Contratei alguém e não está rendendo o que eu esperava

Três meses depois, você continua fazendo o que devia ter passado adiante. A pessoa é boa, esforçada, e mesmo assim o resultado não vem. Antes de concluir que foi contratação errada, vale olhar de onde vinha a expectativa.

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expectativas cumpridas sem terem sido ditas

A pergunta que separa instrução de pessoa

Você já disse, em voz alta e com número, o que espera dessa função? Não o que espera da pessoa: da função. Quantos atendimentos por dia, em que prazo, com qual padrão. Se a resposta for não, o que existe não é baixo desempenho: é uma expectativa que nunca saiu da sua cabeça.

Ninguém entrega um alvo que não conhece, e quase todo problema de rendimento começa aqui.

Expectativa não dita é sempre descumprida: na sua cabeça a tarefa tem um jeito certo, uma velocidade normal e um nível de acabamento óbvio. Nada disso é óbvio para quem chegou. A pessoa está entregando o que entendeu que era pedido, e provavelmente acha que está indo bem. Descobrir três meses depois que estava errado o tempo todo é desmotivador para ela e caro para você, e a origem foi uma conversa de dez minutos que não aconteceu.

As três causas que parecem falta de capacidade

A tarefa nunca foi explicada até o fim. Você mostrou uma única vez, no meio do corre de um dia cheio, e assumiu que tinha ficado claro. Tudo o que não foi dito naquele momento vira improviso da parte dela, e improviso parece incompetência de fora.
Falta acesso, ferramenta ou informação. Muita gente passa semanas inteiras travada esperando uma senha ou um acesso e não avisa ninguém, porque acha que reclamar logo no começo vai pegar mal.
A função mudou depois da contratação. Você contratou para uma coisa específica, foi acrescentando outras ao longo dos meses, e agora cobra o resultado das duas. A pessoa está fazendo mais coisas e parecendo render menos.

O que medir antes de julgar

Sensação de baixo rendimento e baixo rendimento medido são coisas diferentes.

Quanto daquilo você fazia por dia. Compare honestamente com o que ela consegue fazer hoje. Se você fazia mais, lembre que fazia com dez anos de prática acumulada e sem precisar perguntar nada a ninguém.
Quantas vezes o trabalho voltou. O retrabalho é o indicador mais honesto que existe, justamente porque não depende de impressão de ninguém. Se ele caiu ao longo dos últimos meses, a formação está funcionando mesmo que a sensação diga o contrário.
Quanto do seu tempo ela ainda consome. Foi exatamente esse número que motivou a contratação lá atrás. Se ele não caiu nada em três meses, o problema pode não estar nela.
Separe volume de qualidade. Volume baixo e qualidade baixa são problemas diferentes, com soluções diferentes, e tratar os dois como se fossem um só confunde a conversa inteira.
Olhe a tendência, não o dia. Uma semana ruim não significa nada. Três meses sem melhora significam.

A conversa de ajuste

Ela precisa acontecer antes de qualquer decisão, e quase nunca acontece.

Comece perguntando, não avisando. Uma pergunta simples como "e você, como está vendo o trabalho?" costuma revelar em dois minutos um obstáculo concreto que você nem sabia que existia.
Diga o número, não o sentimento. Dizer "eu preciso de doze por dia e estamos em sete" é acionável e a pessoa sabe o que fazer. Dizer "preciso que você renda mais" não é acionável e só gera angústia.
Pergunte o que falta para chegar lá. Pode ser ferramenta, informação que ela não tem, tempo mal distribuído ou treino que faltou. A resposta costuma ser bem específica e barata de resolver.
Combine um prazo e uma data de revisão. Sem data marcada, a conversa não muda nada e vocês voltam a ela daqui a seis meses.
Registre o combinado por escrito. Bastam duas linhas por e-mail ou mensagem depois do encontro. Protege os dois lados e evita que existam duas versões diferentes da mesma conversa.

O que pode estar vindo da sua gestão

É desconfortável de considerar e é frequente.

Você não solta a tarefa. Refazer o trabalho por cima, conferir cada detalhe e corrigir sem explicar o motivo impede a pessoa de aprender e ainda comunica claramente que você não confia nela.
Você muda o critério sem avisar. Se aquilo que estava certo na semana passada passou a estar errado agora, ninguém consegue acertar. Todo critério que muda precisa ser dito em voz alta no momento em que muda.
Você compara com você mesmo. A régua do dono é sempre a de quem construiu o negócio do zero, e ela simplesmente não serve para medir alguém que foi contratado há noventa dias.
Você contratou para resolver o que não sabia definir. Se a função nunca teve contorno definido, a pessoa está preenchendo aquele vazio com o próprio palpite, e acertar por acaso é improvável.
Você não tem tempo de acompanhar. Uma contratação feita em pleno período de sufoco costuma vir sem nenhum acompanhamento, e depois o resultado ruim acaba parecendo culpa exclusiva de quem chegou.

