Minha equipe usa IA e eu não sei o que estão colocando lá

Alguém colou o contrato do cliente numa ferramenta para resumir. Outro entregou um texto que ninguém revisou. Ninguém fez nada de errado, porque nunca foi combinado o que seria errado.

Falar sobre a minha equipe
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riscos que proibir não elimina
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coisas que nunca deveriam sair da empresa
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página que resolve quase todo o problema

Você não decide se a equipe usa

Isso já foi decidido, e não foi por você. As ferramentas estão no navegador, no celular e dentro de programas que a empresa já paga. A decisão que sobrou é se vai existir regra ou se cada um vai continuar improvisando a própria.

Proibir só muda o lugar onde acontece: sai do computador da empresa e vai para o celular pessoal, onde você não vê nada e não controla nada.

Os dois riscos que a proibição não elimina: o dado que já saiu não volta, e o trabalho entregue sem revisão continua sendo entregue. Uma regra que ninguém segue é pior que nenhuma regra, porque cria a sensação de que o assunto está resolvido. O que reduz risco de verdade é dizer o que não pode sair e o que precisa ser conferido, com clareza suficiente para alguém seguir sem perguntar.

As três coisas que nunca deveriam sair

Dado pessoal de cliente ou de funcionário. Nome, documento, endereço, informação de saúde ou financeira de qualquer pessoa. Colar isso numa ferramenta externa é, na prática, tratamento de dado pessoal feito por terceiro.
Documento sob sigilo contratual. Contrato, proposta e projeto de cliente quase sempre têm cláusula de confidencialidade redigida de forma ampla, e ela não abre exceção para ferramenta nenhuma.
O que diferencia a sua operação. Método de trabalho, estrutura de precificação, lista de fornecedores e tudo aquilo que você levou anos para descobrir na prática.

O medo que ninguém fala em voz alta

Metade da resistência não é técnica nem jurídica.

Quem produz rápido demais teme parecer dispensável. Se a tarefa que justificava o cargo agora leva dez minutos, a pessoa faz a conta antes de você.
Quem não usa teme ficar para trás. E às vezes esconde a dificuldade em vez de pedir ajuda, o que atrasa a equipe inteira.
Diga o que acontece com o tempo que sobra. Sem essa resposta, ninguém tem incentivo para mostrar ganho de produtividade. Com ela, o ganho aparece.
Reconheça quem trouxe a melhoria. Se usar bem a ferramenta vira mérito reconhecido, o uso sai do esconderijo em uma semana.
Não prometa o que não vai cumprir. Dizer que nada muda quando algo vai mudar destrói a conversa toda na primeira evidência do contrário.

Os erros que aparecem com mais frequência

Nem todo problema é vazamento. A maioria é mais prosaica.

Nome de cliente trocado ou inventado. É o erro mais comum e o mais caro em percepção, porque comunica que ninguém leu antes de enviar.
Número que parece certo e não é. Prazo, percentual e valor aparecem com aparência de precisão e sem origem nenhuma.
Texto que não soa como a empresa. Vocabulário formal demais ou entusiasmado demais denuncia rápido e enfraquece a voz que você levou anos construindo.
Resposta que promete o que você não faz. Ferramenta que não conhece o seu escopo inventa serviço, prazo e condição com naturalidade.
Documento sem a informação específica que importava. O texto fica bonito e genérico, e some justamente o detalhe do caso que justificava o trabalho.

Como descobrir o que já está acontecendo

Você precisa saber o uso atual antes de escrever regra sobre ele.

Pergunte sem tom de apuração. "Quem já usou alguma ferramenta dessas para adiantar trabalho?" abre a conversa. "Alguém andou usando isso?" fecha na hora.
Peça exemplos concretos. Qual tarefa, qual ferramenta, quanto tempo economizou. Isso mostra o que vale padronizar e o que precisa parar.
Olhe as assinaturas que a empresa paga. Boa parte das ferramentas que a equipe já usa veio embutida em software que você contratou para outra coisa.
Repare no que mudou de qualidade. Texto que ficou mais polido e menos específico de repente costuma ter explicação.
Não trate quem contou como problema. A primeira pessoa que admitir o uso define se as outras vão contar ou esconder.

O que você provavelmente vai descobrir: que alguém da equipe está resolvendo em dez minutos uma tarefa que consumia uma tarde, e não contou porque achou que seria repreendido ou porque temeu que a função ficasse desnecessária. Esse segundo medo é o que mais atrapalha, e ele não some com política escrita. Some quando você diz, em voz alta, o que acontece com o tempo que sobrar. Se ninguém souber a resposta disso, a equipe vai continuar escondendo ganho de produtividade, que é o oposto do que você quer.

O que dizer ao cliente

Leia o contrato primeiro

Alguns já exigem aviso prévio sobre uso de ferramenta de terceiro.

