelo faturamento. É o seu percentual.
Veja qual parcela todo mundo escolhe. Não a média.
Cote com dois concorrentes. Com o extrato.
Escreva a régua numa folha. E mostre à equipe.

As três saídas antes de antecipar tudo

Antecipar é a solução mais rápida e quase sempre a mais cara.

Antecipe só o que falta na semana. Levantar quanto vence nos próximos sete dias e antecipar exatamente esse valor custa uma fração do que custa antecipar o mês inteiro por puro hábito.
Alongue o prazo com o fornecedor. Cada dia a mais que você consegue para pagar é um dia a menos financiando o seu cliente com dinheiro do próprio bolso, e negociar prazo costuma ser bem mais fácil que negociar preço.
Peça entrada nas vendas grandes. Receber uma parte à vista muda a conta inteira do pedido e encontra bem menos resistência quando é apresentada como padrão da casa, e não como exceção negociada.
Compare o custo de antecipar com o de um limite. Em vários casos uma linha de crédito bem negociada sai mais barata que a antecipação feita todo mês, e quase ninguém chega a fazer essa comparação.
Só depois, antecipe o resto. Depois que as três primeiras saídas já foram usadas, o valor que sobra para antecipar costuma ser bem menor.

A conta em uma linha: pegue o total vendido no cartão no mês passado, veja quanto saiu em taxa e quanto saiu em antecipação, some os dois e divida pelo faturamento do mês. Esse percentual é o custo do seu meio de pagamento, e ele costuma ser maior que a margem líquida de muitos negócios pequenos. Quem nunca fez essa conta descobre que está trabalhando uma semana por mês para pagar a maquininha, e essa descoberta costuma render mais que qualquer aumento de preço.

Como comunicar a condição

Mostre o valor à vista primeiro

Quem enxerga o valor total antes de ver o parcelado ancora no número cheio e consegue comparar melhor.

Diga até quantas vezes, com clareza

Um limite comunicado desde o início como padrão da casa gera muito menos negociação que um limite improvisado na hora.

Ofereça vantagem no à vista

Oferecer um desconto menor que a taxa que você pagaria à adquirente é lucro para os dois lados da mesa.

Não esconda o acréscimo

Cobrar um valor diferente sem informar isso antes da compra gera reclamação e tem regra específica na legislação.

Como isso muda por tipo de negócio

O peso do parcelamento depende do ticket e da recorrência.

Ticket alto e venda esporádica. É de longe onde mais dói: uma única venda grande parcelada em doze vezes prende um capital que sustentaria dois meses inteiros de operação.
Ticket baixo e volume alto. Aqui a taxa cobrada por transação pesa bem mais que o prazo de recebimento, e negociar o percentual rende mais que limitar o número de parcelas.
Serviço com custo antes da entrega. Quem precisa comprar material antes mesmo de receber acaba financiando o cliente duas vezes, e nesse cenário a entrada deixa de ser opcional.
Contrato mensal. A própria recorrência resolve boa parte do problema sozinha, porque o dinheiro passa a entrar no mesmo ritmo em que as contas vencem.
Venda para empresa. Aqui o parcelamento assume a forma de prazo de faturamento, e trinta ou sessenta dias produzem no caixa o mesmo efeito que um cartão em duas vezes.

O que negociar com quem processa

A taxa que você paga hoje raramente é a melhor disponível.

Leve o extrato dos últimos três meses. Um volume comprovado por extrato muda a conversa por completo, e sem esse documento você recebe apenas a tabela de balcão.
Cote com dois concorrentes antes. Uma proposta concorrente na mão é o único argumento que costuma funcionar de verdade, e a renegociação costuma sair em poucos dias.
Pergunte a taxa de antecipação separada. Essa taxa é tão negociável quanto a outra e costuma ficar de fora da conversa, porque o foco acaba indo todo para a taxa da venda.
Verifique o prazo de repasse. Passar a receber em um dia útil em vez de trinta reduz drasticamente a necessidade de antecipar, e isso vale bem mais que décimos de ponto na taxa.
Marque uma revisão semestral na agenda. As condições do mercado mudam, o seu volume muda, e nenhuma adquirente vai ligar oferecendo desconto porque você cresceu.

Os sinais de que o parcelamento está te quebrando

Dá para perceber antes de o caixa apertar de verdade.

Você antecipa todo mês, sem exceção. A antecipação virou parte permanente da operação, e não mais um recurso de emergência. Isso significa que a sua estrutura de recebimento não sustenta a de pagamento.
O faturamento cresce e o saldo não. É o quadro clássico de quem passou a vender mais no parcelado: cada venda nova aumenta o valor que fica preso na rua.
Você não sabe quanto tem a receber. Se esse número não está visível em algum painel ou planilha, toda decisão de gastar está sendo tomada completamente no escuro.
A conta do mês depende da venda da semana. Uma operação que precisa vender hoje para conseguir pagar amanhã não tem folga nenhuma para negociar, nem com fornecedor nem com cliente.
Você aceita qualquer condição para fechar. Quando o parcelamento passa a ser o argumento de venda em vez de uma facilidade oferecida, o seu preço já parou de sustentar o negócio.