Como isso muda por tipo de função

O prazo justo para avaliar depende bastante do que a pessoa faz.

Operacional e repetitivo. Trinta dias já dizem bastante coisa, porque a curva de aprendizado é curta e o erro aparece rápido para todo mundo ver.
Atendimento ao cliente. Sessenta dias é o prazo justo, e o indicador certo é a reclamação de cliente, não a velocidade de atendimento. Tom e julgamento levam bem mais tempo que procedimento.
Vendas. Três meses no mínimo, porque o ciclo de venda do seu negócio precisa correr inteiro pelo menos uma vez antes de qualquer conclusão minimamente confiável.
Técnico especializado. Aqui o prazo é longo e o risco é o contrário: cobrar cedo demais faz a pessoa boa desistir antes de mostrar serviço.
Função criada agora. Se ninguém nunca fez aquilo na empresa, não existe referência de rendimento, e a primeira pessoa está construindo o padrão junto com você.

Os sinais de que vale insistir

Nem todo rendimento baixo é motivo para desistir da pessoa.

Ela pergunta. Quem pergunta está tentando acertar. O silêncio prolongado é o sinal preocupante, não a dúvida frequente.
O mesmo erro não se repete. Errar é da curva; errar igual pela quarta vez depois de corrigido é outra coisa.
Melhorou desde o primeiro mês. Tendência positiva vale mais que nível absoluto quando ainda se está formando alguém.
O cliente gosta dela. Relação boa com quem paga é difícil de ensinar e compensa lentidão que se resolve com prática.
Ela avisa quando trava. Quem comunica o problema cedo economiza mais do que custa, e essa é uma qualidade rara.

Quando encerrar é a decisão certa

Existe hora, e adiar costuma custar mais que decidir.

Já houve conversa clara e prazo combinado. Encerrar sem que a pessoa tenha tido chance de ajustar é injusto e ainda deixa a dúvida de que talvez desse certo.
O erro atinge o cliente e não para. Aqui o prazo encurta, porque cada semana a mais custa relação construída em anos.
A convivência está pesando na equipe. Problema de conduta é diferente de problema de rendimento, e o segundo se resolve com formação, o primeiro não.
Você já sabe a resposta há semanas. Adiar por pena costuma piorar a saída para os dois lados, e a pessoa quase sempre já percebeu.
Encerre com clareza e sem lista de defeitos. Dizer que não funcionou basta. Recital de falhas na saída não ajuda ninguém e volta na conversa da cidade.

O que fazer antes de contratar de novo

Se não mudar nada, a próxima contratação repete a história.

Escreva a função com número. O que faz, quanto se espera, com que padrão e em quanto tempo. Uma folha resolve.
Prepare os acessos antes do primeiro dia. A semana inicial é a de maior disposição, e gastá-la esperando senha é desperdício.
Reserve tempo de acompanhamento na agenda. Se não estiver marcado, não vai acontecer, e você vai repetir a contratação sem formação.
Combine as datas de revisão desde o começo. Trinta, sessenta e noventa dias, marcados no primeiro dia. Isso muda a relação inteira.
Pergunte o que faltou a quem saiu. A conversa de desligamento é a fonte mais honesta que existe sobre a sua própria gestão.

Sobre prazos, registro e desligamento

Vale conhecer os contornos, sem tratar isto como orientação jurídica.

A legislação trabalhista brasileira prevê o contrato de experiência, com prazo máximo total definido em lei e possibilidade de uma única prorrogação dentro desse limite, e ele existe justamente para permitir a avaliação mútua antes da efetivação. Encerrar dentro do período tem regras próprias de aviso e verbas, diferentes das de um contrato por prazo indeterminado. Passado o prazo sem manifestação, o contrato passa automaticamente a indeterminado, o que muda o custo de desligar. Quem contrata sem formalizar experiência perde essa janela e costuma descobrir isso na hora em que precisaria dela.

Sobre a documentação do desempenho, registrar por escrito as orientações, os prazos combinados e os feedbacks dados não é burocracia: é o que sustenta uma decisão de desligamento questionada depois. Advertência tem forma própria e finalidade específica, e usar advertência para tratar rendimento baixo, que não é falta disciplinar, costuma ser inadequado. Vale lembrar também que motivo relacionado a saúde, gravidez ou exercício de direito tem proteção legal e que desligamento nesses contextos exige cuidado redobrado. Como cada situação tem detalhes que mudam o enquadramento, converse com o seu contador e, havendo qualquer conflito, com um advogado trabalhista antes de formalizar a saída.

O erro de comparar com quem saiu

Quase todo julgamento de rendimento passa por uma comparação injusta.