Contar antes custa menos

Descobrir depois vira quebra de confiança, mesmo sem quebra de contrato.

Diga o que não muda

Que a revisão é humana e a responsabilidade continua sendo sua.

Não use como argumento de preço

Anunciar economia de tempo convida o cliente a pedir desconto.

Por onde começar

Pergunte à equipe como já usam. Sem apuração.
Releia os contratos de sigilo. Os que valem hoje.
Escolha as ferramentas aprovadas. Duas ou três.
Escreva uma página, com o motivo. Não dez.
Diga a quem perguntar na dúvida. Um nome só.

A página que resolve quase todo o problema

Documento longo ninguém lê. Uma página objetiva, sim.

Comece pelo que não pode sair. Uma lista curta e bem concreta, com exemplos tirados do seu próprio negócio. "Dados de cliente" é vago demais; "contrato, cadastro e qualquer planilha com nome de pessoa" é uma regra que alguém consegue seguir.
Diga o que sempre precisa de revisão humana. Todo texto que vai para o cliente, qualquer número que entre numa proposta e tudo que contenha nome próprio ou data.
Nomeie as ferramentas aprovadas. Duas ou três ferramentas, escolhidas por você, com conta paga pela empresa. Uma lista fechada resolve muito mais que qualquer regra abstrata.
Explique o motivo em uma linha. Uma regra sem razão declarada vira burocracia e é ignorada. "Porque o contrato com o cliente exige sigilo" já é motivo suficiente.
Diga a quem perguntar na dúvida. Um nome específico, de uma pessoa. Sem isso, cada um decide sozinho de novo e você volta exatamente ao ponto de partida.

A conversa importa mais que o documento: quinze minutos numa reunião de equipe, explicando o motivo e perguntando como cada um já está usando, produz mais efeito que qualquer política assinada. Também revela usos que você não imaginava, alguns melhores que os seus. A pessoa que já resolveu uma tarefa chata com uma ferramenta vai contar isso se o clima for de organizar, e vai esconder se o clima for de fiscalizar.

O que a conta paga da ferramenta muda

Controle de quem tem acesso

A entrada e a saída de cada funcionário deixam de depender de conta pessoal de ninguém.

Tratamento diferente do dado

Planos corporativos costumam ter política própria sobre o que a plataforma faz com aquilo que você envia.

Histórico que fica na empresa

Tudo o que foi feito permanece na empresa e não sai junto com a pessoa no dia em que ela se desliga.

Um lugar só para conferir

Sem uma conta central, o uso fica espalhado por contas pessoais que você nunca vai conseguir enxergar.

Como conferir o trabalho sem virar auditor

Revisar tudo é impossível. Revisar o que importa é obrigação.

Confira nome próprio, número e data. É exatamente onde o erro se concentra e é o primeiro detalhe que o cliente nota. Um dado inventado dentro de uma proposta costuma custar a proposta inteira.
Desconfie do texto bom demais e vazio. Um parágrafo bem escrito que não afirma absolutamente nada é o resultado mais comum de quem pediu volume de texto em vez de conteúdo.
Peça a fonte quando houver afirmação técnica. Se ninguém na equipe consegue dizer de onde veio aquele número, ele não entra em nada que vá para fora da empresa.
Não confira o que não vai para o cliente. Rascunho interno, resumo de reunião e ideia solta não precisam do mesmo nível de cuidado, e tratar absolutamente tudo igual é o que faz a regra ser abandonada em duas semanas.
Deixe claro que a assinatura é de quem entrega. Quem envia o trabalho responde por ele, tenha usado o que tiver usado para produzi-lo.

Como isso muda por tipo de negócio

O risco e a régua variam bastante conforme o que você faz.

Serviço com dado de cliente. Contabilidade, jurídico e saúde têm sigilo por regra da profissão, e aqui a régua é a mais apertada de todas.
Agência e serviço criativo. O risco é entregar conteúdo genérico com o nome do cliente e o contrato de propriedade do que foi produzido.
Comércio e operação. O uso costuma ser em descrição de produto e atendimento, com risco baixo e ganho rápido.
Indústria e projeto técnico. Desenho, especificação e método são o ativo, e colar isso em ferramenta aberta entrega o que ninguém deveria ver.
Equipe que atende cliente por escrito. Aqui vale combinar tom e limites, porque a diferença entre a voz da empresa e a da ferramenta aparece rápido.

Os sinais de que a regra está funcionando

Regra boa se percebe pelo que deixa de acontecer.

As pessoas perguntam antes. Alguém vir checar se pode usar em determinada tarefa é o melhor indicador possível, e significa que a regra é conhecida.
O uso aparece na conta da empresa. Se o volume nas ferramentas aprovadas cresce, o uso saiu das contas pessoais.
Ninguém esconde que usou. Quando o uso é combinado, a pessoa conta naturalmente. Quando não é, você descobre por acidente.
A revisão pega coisa. Se a conferência nunca encontra nada, provavelmente ela não está acontecendo.
Alguém propõe um uso novo. Equipe que se sente à vontade traz ideia, e boa parte do ganho vem dessas ideias e não das suas.