Sobre preço diferenciado e informação

Vale conhecer os contornos, sem tratar isto como orientação jurídica.

Cobrar valores diferentes conforme a forma de pagamento é permitido no Brasil desde 2017, quando a legislação passou a autorizar expressamente a diferenciação por prazo e por meio de pagamento. Isso significa que oferecer desconto para pagamento à vista, ou preço maior para parcelamento, é prática lícita. A exigência é de transparência: os valores precisam estar informados de forma clara e ostensiva antes da compra, em lugar visível, e não podem surgir apenas na hora de fechar. Informar só no caixa, depois de o cliente ter decidido, é o que gera autuação e reclamação, não a diferenciação em si.

Há também as regras de precificação em publicidade: anunciar um valor e cobrar outro, ou destacar o preço parcelado em corpo grande e o total em letra pequena, tem tratamento próprio na legislação de defesa do consumidor e em normas específicas sobre oferta de crédito. Quando existe acréscimo, ele precisa estar identificado como tal, com o valor total e o número de parcelas visíveis. Vale ainda lembrar que a relação com a adquirente é contratual e as taxas variam bastante conforme negociação e volume, sem tabela única. Como as regras de informação têm detalhes que mudam conforme o canal de venda, confirme a sua política de preços com o contador e, havendo dúvida sobre a comunicação, com um advogado.

Quando vale chamar alguém

Negociar taxa e montar a régua de parcelamento é conversa com adquirente e com o seu contador.

Vale trazer ajuda para comunicar a condição sem parecer mais caro. Quando o problema é o ciclo inteiro, leia vendo bem e falta dinheiro. Quando o cliente simplesmente não paga, leia entreguei e o cliente não paga. Quando o problema é o sinal já gasto, leia recebo adiantado e gasto antes de entregar.

Como decidir a política de parcelamento sem quebrar o caixa

  1. Somar taxa mais antecipação do mês passado e dividir pelo faturamento Esse percentual costuma superar a margem líquida do negócio.
  2. Descobrir qual parcela o cliente realmente escolhe Se quase todos pegam o máximo, precifique pelo máximo.
  3. Decidir se a taxa vai na tabela ou sai da margem Absorver caso a caso é o que come a margem sem aparecer.
  4. Antecipar apenas o que vence nos próximos sete dias Custa uma fração de antecipar o mês inteiro por hábito.
  5. Negociar prazo maior com o fornecedor Cada dia a mais é um dia a menos financiando o cliente.
  6. Pedir entrada nas vendas grandes, como padrão da casa Apresentado como exceção, gera resistência; como padrão, não.
  7. Comparar o custo de antecipar com o de uma linha de crédito Em alguns casos o limite sai mais barato que a antecipação recorrente.
  8. Levar o extrato de três meses para renegociar a taxa Sem volume comprovado você recebe a tabela de balcão.
  9. Perguntar a taxa de antecipação separada da taxa de venda Ela é negociável e some da conversa quando o foco é só a venda.
  10. Informar o preço diferenciado antes da compra, de forma visível A diferenciação é lícita; informar só no caixa é o que gera autuação.
Cleber Barbosa, consultor de marketing digital em Ribeirão Preto
Autor
Cleber Barbosa
Consultor de Marketing Digital, SEO e Tráfego Pago — Ribeirão Preto, SP

Vinte anos de marketing digital e 43 cases documentados. Trabalho com SEO técnico, tráfego pago, growth hacking e IA aplicada a negócios. Oferecer parcelamento é decisão comercial legítima; oferecer sem saber quanto custa é outra coisa.

Sobre o autor
Perguntas frequentes

Dúvidas sobre parcelar e antecipar

Devo embutir a taxa no preço?

Se você antecipa todos os meses, ela deixou de ser eventual e virou custo fixo, então precisa estar na tabela. Absorver caso a caso é justamente o que come a margem sem aparecer em lugar nenhum.

Qual o custo real do parcelamento?

A taxa por parcela mais o dinheiro que fica preso. Se você antecipa para cobrir o buraco, paga duas vezes.

Posso dar desconto para pagamento à vista?

Pode sim, e é prática expressamente permitida no Brasil. O que exige cuidado é a forma como isso é informado, porque existe regra de transparência de preço.

Vale antecipar tudo sempre?

Antecipar tudo por hábito é o caminho mais caro de todos. Antecipar apenas o necessário para cobrir a semana custa uma fração disso.

Dá para negociar a taxa?

Dá sim, e quase ninguém tenta. Volume mensal comprovado e cotação com dois concorrentes costumam render uma redução relevante.

Perco venda se limitar as parcelas?

Bem menos do que se imagina. A maioria das pessoas escolhe simplesmente o máximo oferecido, e não o máximo de que precisaria.

Você sabe quanto pagou de taxa no mês passado?

Se o número não vem de cabeça na hora, ele provavelmente está bem maior do que deveria estar.

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