A memória favorece quem foi embora. Você lembra do último ano da pessoa anterior, que já sabia tudo, e compara com o terceiro mês de quem chegou agora. São dois momentos completamente diferentes da mesma curva.
Quem saiu também errou no começo. A diferença é que ninguém registrou, e o que ficou na lembrança foi a versão formada, não a que estava aprendendo.
O jeito diferente não é jeito pior. Muita coisa que incomoda é apenas outro caminho para o mesmo resultado, e cobrar o caminho antigo trava alguém que ia chegar lá sozinho.
A equipe faz a mesma comparação. E costuma dizer isso em voz alta, o que pesa sobre quem chegou e atrapalha a formação que ainda está acontecendo.
Compare com o mês anterior da mesma pessoa. É a única comparação que informa alguma coisa útil sobre a decisão que você precisa tomar.

O custo de trocar é maior do que parece na hora da irritação: some o tempo que você já investiu em formar essa pessoa, o período de vaga aberta, a seleção, a nova curva de aprendizado e o risco de o próximo ter exatamente o mesmo desempenho pelo mesmo motivo. Em função operacional isso costuma passar de três meses de folha. Não é argumento para manter quem não deveria ficar — é argumento para esgotar a conversa de ajuste antes, porque ela custa dez minutos e resolve boa parte dos casos.

Como acompanhar sem vigiar

Encontro curto e fixo

Quinze minutos por semana, no mesmo dia, resolvem mais que cobrança diária.

Um número visível para os dois

Quando a pessoa vê o próprio resultado, ela se corrige antes de você falar.

Elogie o específico

"Aquele atendimento você conduziu bem" ensina; "está indo bem" não ensina nada.

Não corrija em público

Correção na frente da equipe custa a disposição de perguntar depois.

Quando vale chamar alguém

Definir a função, medir e conduzir a conversa é trabalho seu, e não se terceiriza.

Vale trazer ajuda para desenhar o que a pessoa deveria estar entregando. Se a dúvida é contratar ou não, leia preciso contratar alguém e não sei se é a hora. E se o gargalo é você não conseguir soltar nenhuma tarefa, o caminho está em tudo depende de mim.

Como avaliar e ajustar o rendimento de quem você contratou

  1. Perguntar a si mesmo se já disse o número em voz alta Expectativa não comunicada é sempre descumprida.
  2. Verificar se a tarefa foi explicada até o fim O que não foi dito vira improviso, e improviso parece incompetência.
  3. Conferir se falta acesso, ferramenta ou informação Muita gente fica semanas travada e não avisa.
  4. Medir retrabalho, não impressão É o indicador que não depende de sensação.
  5. Comparar quanto do seu tempo ela ainda consome Foi esse número que motivou a contratação.
  6. Começar a conversa perguntando, não avisando Costuma revelar em dois minutos um obstáculo invisível.
  7. Dizer o número esperado, não o sentimento 'Doze por dia e estamos em sete' é acionável.
  8. Combinar prazo e data de revisão, por escrito Sem data marcada, a conversa não muda nada.
  9. Checar se o critério não muda sem aviso Se o certo de semana passada está errado agora, ninguém acerta.
  10. Confirmar prazo de experiência e forma de registro Passado o prazo sem manifestação, o custo de desligar muda.
Cleber Barbosa, consultor de marketing digital em Ribeirão Preto
Autor
Cleber Barbosa
Consultor de Marketing Digital, SEO e Tráfego Pago — Ribeirão Preto, SP

Vinte anos de marketing digital e 43 cases documentados. Trabalho com SEO técnico, tráfego pago, growth hacking e IA aplicada a negócios. Ninguém entrega um alvo que não conhece, e quase todo problema de rendimento começa aí. Escrevo estes roteiros com o que aplico em diagnóstico real.

Sobre o autor
Perguntas frequentes

Dúvidas sobre rendimento da equipe

Como sei se o problema é a pessoa?

Pergunte-se se você já disse, com número, o que espera da função. Se não disse, o que existe é expectativa não comunicada.

Quanto tempo devo dar?

Depende da função. Trinta dias para operacional, sessenta para atendimento, três meses para vendas, mais que isso para técnico.

O que medir?

Retrabalho, porque não depende de impressão, e quanto do seu tempo ela ainda consome, que foi o motivo da contratação.

Vale insistir com quem pergunta muito?

Vale. Quem pergunta está tentando acertar. O silêncio prolongado é o sinal preocupante, não a dúvida frequente.

Como conduzir a conversa de ajuste?

Comece perguntando como ela vê o trabalho, diga o número esperado, pergunte o que falta e combine uma data de revisão.

Preciso registrar tudo?

Duas linhas por escrito após cada conversa. Protege os dois lados e é o que sustenta uma decisão questionada depois.

Você já disse o número em voz alta?

Se a resposta for não, a conversa que falta é essa, e ela leva dez minutos.

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