Sobre dado pessoal e sigilo contratual

Existe terreno jurídico aqui e vale conhecer os contornos.

Colar informação de cliente numa ferramenta de terceiro é, em termos de proteção de dados, compartilhar dado pessoal com um operador. A legislação brasileira atribui responsabilidade a quem controla o tratamento, e essa responsabilidade não desaparece porque quem colou foi um funcionário agindo por conta própria. Isso significa que a empresa continua respondendo perante o titular do dado e perante a autoridade, e a defesa de que não havia orientação interna tende a pesar contra, não a favor. Dado sensível, como informação de saúde, tem regime mais restrito ainda.

Há também a camada contratual, que costuma ser esquecida. Muitos contratos de prestação de serviço têm cláusula de confidencialidade redigida de forma ampla, alcançando qualquer compartilhamento com terceiro sem autorização prévia, e uma ferramenta de inteligência artificial é um terceiro. Alguns contratos já trazem cláusula específica sobre uso dessas ferramentas, exigindo aviso ou proibindo o uso em determinados materiais. Vale ler os contratos que você já assinou antes de definir a política interna, porque a regra da empresa precisa ser pelo menos tão restritiva quanto o compromisso mais apertado que você tem em vigor. Como isso varia por contrato e por setor, e o custo de errar é a relação com o cliente, confirme com um advogado antes de publicar a política.

Quando vale chamar alguém

Escrever a regra e conversar com a equipe é trabalho seu, e funciona melhor vindo de você do que de um documento assinado por terceiro.

Vale trazer ajuda para decidir onde a ferramenta ajuda de verdade. Na dúvida sobre por onde adotar, leia usar IA na empresa sem equipe técnica. Quando o uso é para produzir conteúdo, leia escrevo meu conteúdo com IA.

Como definir a regra de uso de IA na sua equipe

  1. Aceitar que a equipe já usa e parar de decidir se pode Proibir move o uso para o celular pessoal, fora da sua vista.
  2. Listar o que nunca pode sair, com exemplos do seu negócio 'Dados de cliente' e vago; nomear os documentos e seguivel.
  3. Ler os contratos de sigilo que você já assinou A regra interna precisa ser tão restritiva quanto o contrato mais apertado.
  4. Escolher duas ou três ferramentas aprovadas Lista fechada resolve mais que regra abstrata.
  5. Abrir conta da empresa em vez de conta pessoal Controla acesso e o histórico não sai junto com a pessoa.
  6. Escrever a política em uma página, com o motivo Documento longo cria sensação de resolvido sem resolver.
  7. Conversar quinze minutos com a equipe Produz mais efeito que qualquer documento assinado.
  8. Definir o que sempre passa por revisão humana Nome próprio, número e data é onde o erro se concentra.
  9. Dizer a quem perguntar em caso de dúvida Sem um nome, cada um decide sozinho de novo.
  10. Confirmar a política com um advogado antes de publicar O custo de errar é a relação com o cliente.
Cleber Barbosa, consultor de marketing digital em Ribeirão Preto
Autor
Cleber Barbosa
Consultor de Marketing Digital, SEO e Tráfego Pago — Ribeirão Preto, SP

Vinte anos de marketing digital e 43 cases documentados. Trabalho com SEO técnico, tráfego pago, growth hacking e IA aplicada a negócios. Proibir só muda o lugar onde acontece: sai do computador da empresa e vai para o celular pessoal. Escrevo estes roteiros com o que aplico em diagnóstico real.

Sobre o autor
Perguntas frequentes

Dúvidas sobre equipe e IA

Devo proibir o uso?

Proibir move o uso para o celular pessoal, onde você não vê nada. O que reduz risco é combinar o que não pode sair.

O que nunca pode ser colado?

Dado pessoal de cliente ou funcionário, documento com cláusula de sigilo e o que diferencia a sua operação.

Preciso de um documento formal?

Uma página objetiva resolve quase tudo. Documento longo que ninguém lê cria a sensação de resolvido sem resolver nada.

Quem responde se vazar?

A empresa responde perante o cliente e perante a legislação de dados, independentemente de quem colou o que na ferramenta.

Posso usar em trabalho de cliente?

Depende do que o contrato diz. Vários contratos têm cláusula de confidencialidade que alcança qualquer ferramenta de terceiro.

Preciso avisar o cliente?

Alguns contratos exigem. Mesmo quando não exigem, descobrir depois costuma custar mais que ter contado antes.

Alguém já colou um contrato de cliente numa ferramenta?

Se você não consegue responder com certeza, essa já é a resposta.

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